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Na vida, a política comanda tudo

Num primeiro momento, todos os jornais destacaram o choro dos familiares de Eduardo Campos, de seus amigos e da própria burguesia, que considerava ter morrido “o melhor representante político pós-64”. Mas a vida não para, e no enterro de Campos, o que estava presente, a partir da própria família e dos dirigentes do PSB, era a campanha eleitoral.

Este artigo foi publicado dia 19 de agosto, logo após o velório de Eduardo Campos, como editorial do Foice&Martelo. Ele mantém toda atualidade política.

Num primeiro momento, todos os jornais destacaram o choro dos familiares de Eduardo Campos, de seus amigos e da própria burguesia, que considerava ter morrido “o melhor representante político pós-64”. Mas a vida não para, e no enterro de Campos, o que estava presente, a partir da própria família e dos dirigentes do PSB, era a campanha eleitoral. “Não vamos desistir do Brasil”, diziam as camisetas. Gritos de “Fora PT” e de “Fora Dilma, agora é Marina”, repercutidos pelos jornais e TVs, mostram que o período de luto já passou e agora é campanha.

Todos os jornais dedicam-se a destacar a morte de Campos e a “busca” de um sucessor que só pode ser Marina, já ungida pelo irmão de Campos no próprio dia de sua morte. As revistas semanais também, Veja a frente. A pesquisa divulgada nesta segunda, dia 18, mostrando que Marina já supera Aécio no primeiro turno (apenas um ponto percentual, “empate técnico”, relata o “sóbrio” folhetim) e bate Dilma no segundo. Sim, o pânico vai se espalhar na campanha do PT e muito mais na de Aécio.

E o PSB, o “novo na política”, quer que Marina respeite o “programa” e os “compromissos” do partido e de Eduardo. Tudo isso será detalhado em uma carta compromisso a ser revelada e assinada por todos no dia 20 de agosto.

Mas, de qual programa que eles estão falando? As diretrizes para o programa de governo do PSB e de seus coligados, além de menções à “sustentabilidade” a cada duas linhas fala em extensão das concessões dos serviços públicos à iniciativa privada. Por isso disse no RJ “Como você vai governar um país no regime capitalista e ter preconceito com a iniciativa privada? Acho importante atrair o investimento privado para áreas em que o Estado não consegue chegar.” E a política de Eduardo no governo de Pernambuco fala por sim mesma: privatizações, repressão e guerra contra o movimento sindical, etc.

A única coisa concreta, uma promessa feita de última hora pelo candidato, na sua já famosa “última entrevista”, foi a do passe livre estudantil.

Mas, a plataforma do PSB tinha algo de novo, no item Política de Defesa, aonde está escrito:

 “Tal condição requer que o país desenvolva uma política de defesa nacional vigorosa, compatível com sua importância estratégica e com os interesses nacionais daquela que é a 6a economia do mundo.

• Desenvolver a base industrial de defesa, com a aquisição de todas as tecnologias e capacidades industriais necessárias para que o Brasil alcance a necessária autonomia de avaliação, decisão e ação na defesa de sua soberania.

• Implementar ações que fortaleçam setores como o espacial (satélites e foguetes), naval, comunicações estratégicas, ciberdefesa, radares, defesa aérea e aviação avançada.

• Criar articulações com o setor privado, para que o mesmo se interesse por investir em produtos e processos de interesse da defesa nacional.

• Criar, fortalecer e articular centros de pesquisa que apoiem tecnologicamente a política nacional de defesa.

• Valorizar os profissionais das forças armadas, tanto em termos de remuneração, quanto de investimentos em sua adequada formação para o exercício das funções de defesa, em suas diferentes vertentes.”

Traduzindo em palavras mais curtas, o programa do PSB procura copiar no Brasil, o que fez os EUA para tentar sair da crise: investir no setor das forças armadas e na indústria de guerra.

Notável também é a falta de qualquer menção à política trabalhista, seja para apoiar as reivindicações dos trabalhadores, seja para apoiar a derrubada dos direitos. Mas, os aplausos que Eduardo ganhava nas reuniões com empresários mostram muito bem de que lado estava.

O compromisso de Marina é de manter todos os acordos de Eduardo com os usineiros, com o agronegócio, e em geral com o capital nacional e internacional, além de fazer campanha com as coligações já acertadas, como com o PSDB de Alckmin, em São Paulo, ou o PT de Lindberg Farias, no Rio de Janeiro. Marina já declarou que entende suas responsabilidades e o jogo será jogado.

Uma boa parte da burguesia já girou em direção à Marina, quando antes se dividia entre Dilma, Aécio e Eduardo. As doações eleitorais quase iguais mostravam isso. As próximas pesquisas e as próximas doações, mostrarão se as intenções de hoje se tornarão compromissos concretos. O desespero de Dilma e Lula, que deixaram de lado a classe trabalhadora em nome das “alianças”, que já não se mostram tão confiáveis, e de Aécio, que virou o “pato manco” da história, só aumentarão.

A Esquerda Marxista chama os trabalhadores a refletir e a lembrar aquele que foi o lema da Primeira Internacional, de Marx e Engels: “A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores.”

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