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México em convulsão

O dia 26 de setembro de 2014 foi marcado pelo violento sequestro e desaparecimento de 43 estudantes, em Ayotzinapa, no estado de Guerrero, México, o que mergulhou o país numa profunda crise social e política. O massacre dos estudantes levou as massas às ruas e convulsionou o governo de Enrique Peña Nieto enfrentado com protestos massivos  nas ruas e respondendo com muita repressão.

As massas continuam em cena após um ano do desaparecimento dos 43 de Ayotzinapa

O dia 26 de setembro de 2014 foi marcado pelo violento sequestro e desaparecimento de 43 estudantes, em Ayotzinapa, no estado de Guerrero, México, o que mergulhou o país numa profunda crise social e política. O massacre dos estudantes levou as massas às ruas e convulsionou o governo de Enrique Peña Nieto enfrentado com protestos massivos  nas ruas e respondendo com muita repressão. 

Nas eleições ocorridas em junho desse ano os três principais partidos mexicanos, o PRI (partido centrista de Peña Nieto), PAN (de direita) e o PRD (partido que já teve apoio das massas) tiveram votações irrisórias. E o PRD, que ao longo dos anos se distanciou das massas, colapsou. Conseguiu apenas 11% dos votos e perdeu cerca de 40 deputados. 

O PRD está seguindo o mesmo caminho dos partidos históricos que traíram as massas como o PASOK (Grécia), PSOE (Espanha) ou o PT no Brasil.

Nesse processo, o Morena que é um partido de Esquerda, mesmo sem ter um programa claro apareceu como alternativa com 8% dos votos.

Nos estados de Guerrero e Oaxaca as eleições ocorreram em meio ao caos e a protestos. Os pais dos desaparecidos de Ayotzinapa boicotaram a eleição em Tixtla, o município mais próximo da escola onde estudavam os jovens mexicanos. E os sindicatos de professores e vários grupos organizados tentaram fazer o mesmo em algumas partes do Estado.

O agravamento da crise

O 26 de setembro de 2014 foi marcado pelo violento sequestro e desaparecimento de 43 estudantes, em Ayotzinapa, no estado de Guerrero, México, o que mergulhou o país numa profunda crise social e política. O massacre dos estudantes levou as massas às ruas e convulsionou governo de Enrique Peña Nieto enfrentado com protestos massivos  nas ruas e muita repressão.

O governo tenta, sem sucesso, estabilizar a situação para prosseguir os ataques à classe trabalhadora através de supostas reformas. Porém, a economia mexicana estagnada há anos, as péssimas condições de trabalhos impostas aos trabalhadores através de baixíssimos salários e ambientes de trabalho insalubres, além da forte repressão policial, fez com que a paciência da maioria acabasse.

Frente Única e duplo poder

O que ficou claro após Ayotzinapa é que a classe trabalhadora e a juventude mexicana não aceita mais viver como antes. Existem elementos de duplo poder regionais.

Alguns municípios rejeitaram as eleições burguesas e escolheram eles mesmos seus governantes por assembleias. Em Ostula, a população armada recuperou terras que o estado havia  vendido aos capitalistas e ser armaram para combater o crime organizado. 

O que está se passando no México é um reflexo da onda geral de descontentamento e raiva contra o capitalismo e a crescente desigualdade que estamos vendo em outros lugares com implicações revolucionárias. Não esqueceremos Ayotzinapa. Estamos com os trabalhadores, camponeses, estudantes e a juventude revolucionária do México.

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