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México: repressão brutal ao movimento dos professores com seis mortos

Brutal repressão ao movimento de professores no México deixou 6 mortos, dezenas de feridos e 21 presos neste domingo.

No dia 19 de junho, a polícia mexicana interveio para limpar uma estrada bloqueada na cidade de Nochixtlan. A brutal repressão deixou seis pessoas mortas e dezenas de outras feridas, bem como pelo menos 21 presas. O bloqueio tinha sido organizado pelos professores com o apoio das comunidades locais a fim de evitar que a Polícia Federal chegasse à capital de Oaxaca, onde os professores em greve tinham levantado um acampamento.

É este o mais recente exemplo da repressão brutal do governo mexicano de Peña Nieto contra o prolongado movimento dos professores que lutam contra uma contrarreforma educacional que eles rejeitam. Na sexta-feira, 17 de junho, milhares de policiais formaram uma parede humana que impediu uma manifestação dos professores de chegar ao cento da Cidade do México, onde seu acampamento já tinha sido brutalmente desalojado dias antes.

Milhares de professores foram demitidos de seus empregos por se recusarem a realizar os testes de aprovação que fazem parte da “reforma” educacional, centenas foram presos incluindo muitos dos líderes do sindicato dos professores democráticos, o CNTE. Entre os detidos estão 15 dirigentes do sindicato, incluindo os secretários-gerais da seção 22, que representa Oaxaca, e da seção 18, em Michoacán, todos detidos em cárceres de alta segurança.

A ala democrática do sindicato dos professores detém a maioria do sindicato nos estados de Chiapas, Guerrero, Michoacán e Oaxaca, bem como na Cidade do México. A CNTE, que foi fundada em 1979 para lutar contra a burocracia pró-governo dos líderes corruptos da SNTE, tem o apoio dos professores ativistas de todo o país. Nas regiões rurais que controlam, os professores também são a coluna vertebral da maioria dos movimentos sociais.

A “reforma” educacional é parte fundamental da estratégia do governo de Peña Nieto por duas razões: a primeira, sua execução destruiria efetivamente a educação como um direito a ser garantido pelo estado, abrindo a porta à privatização; a segunda, a reforma também está destinada a destruir o poder do militante sindicato CNTE. Com relação a isto, ela se encaixa na estratégia do governo de “abertura” da indústria petrolífera do país ao investimento privado externo, de ataques à Universidade Politécnica IPN e de esmagamento do militante sindicato dos eletricistas, o SME.

A razão pela qual o governo escolheu como alvo a seção 22 da CNTE de Oaxaca é o papel que esta desempenhou no levante de 2006 em Oaxaca, papel este que solidificou seus vínculos com as comunidades locais, a maioria delas indígena. A memória da comuna de Oaxaca, que se prolongou durante meses, há dez anos, não se apagou (ver http://www.marxist.com/revolutionary-reawakening-mexicoo80906.htm=).

O que testemunhamos em 19 de junho em Nochixtlan foram cenas de guerra civil. Por um lado, a comunidade local, armada de paus e pedras, construindo barricadas de bloqueio na estrada principal Puebla-Oaxaca, para impedir a chegada das forças da repressão à capital do estado. Bloquearam a estrada durante uma semana. Por outro lado, a Polícia Federal usando de todos os meios a sua disposição para removê-las: gás lacrimogêneo, balas de borracha, helicópteros e, de acordo com testemunhas locais, também munição real.

Os confrontos se prolongaram por mais de 7 horas. Enquanto isto, a polícia impediu que as ambulâncias chegassem ao local e, quando a comunidade local conseguiu levar alguns de seus feridos ao hospital local, a polícia impediu que eles fossem atendidos.

Entre os mortos, estão: Yalid Jiménez Santiago, 29 anos de idade, de Santa María Apazco, Nochixtlan. Ele tinha atendido à convocação para reforçar as barricadas quando a Polícia Federal disparou em sua van. Oscar Nicolás Santiago, de Las Flores Tilantongo, 21 anos de idade, camponês, foi ferido por arma de fogo da Polícia Federal. Ele foi levado ao hospital, mas foi-lhe recusada a atenção médica porque somente atendiam policiais. Ele sangrou até morrer. Andrés Aguilar Sanabria, 23 anos de idade, era um professor indígena. Anselmo Cruz Aquino, de Santiago Amatlán, morto por um ferimento de bala. Antonio Pérez García, estudante de ensino médio. Jesús Cadena Sánchez Meza, 19 anos de idade, estudante.

No mesmo dia, a polícia atacou outro bloqueio de estrada em Salina Cruz, Oaxaca, onde os professores e seus apoiadores tinham construído uma barricada para fechar a autopista Chiapas-Oaxaca.

De início, a polícia negou que seus agentes estivessem portando armas de fogo, mas, mais tarde, mudaram de versão, alegando que pessoas “desconhecidas” começaram a atirar “tanto sobre os manifestantes quanto sobre a polícia” e que isto foi o que levou à “chegada de policiais armados” na cena.

O movimento dos professores tem amplo apoio, não somente nas regiões onde eles são fortes, como também em todo o país. Os trabalhadores rurais de San Quintin Valley, na Baixa Califórnia, em luta por salários dignos e contra o assédio dos patrões, também saíram em apoio aos professores de Oaxaca. De fato, muitos desses super-explorados trabalhadores são trabalhadores migrantes originários de Oaxaca.

Uma marcha nacional de apoio ao movimento dos professores foi convocada na Cidade do México para o próximo domingo, com o apoio do líder de Morena, Andrés Manuel Lopez Obrador.

O que vemos no México é um governo que está decidido a realizar um programa de cortes e contrarreformas usando toda a violência e repressão necessárias para levá-lo à frente. O governo, contudo, está extremamente desacreditado e teve que enfrentar uma série de movimentos de massa, incluindo o movimento por justiça para os 43 estudantes de Ayotzinapa desaparecidos à força há aproximadamente dois anos.

O principal problema com os diferentes movimentos que têm surgido é o seu caráter isolado e fragmentado. Há a necessidade urgente de unificação de todas as diferentes lutas em um único e poderoso movimento para reverter todos os ataques, bem como para derrubar o governo.

Apelamos à mais ampla solidariedade e apoio para a luta dos professores mexicanos. Abaixo a repressão! Pela imediata libertação de todos os dirigentes sindicais detidos! Unidade na luta! Abaixo o regime assassino de Peña Nieto!

Artigo publicado originalmente em 20 de junho de 2016, no site da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título “ Mexico: brutal repression of teachers movement kills 6.

Tradução de Fabiano Leite.

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