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Maritania, dirigente da Esquerda Marxista, renuncia da Direção do PT-SC

A camarada Maritania Camargo (foto), professora e dirigente da Esquerda Marxista, renunciou de seu cargo no Diretório Estadual do PT de Santa Catarina nesta sexta-feira (10/04).

A camarada Maritania Camargo (foto), professora e dirigente da Esquerda Marxista, renunciou de seu cargo no Diretório Estadual do PT de Santa Catarina nesta sexta-feira (10/04).

Na carta de renúncia, Maritania explica que a decisão foi motivada pelas medidas aplicadas pelo governo Dilma e defendidas pela direção do PT, contra os interesses da classe trabalhadora. Tais ações são fruto da política de colaboração de classes com a burguesia que desvirtua há tempos os princípios que fundaram o PT. A carta explica que “Esta política desorganiza nossa classe e fortalece os inimigos, incluindo os ditos “aliados”, como tem ficado evidente na votação do Projeto de Lei (PL) 4330, conhecido como o PL da terceirização, que conta com o apoio do grande “aliado” PMDB.”

A carta conclui que “Não, não é mais possível participar das instâncias de direção do partido que se dobram a tudo isso. Que dão apoio à essa política tão prejudicial à luta da classe trabalhadora.”

Em Santa Catarina, os militantes da Esquerda Marxista já haviam renunciado aos seus cargos na Direção Municipal do PT de Joinville, incluindo a presidência do Diretório, por conta das manobras burocráticas dos representantes da direção majoritária do partido, que sabotavam o funcionamento democrático do diretório para fazer prevalecer sua política colaboracionista (ver aqui a matéria sobre este caso: Diante de sabotagem da CNB e de OT, Esquerda Marxista renuncia à presidência e direção do PT de Joinville)

Os militantes da Esquerda Marxistas de Santa Catarina, que dirigiram a ocupação das fábricas Cipla e Interfibra, construindo o Movimento das Fábricas Ocupadas, e que sofreram uma intervenção federal em pleno governo Lula, que conquistaram importantes posições no movimento estudantil, sindical e popular no estado e que há anos mantém o mandato de vereador do camarada Adilson Mariano, em Joinville, como um ponto de apoio para a luta em defesa da classe trabalhadora e da juventude, estes camaradas seguirão o combate pela emancipação dos oprimidos pelo capitalismo, fiéis à luta de classes e pela construção do socialismo. Junte-se a nós nesse combate!

Abaixo, a íntegra da carta de Maritania Camargo:

Joinville, 10 de abril de 2015

Companheiros,

Desde a entrada do PT no governo federal, em 2003, o que vimos foi a aplicação de uma política reformista, contrária a tudo aquilo que simbolizou o nascimento do partido na década de 80.

Após as últimas eleições a ida à direita do governo encabeçado pelo PT se aprofundou e isso representa um choque com todos aqueles que continuam fiéis à luta de classes. A nomeação dos ministérios já deu a linha, Joaquim Levy, Katia Abreu, Armando Monteiro, Kassab, entre outras pérolas. Um governo composto na medida para atender os interesses dos grandes, portanto um governo de ataques aos trabalhadores.  

Isso vimos no corte do orçamento, em especial das verbas para educação, saúde, etc. Um ataque aos serviços públicos. Além do pacote de maldades contido nas Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que alteram as regras de direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores.

Esta política desorganiza nossa classe e fortalece os inimigos, incluindo os ditos aliados, como tem ficado evidente na votação do Projeto de Lei (PL) 4330, conhecido como o PL da terceirização, que conta com o apoio do grande “aliado” PMDB.

Em todos os lugares onde o PT passa tem deixado um lastro que não condiz com o que o Partido deveria praticar. Assim foi no município em que resido, Joinville, onde o governo de coalizão com a burguesia do então prefeito Carlito Merss causou vergonha a qualquer militante sério, pois deu continuidade à política dos outros governos, atacando os servidores públicos nas suas luta, mantendo a submissão às grandes empresas do transporte, com aumentos abusivos das tarifas dos ônibus, etc.

Não, não é mais possível participar das instâncias de direção do partido que se dobram a tudo isso. Que dão apoio à essa política tão prejudicial à luta da classe trabalhadora.

Diante disso, renuncio ao meu cargo no Diretório Estadual do PT de Santa Catarina. Seguirei o combate junto aos jovens e trabalhadores que se mantém fiéis à luta de classes, à luta pelo socialismo.

Maritania Camargo

Membro do Diretório Estadual do PT de SC. 

 

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