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Montreal: 300 mil protestam contra aumentos de mensalidades

Apesar da energia, números e vontade dos estudantes, eles não são capazes de fechar fábricas nem de parar a produção – seu impacto econômico não é muito grande. Mas o potencial está aí – a força real da sociedade saída das janelas em sinal de apoio

Na quinta feira, dia 22, aproximadamente trezentos mil estudantes, professores e funcionários tomaram as ruas de Montreal em uma imensa e histórica manifestação. Naquele dia, 308.723 estudantes estavam unidos em uma greve que se alastrou por toda a província. Juntaram-se à marcha muitos ônibus que traziam de toda Quebec universitários e até mesmo estudantes do colegial! Sindicatos, desde metalúrgicos até enfermeiras e professores também se juntaram aos protestos, carregando suas bandeiras.

Essa foi realmente uma demonstração que uniu todos os setores da classe trabalhadora. Todos estão sob o ataque da crise econômica. Essa manifestação foi apenas uma amostra da frustração que ultrapassa em muito a indignação contra o aumento das mensalidades.

O incrível é que o governo liberal de Quebec fez de tudo para diminuir o movimento dos estudantes, passando meses declarando que os manifestantes eram minoria, além de organizar grupos de jovens colaboradores que atuavam como fura-greves nos campus. Mas com essa imensa marcha os estudantes simplesmente passaram por cima de tudo isso e demonstraram que não são uma minoria radical, mas uma força elementar. E como uma força da natureza, inundou as ruas. A multidão ficou tão imensa que um manifestante ligou para o outro desejando marcar um encontro em meio aos protestos. Logo viram que isso era impossível, pois um estava no metrô Saint Laurent e outro no Champs de Mars, a um quilometro de distância. E nenhum dos dois conseguia ver o começo ou o fim da passeata!

A marcha esteve animada, com artistas e até palhaços se juntando aos protestos e com eles contribuindo com sua arte. Músicos, com tambores e trompetes, vestidos de gordos capitalistas, brincavam com um boneco gigante do premiê Jean Charest. O moral era muito alto, e o principal triunfo foi a lição aprendida por todos que até o momento estavam sofrendo separados – a dor é conjunta! Isso é um elemento poderoso, e um excelente começo.

Mas precisamos pensar no próximo passo. Um dos pontos mais positivos do protesto estava fora dele. Em todo o trajeto, jovens e idosos saíam das varandas e janelas, acenando com lenços, toalhas vermelhas em sinal de apoio. Havia garçons nos restaurantes do porto com guardanapos vermelhos. Houve também comediantes do show “Just for Laugh” que saíram com um cartaz vermelho, com os seguintes dizeres: “ei, você aí na praça vermelha, quer casar comigo?” Isso aconteceu também de manhã, quando um grupo de estudantes bloqueou o porto na antiga Montreal. Muitos estudantes temiam que a população se zangasse com o bloqueio de seu caminho. Mas o que aconteceu foi o contrário. Caminhoneiros passavam com lenços vermelhos e diziam: “estudantes e trabalhadores, a mesma luta”. O apoio ao movimento foi amplo na classe trabalhadora, e é aí que o caminho mais a frente será traçado.

Apesar da energia, números e vontade dos estudantes, eles não são capazes de fechar fábricas nem de parar a produção – seu impacto econômico não é muito grande. Mas o potencial está aí – a força real da sociedade saída das janelas em sinal de apoio.

Com a introdução de taxas no sistema de saúde, com ataques às aposentadorias, com a ilegalização de greves no setor postal e aviação, com a tropa de choque reprimindo trabalhadores da Aveos (empresa privatizada que é prestadora de serviços de manutenção de aviões, nota do editor no Brasil) que perderam seus empregos do dia para noite, o aumento dos custos na educação é apenas uma parte do ataque que a classe capitalista realiza contra o restante da sociedade. E uma resposta à altura só pode ser dada por aqueles que têm o poder real – as massas trabalhadoras.

Chegou a hora da CSN, FTQ, CSQ e CSD colocarem os trabalhadores em coalizão com os estudantes. Os lideres sindicais devem preparar uma greve geral de vinte e quatro horas contra a austeridade do governo.

Traduzido por Arthur Penna

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