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Morreu Jaruzelski, o general da escuridão stalinista polaca! Longa vida ao Solidarnosc!

O Solidarnosc (Solidariedade, em polonês) vive em nós, em todos os lutadores pelo socialismo e pela liberdade!
Agora morreu o carrasco do sonho nascido em Gdansk.

O Solidarnosc (Solidariedade, em polonês) vive em nós, em todos os lutadores pelo socialismo e pela liberdade!
 
Agora morreu o carrasco do sonho nascido em Gdansk.
 
Desde 25 de maio estamos comemorando a morte do general Jaruzelski, assassino stalinista polonês que, em 13 de dezembro de 1981, declarou Lei Marcial e reprimiu o sindicato Solidarnosc (Solidariedade).  
Em 1980, contra a demissão da operária Anna Walentynovycz os operários do estaleiro de Gdansk entraram em greve e enfrentaram a repressão. A greve se estendeu e se tornou a maior greve da história da Polônia.
 
Em Gdansk funda-se o Sindicato independente Solidarnosc, já que os sindicatos oficiais controlados pelo Partido Comunista apoiavam o governo e a repressão.
 
Jaruzelski, era um stalinista fanático e um burocrata militar sem escrúpulos. Foi chefe do Estado-Maior polonês em 1965 e Ministro da Defesa da Polônia entre 1968 e 1981. Tornou-se, em seguida, chefe do governo e secretário do Comitê Central do Partido Operário Unificado Polaco, o Partido Comunista Polaco.
 
Este partido nada tinha a ver com o partido polaco de Rosa Luxemburgo, e de antes da Guerra. Ele foi “reconstruído” por Stálin após a ocupação pelo Exército Vermelho e tinha como bases estruturais os antigos membros do Partido Socialista (social-democrata) e o Partido Camponês. 
Jaruzelski, para defender a burocracia  stalinista e seus amos de Moscou contra o levante dos operários e da juventude polaca dirigidos pelo Solidariedade, declarou a Lei Marcial e reprimiu violentamente o sindicato Solidariedade, em 13 de dezembro de 1981 (durante a realização de seu Congresso nacional em que Walesa disputava homem a homem a maioria contra a esquerda), e mandou para a prisão a maioria dos líderes do movimento e prendeu milhares de ativistas. 
 
Só levantou a Lei Marcial em 1982, após um acordo com a Igreja Católica e o próprio Lech Wałęsa. Libertou Walesa e todos os dirigentes católicos (e pró capitalistas) e manteve na prisão todos os dirigentes e milhares de ativistas de esquerda, socialistas antistalinistas, como Edmundo Baluka, Anna Walentynowicz, e muitos outros. Só os libertou em 1984 após ter estabilizado o país com ajuda de Walesa e ter se assegurado de que Walesa havia destroçado todos os redutos da esquerda e tomado firmemente o controle do Solidarnosc, que desde então nunca mais foi o mesmo. 
 
Walesa, com apoio do Papa e de todos os governos de direita do mundo, reorganiza o Solidarnosc até que ele seja um aparato burocrático como os próprios sindicatos oficiais “comunistas”.  É isso que leva Anna Walentynovycz, que também era católica praticante, a romper com ele denunciando o que se passava. 
 
Após este acordo Jaruzelzki inicia um processo de reformas políticas e economicas que se poderia chamar de “Abertura lenta e gradual”, exatamente como o general Geisel, no Brasil. Iniava o processo de retauração do capitalismo. Este é o processo que culmina com a eleição de Walesa como presidente, em 1990, por um partido criado nos gabinetes do governo e da Cúria católica, chamado … Solidariedade!
 
O vendido Walesa vai manter todos os mecanismos de repressão quase intactos e restaurar o capitalismo com a ajuda de João Paulo II, o papa polaco que dedicara sua vida a combater as revoluções e as expropriações do capital. 
 
Tendo destruído todos os direitos e conquistas da expropriação do capital e entregue os poloneses acorrentados nas mãos das multinacionais, Walesa finalmente se reapresenta como candidato à reeleição e toma um pontapé histórico, tendo só 2% dos votos.
 
Em homenagem aos operários, heróis e dirigentes do levante de 1980 nos próximos dias publicarei pequenos posts sobre alguns dos melhores entre deles. 
 
O que o Solidarnosc provou com todas as letras é que a rebelião democrática e operária contra o monstro stalinista era possível e ele podia ser derrotado, ou seja, que a expropriação do capital exige a democracia operária para uma efetiva planificação e desenvolvimento ininterrupto das forças produtivas. 
 
Lá surgia o Solidarnosc, aqui nós fundávamos o PT, na Nicarágua a FSLN tomava o poder.  Que feitos maravilhosos e fantásticos as massas realizaram. Que culpa tem  
as massas se seus dirigentes capitularam e se passaram, como Walesa, para o lado do capital?!
 
Já vai tarde Jaruzelski! Teu lugar é na escuridão da história da Humanidade!
 
Viva a luta pelo socialismo, viva a classe operária internacional.
 
Longa vida ao Solidarnosc!

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