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Midia burguesa e manipulação de informação para defender o tiro dado pelo sub secretário de Jacques Wagner contra MST

 
Ari Pereira de Oliveira, subsecretário de Segurança Pública da BA, usa arma de fogo para impedir invasão do prédio
 
Atenção para a construção dessa matéria jornalística, esse absurdo. Parágrafos inteiros buscam justificar um “disparo de advertência” do subsecretário contra manifestantes do MST que “invadiram” o prédio; chegando ao cúmulo de dizer que “os policiais tentaram acalmar os manifestantes” inutilmente – como se nós brasileiros não conhecêssemos a polícia que temos.

 
Ari Pereira de Oliveira, subsecretário de Segurança Pública da BA, usa arma de fogo para impedir invasão do prédio
 
Atenção para a construção dessa matéria jornalística, esse absurdo. Parágrafos inteiros buscam justificar um “disparo de advertência” do subsecretário contra manifestantes do MST que “invadiram” o prédio; chegando ao cúmulo de dizer que “os policiais tentaram acalmar os manifestantes” inutilmente – como se nós brasileiros não conhecêssemos a polícia que temos.
 
Quantas palavras encontramos aí para justificar as armas dos manifestantes, pintadas como perigosíssimas (ao contrário do “disparo de advertência” do subsecretário, algo totalmente inofensivo, trivial, não?), para justificar sua OCUPAÇÃO em protesto pela falta de agilidade na investigação do assassinato de um de seus dirigentes? Quanto espaço foi dedicado sobre os crimes cometidos cotidianamente contra o Movimento Sem Terra, e contra todos os que marcham e lutam no país? 
 
Lemos aqui menos de duas linhas dedicadas a um comentário banal de um manifestante, e 6 parágrafos reproduzindo justificativas por parte da pasta da Secretaria de Segurança Pública.
 
A (quase) velada perversidade ideológica dessa matéria é realmente assombrosa. É claro que a parcialidade da mídia é óbvia para quem tem olhos mais atentos (poucos, ainda), mas é perigoso às vezes que o óbvio deixe de incomodar, afinal “é assim mesmo”, e a gente que se vire pra encontrar na chamada “mídia suja” da internet a versão dos manifestantes, ou mesmo encontrar as notícias que são simplesmente ignoradas pelos jornais. Vai ser assim até que a roda da história nos leve novamente ao ponto de sairmos às ruas, “invadirmos” suas sedes “perigosamente armados” e tomarmos os meios de comunicação, sob “disparos de advertência” e tentativas frustradas de policiais inocentes de nos “acalmar” para “garantir a integridade das instalações e servidores.” 
 
Nunca seremos representados por qualquer mídia enquanto não tomarmos os grandes meios de comunicação em nossas mãos.
 
“Segundo a secretaria, cerca de 600 sem-terra invadiram o prédio “armados com foices, facões, machados, enxadas e paus”.
 
“Eles já ocupavam o térreo e pretendiam subir as escadas para acessar outros pavimentos quando foram impedidos por um disparo de advertência. A ação fez os manifestantes recuarem e garantiu a integridade das instalações e dos servidores que já tinham chegado ao trabalho”, disse a pasta, em nota.”
 
“(…) policiais tentaram acalmá-los, mas o grupo insistiu em subir até os andares superiores. Neste momento, o subsecretário, que estava no primeiro andar, fez um disparo para tentar conter a invasão.”
 
(Estou ansiosamente esperando uma matéria sobre isso na Veja. Só que não.)

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