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Nota de solidariedade ao MST diante dos ataques deflagrados nesta sexta

MST foi atacado pela PM e pela Polícia Civil no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, sob acusações absurdas que buscam enquadrar o movimento como organização criminosa.

A Esquerda Marxista manifesta por meio desta nota seu mais veemente repúdio à ação arbitrária da operação que resultou na invasão sem mandado da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) do MST por dez viaturas do GARRA (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos ) da Polícia Civil de Guararema e Mogi das Cruzes, localizada em Guararema, SP. A ação colocou em risco a vida e integridade física de inúmeras pessoas presentes no local, entre militantes do movimento e visitantes da escola.

Na manhã desta sexta-feira (4/11), por volta das 9:25 da manhã, policiais pularam a janela da recepção disparando ao ar suas armas, com munição letal (o fato de não terem utilizado balas de borracha foi comprovado pelos estilhaços encontrados).

Essa ação ocorreu junto a uma série de ações policiais visando prisões e conduções coercitivas de militantes do MST nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, sob as mais variadas e estapafúrdia acusações, com o intuito claro que categorizar o movimento social enquanto organização criminosa. Essas ações envolveram tanto as polícias civil quanto a militar, nos respectivos estados.

Nós da Esquerda Marxista temos entre nossas bandeiras a extinção das PMs. Não temos qualquer ilusão que esse aparato repressivo do estado burguês existe para proteção ou segurança do cidadão comum, pois compreendemos que a lei maior que rege suas ações é a proteção à propriedade privada dos grandes meios de produção. Isso permite que uma pequena minoria continue explorando toda a riqueza produzida por aqueles que só possuem sua força de trabalho para negociar nesse sistema de reprodução de desigualdades e opressão.

Compreendemos que a ruptura unilateral do governo de conciliação de classes por parte da burguesia equivale a uma declaração de guerra da classe dominante a todas as outras classes. O recrudescimento e o ataque crescente às liberdades democráticas se coloca na ordem do dia, o que exige de todos os movimentos sociais e sindicatos uma estreita unidade na ação, para combater todos os ataques a direitos e conquistas embutidos nos projeto de austeridade do governo de Michel Temer.

Mas compreendemos que a estrada para esses ataques foi pavimentada desde o governo de conciliação de Lula/Dilma, com o aumento da criminalização dos movimentos sociais. Inclusive isso envolve legislação específica de ataque às liberdades democráticas de direito de manifestação, de organização, de expressão e ao direito de greve, em conluio dos poderes executivo, legislativo e judiciários, separados apenas na aparência, mas sempre unidos para impor a ordem burguesa e sua manutenção contra todos.

As leis promulgadas ainda no governo Dilma, culminando com a lei antiterrorismo, fazem parte do pacote de maldades de restrições das liberdades democráticas, para enfraquecer a resistência da juventude e dos trabalhadores, na defesa de seus direitos.

Manifestamos nossa completa solidariedade ao MST e a todos os companheiros da ENFF e repudiamos mais essa ação arbitrária da PM paulista, que escancara sua face repressiva e indisposição ao diálogo por parte do governo que a comanda.

Colocamos desde já a necessidade da constituição de uma frente de esquerda que reúna todas as organizações e movimentos sociais que representam os interesses dos trabalhadores e da juventude. Somente com a mais estreita unidade poderemos reverter todas as contrarreformas visando retirar direitos e restrições das liberdades democráticas impostas pelos três poderes e preparar o terreno para uma democracia da maioria no interesse da maioria, através de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte.

De imediato, além do repúdio, exigimos a punição a todos os envolvidos nessa ação repressiva arbitrária, inclusive seus mandantes, quaisquer que sejam os cargos que ocupem.

Toda solidariedade ao MST e à Escola nacional Florestan Fernandes!

Pela defesa das liberdades democráticas de manifestação, organização e expressão!

Pelo fim imediato da PM!

Pelo fim da criminalização dos movimentos sociais!

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