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Mauá: Chega de Enrolação! Tarifa Zero Já!

Na cidade de Mauá, no ABC Paulista, o aumento da tarifa do ônibus feito ainda em 2012 pelo governo do petista Oswaldo Dias, e mantido pela gestão recém-eleita do também petista Donisete Braga, levou cerca de dois mil jovens e trabalhadores a ocupar o centro da cidade em janeiro de 2013.

Na cidade de Mauá, no ABC Paulista, o aumento da tarifa do ônibus feito ainda em 2012 pelo governo do petista Oswaldo Dias, e mantido pela gestão recém-eleita do também petista Donisete Braga, levou cerca de dois mil jovens e trabalhadores a ocupar o centro da cidade em janeiro de 2013. A luta em Mauá logo se espalhou por todo o ABC e foi o prelúdio das jornadas de junho em São Paulo que logo se espalharam por todo o país.

O recado das ruas ali foi claro: “Não queremos pagar por um serviço essencial como o transporte e principalmente, por um serviço de péssima qualidade”. Entretanto, o mesmo esforço que os governantes fazem para fingir que não ouviram o recado, é o esforço que fazem para fingir que de fato estão ouvindo o que as ruas exigem. Em Mauá, o governo municipal tem promovido plenárias sobre mobilidade urbana na cidade, mas a pergunta que fica é: qual a real efetividade dessas plenárias ?

Abaixo segue o relato de Ana Célia Cruz, que foi as ruas em 2013 e que participou de uma dessas plenárias.

“Em 20/03/14 participei de uma (no Parque das Américas) das cinco Plenárias de Mobilidade Urbana que estão sendo promovidas pela atual gestão municipal. Estava marcada para as 19h e começou as 19:30h com a fala do prefeito Donisete Braga, que, dentre muitas coisas sobre diversos assuntos, considero mais importante a explicação sobre o retorno, para a Prefeitura, do direito de abrir novas licitações e retomar o controle sobre o transporte. Também garantiu que a nova licitação será só para modelos 2014/2014 (se a gente quiser ao invés de um modelo 2014, dois modelos 2010 problema nosso).  Após a fala, se retirou pra outro compromisso.

Na sequência, apresentação de vídeo institucional relatando os projetos da Prefeitura (basicamente: viaduto, ponte, mais pistas) para a mobilidade, seguidas de falas chatas (à essa altura eu já estava chata também, que saco! A gente só ouve, ouve, quando é que a gente pode falar!) dos secretários, Rômulo (Relações Institucionais), Paulo Eugênio (Mobilidade Urbana) e Edilson de Paula (Governo), além do vereador José Cassimiro (PT).

Autoelogios, sobre construção do Rodoanel, Shopping, uma explicação apressada sobre a lei da Mobilidade de 2012 e a consequente necessidade de elaboração do Plano Municipal até 2015, e as 20:30h, se abriu o microfone para a “participação popular”. Quem quisesse se candidatar para delegado, também já poderia tê-lo feito desde o início, deixando o nome com uma pessoa responsável.

Nem consegui prestar muita atenção nas outras falas, uma vez que estava concentrada no que eu ia dizer nos meus míseros 2 minutos, mas foram sobre mudança de nome da estação de trem para Parque das Américas ao invés de Guapituba; alguma reclamação sobre denúncia feita à prefeitura que não dá em nada (essa nem ouvi direito porque a próxima a falar seria eu), minha fala, que direi adiante; um senhor cego que falou sobre os problemas com calçadas; solicitação de faixa de pedestre; alteração de linha de ônibus; adequação para mobilidade de deficientes e acabou. Falas pontuais, problemas pontuais que, espero eu, não se pareçam em nada com participação, decisão, autonomia. Espero que possamos muito mais!

Na minha fala, procurei retomar os últimos acontecimentos que sacudiram o país inteiro. Relembrei que em dezembro de 2012 nos tornamos a cidade com a passagem mais cara, também do país inteiro. Muitas pessoas, mais gente que as 141 daquela plenária, foram às ruas protestar e tiveram como resposta os ouvidos atentos da polícia militar e guarda civil, paramentadas com cavalaria, bomba de gás, balas de borracha. Já na plenária engomadinha sugeri então que a cidade adote a tarifa zero para os transportes – creio que era o mais sensato a se indicar. Com relação ao transporte por bicicletas, na cidade que detém o maior bicicletário da América Latina, lembrei quão vergonhosa é a infraestrutura do modal por aqui, e já que se planejam tantos viadutos, pontes, pistas novas, que se comemora rodoanel e shopping, que pelo menos adaptem as duas passarelas existentes entre as estações Guapituba e Mauá.

Paulo Eugênio comentou todas as falas. Sobre as minhas indicações: sim, é possível a tarifa zero, só não tem dinheiro pra isso agora. E quanto às passarelas, são do governo do estado e parecem que serão contempladas nas reformas estatais. Também acha que precisa melhorar a infraestrutura cicloviária.

Sobre os delgados, haviam 14 vagas, mas só 6 pessoas se candidataram, entre elas, eu. O que faremos? Depois que o plano estiver pronto, elaborado por uma empresa que não sabemos qual, seremos chamadas novamente a “participar”.

Ao final, fotos, com as quais contribuí com meu sorriso amarelo e cansado.”

A resposta parece óbvia, quando a juventude e os trabalhadores vão as ruas para dizer o que querem, são calados pela repressão a mando do governo.

Depois criam esses espaços de “participação” para poderem dizer que estão ouvindo, e ao fim e ao cabo, nenhum dos governos capitalistas de plantão, em todas as esferas, atendem as reivindicações mais sentidas. É correto o governo promover audiências públicas para ouvir a população e prestar contas do seu mandato, entretanto, essas plenárias se balizam nos modelos de orçamento participativo, conferências e conselhos, amplamente adotados pelos governos petistas e que nos últimos anos tem servido apenas para afastar a população da luta contra os verdadeiros entraves ao atendimento das reivindicações populares, que são os interesses capitalistas que direta ou indiretamente pautam todos os governos.  

Ana Celia Cruz faz parte do Núcleo de Participação e Organização Popular do PT de Mauá (POP), um grupo de petistas que, a despeito de haver um governo petista na cidade, não se furtaram a ir as ruas e lutar pelo que é justo, como todos os petistas faziam na origem do partido. A Esquerda Marxista saúda esses companheiros, pois também defendemos a tarifa zero e somos contra toda a enrolação e o malabarismo numérico que os governos fazem para defender o indefensável que é a relação espúria entre os tubarões de transporte, os governos, a maioria dos políticos e a maioria dos partidos. Como se viu no chamado “escândalo do trensalão” no governo do estadual de São Paulo gerido a 20 anos pelo PSDB.

Qualidade total a custo zero para a classe trabalhadora e para a juventude só pode ser alcançada com um transporte 100% estatal gerido democraticamente. Porém, sabemos que nenhum governo de direita, e nenhum governo do PT, aliado com partidos de direita, fará isso espontaneamente, é preciso a organização e luta dos trabalhadores e da juventude, e a redução das tarifas do transporte em todo o Brasil após as jornadas de junho, mostraram que é possível vencer.

Para isso, a Esquerda Marxista impulsiona em todo o pais, a formação de Comitês de luta da campanha: Publico, Gratuito e para Todos! Transporte, Saúde e Educação! Abaixo a Repressão!

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