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Não ao despejo dos Guaranis-Kaiowás de Pyelito Kue-Mbarakay!

Durante séculos os povos guaranis, bem como outros povos originários das Américas, estão sendo sistematicamente dizimados. Empurrados mais e mais para longínquas regiões, contaminados pelas doenças da moderna civilização capitalista, com suas terras arrancadas pelos grileiros e fazendeiros, muitas tribos acabaram tendo sua população reduzida a números pequenos, comparados ao que já foram antes da chegada dos invasores e conquistadores portugueses, espanhóis, franceses e ingleses. Foi a matança organizada que permitiu ao capitalismo nascente acumular grandes reservas de ouro e prata.

Durante séculos os povos guaranis, bem como outros povos originários das Américas, estão sendo sistematicamente dizimados. Empurrados mais e mais para longínquas regiões, contaminados pelas doenças da moderna civilização capitalista, com suas terras arrancadas pelos grileiros e fazendeiros, muitas tribos acabaram tendo sua população reduzida a números pequenos, comparados ao que já foram antes da chegada dos invasores e conquistadores portugueses, espanhóis, franceses e ingleses. Foi a matança organizada que permitiu ao capitalismo nascente acumular grandes reservas de ouro e prata.

Uma comunidade Guarani-Kaiowá está gritando por socorro na região de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul. Estão ameaçados de despejo e ameaçam realizar um suicídio coletivo em protesto contra a ação da Justiça Federal de Naviraí que pretende arrancá-los das terras para beneficiar um punhado de latifundiários e capitalistas do agronegócio.

Os trabalhadores da cidade e do campo, suas organizações sindicais, a CUT, o PT, e outras, devem exigir a suspensão do processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Devem exigir que a presidente Dilma decrete a permanência dos Kaiowás às margens do rio Hovy.

A Esquerda Marxista se solidariza com os Guaranis-Kaiowás. Entendemos que a luta pelo socialismo é a única que verdadeiramente pode abrir uma perspectiva de vida para todos os povos, para os trabalhadores da cidade e do campo e para todas as comunidades, tribos e povos indígenas.

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil

Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós.  Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para  jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.     

Comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

 

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