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Nota de esclarecimento de Valter Pomar (Articulação de Esquerda) sobre sua posição em relação às alianças eleitorais

De nossa parte, feita a correção necessária, reiteramos nossa opinião de que a Articulação de Esquerda (Chapa Esperança Vermelha) mudou sua política anterior sobre alianças, mas apenas repete a mesma política iniciada por Zé Dirceu e Lula em 1987 (5º Encontro Nacional do PT) com a adoção do dito “Programa Democrático e Popular” que se expressou depois nas alianças com PDT, PSB, abrindo o caminho para a colaboração de classes e as alianças até com PMDB, PP, etc.

O argumento de que sem ampliar alianças no 2º turno, perderíamos, se apoia na ideia equivocada de que a massa de eleitores, milhões, seguiriam cegamente a indicação de voto de seu candidato do 1º turno. De todo modo, não há nenhum empecilho para a colaboração de classes na sua posição. Voltaremos à questão na semana que vem com um artigo sobre a “nova” posição da Articulação de Esquerda.

A seguir a Nota de esclarecimento de Valter Pomar:

A página eletrônica da Esquerda Marxista publicou uma síntese das posições das chapas que estão concorrendo ao PED 2013.

 No capítulo dedicado à “Esperança Vermelha”, é dito o seguinte: Valter Pomar tem explicado nos debates que “No 1º turno fazemos aliança democrático-popular com PCdoB, PSB, PDT, etc., e no 2º turno podemos reeditar a aliança com a “centro-direita”. Como se o PSB e o PDT não fossem partidos do capital e quer reeditar a aliança com o PMDB, PP, e todos os outros partidos da atual coligação. É uma espécie de versão antiga da orientação que Zé Dirceu e outros impuseram ao PT quando se iniciou a curso de coligar-se com os partidos burgueses, que começou “democrático e popular” e chegou ao atual “quem quiser entra”.

 Ao ler este trecho, escrevemos imediatamente para os responsáveis pela página eletrônica, alertando que em nenhum momento foi dito, nem escrito, o que está colocado entre aspas. Esquerda Marxista reconheceu isto, avisou que tiraria as referidas aspas (correção já feita, nota da EM), mas reiterou que era esta sua interpretação acerca de nossa posição, oferecendo de toda forma a possibilidade de publicarmos uma nota aclaratória.

 A confusão acerca de nossa posição acerca da política de alianças, quero crer, tem origem nos desnecessários ataques que o companheiro Marcos Sokol nos fez durante dois debates presidenciais. Para quem não assistiu: por duas vezes Sokol, polemizando conosco, disse que não bastava fazer alianças programáticas no primeiro turno, era preciso também fazer alianças programáticas no segundo turno, insinuando que nossa posição seria exatamente esta que aparece na crítica da Esquerda Marxista.

Entretanto, nos debates mesmo (ver os respectivos registros em vídeo) buscamos esclarecer Sokol e os demais, na seguinte linha:

1.A estratégia de centro-esquerda, implementada desde 1995, está esgotada. Entre outros motivos porque fizemos “o máximo que era possível fazer” de mudanças sem reformas estruturais. Agora está posta a necessidade de outra estratégia, a saber, continuar as mudanças através de reformas estruturais;

 2.Para fazer reformas estruturais, é necessário força, o que exige articular luta de idéias, ação partidária, disputa institucional, mobilização social e alianças. Esta orientação se traduz, do ponto de vista tático, na diretriz de reeleger Dilma criando as condições para ela fazer um segundo mandato superior ao atual, um segundo mandato que seja marcado por reformas estruturais (tributária, política, Lei da Mídia Democrática, agrária, urbana, 40 horas, políticas universais etc.);

 3.As alianças necessárias para fazer reformas estruturais são as alianças estratégicas, com os setores sociais e políticos que estão de acordo com estas reformas. Isto inclui partidos e setores de partidos, mas inclui principalmente setores sociais, organizados ou não. No primeiro turno das eleições de 2014, estes devem ser nossos aliados fundamentais, prioritários.  

 4.Alianças fora deste arco estratégico, alianças de natureza tática ou pontual, podem ser feitas nas eleições de 2014, tanto no primeiro quanto no segundo turno? Sim, sempre e quando isto não constituam obstáculo para um segundo mandato marcado por reformas estruturais. 

 5.Por isto, aliás, temos defendido com ênfase que nas eleições estaduais o PT não pode submeter-se aos interesses do PMDB, nem de oligarquias regionais, nem tampouco virar moeda de troca para alianças nacionais pragmáticas. Por isto, por exemplo, temos defendido há tempos que o PT rompa com o governo Cabral, saia dos governos Cid Gomes e Eduardo Campos, faça oposição a oligarquia Sarney.

 6.Do ponto de vista do método, propomos que a discussão interna e pública não seja posta assim: “com ou sem o PMDB”. Defendemos que a discussão seja posta desta forma: “aliados que defendem o programa de reformas estruturais”.

 7.Na prática, entretanto, temos claro que defender um programa de reformas estruturais implicará em uma aliança para 2014 diferente da aliança realizada em 2010.

 8.Consideramos que o papel desempenhado pelo PMDB no primeiro mandato Dilma, tanto no governo quanto no Congresso Nacional, consiste num freio, um obstáculo, um elemento de contra-reforma, um sabotador constante. Que conta com o apoio de uma quinta-coluna dentro do PT, quinta-coluna hoje encabeçada pelo deputado Candido Vaccarezza, que jacta-se de ser integrante fiel e destacado do grupo majoritário do PT, eleitor da chapa “Construindo um novo Brasil” e da candidatura Rui Falcão.

 9.Para o PT e para a nossa estratégia, uma aliança programática (por exemplo, PT-PCdoB) no primeiro turno de 2014 será melhor do que uma aliança supostamente mais ampla, que só seria possível rebaixando nosso programa, o que, na nossa opinião, pode inclusive pesar eleitoralmente contra nós.

 10.Quanto ao segundo turno: tem razão os que dizem que sempre podemos perder, no segundo turno, a nitidez programática que obtivermos no primeiro turno. Este risco existe e devemos lutar contra ele, mas a resposta não pode ser “só faremos no segundo turno alianças com quem nos aliamos no primeiro turno”, pois uma resposta deste tipo poderia nos levar ao seguinte beco sem saída: ou ganhamos no primeiro turno, ou perdemos no segundo turno.

 11.Assim, defendemos simplesmente que tanto no primeiro quanto no segundo turno, nossa política de alianças deva ser orientada pelo programa de reformas estruturais. Agora, o dilema que viveremos num segundo turno, outros setores também viverão e o mais provável é que os partidos que fiquem fora do segundo turno dividam-se, com setores de partidos indo apoiar nossos inimigos e outros vindo conosco. Se deixarmos claro nosso parâmetro programático, conseguiremos separar o joio do trigo.

Esperamos ter esclarecido nossa posição a respeito.

Saudações petistas

 Valter Pomar 

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