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Mantendo a internacional viva: uma história da Quarta Internacional

Mural "Homem Controlador do Universo", pintado por Diego Rivera em 1934, no Palácio de Belas Artes do México
Nota da redação: Estamos publicando aqui um artigo por ocasião do aniversário de 80 anos de fundação da Quarta Internacional, que em 3 de setembro de 1938 surgia. Este artigo de um camarada da Corrente Marxista Internacional (CMI) resume brevemente essa história. Foi originalmente escrito para um público indonésio, mas acreditamos que é de valor para todos os nossos leitores. Ele pontua as condições nas quais a Quarta Internacional surgiu e sua falência posterior, mas também aponta para o futuro, quando uma nova e poderosa organização internacional marxista deve ser formada pelos eventos revolucionários que se aproximam. Confira também a seleção especial que fizemos sobre o tema.

A luta para acabar com o capitalismo e plantar as sementes do socialismo tem sido sempre uma tarefa internacional. Não foi por sentimentalismo que Marx e Engels proclamaram “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”. O capitalismo é um sistema econômico internacional, portanto a luta contra ele precisa ser internacional. Embora para todos os efeitos práticos os trabalhadores precisem organizar-se localmente enquanto classe de seu próprio país para a arena imediata da luta, em última instância a luta de classes é internacional.

A história da Quarta Internacional foi a de uma luta para manter a genuína essência internacional da luta da classe trabalhadora viva enquanto Stalin e sua camarilha burocrática a estavam subvertendo. Enquanto Stalin estava preparando-se para desmantelar a Terceira Internacional e renunciar à luta por um mundo socialista, Leon Trotsky estava construindo, sob condições muito difíceis, a Quarta Internacional não apenas para defender a primeira revolução proletária, a Revolução de Outubro, mas também para espalhá-la para além de suas fronteiras.

A construção da Quarta Internacional foi também parte do esforço de Trotsky para recrutar e educar uma nova geração de bolcheviques genuínos que seriam capazes de finalizar o que o que os bolcheviques russos tinham começado. O que é importante não é o aparato, mas as ideias que a Quarta Internacional buscou proteger e passar para a geração seguinte.

Da Primeira à Terceira

Marx e Engels, os pais do socialismo científico, fundaram a Primeira Internacional em 1864, reconhecendo a necessidade de uma organização internacional da classe trabalhadora. Seguindo-se à derrota da Comuna de Paris em 1871, que abriu um período de reação, o movimento da classe trabalhadora como um todo sofreu um grande revés e a Primeira Internacional não ficou imune a isso. Desmoralização, confusão, conflitos e rachas infectaram a Primeira Internacional como uma praga.

Finalmente, em 1876, o Conselho-Geral sob Marx e Engels declarou o que já tinha se tornado um fato na prática: o fim da Primeira Internacional. No entanto, isso não significou que Marx e Engels estavam desistindo sobre a necessidade de uma organização internacional. Foi apenas a situação objetiva difícil que forçou a Primeira Internacional a sair de cena, mas apenas organizativamente. A Primeira Internacional sobreviveu como uma ideia e programa, e em 1889 reemergiu sob um patamar mais elevado como a Segunda Internacional.

A Segunda Internacional nasceu em um período em que a classe trabalhadora estava forte e mais numerosa do que na época de Marx. Engels, que atuou como um conselheiro ideológico importante da Segunda Internacional, expressou seu pesar pelo falecido Marx não estar ao seu lado para testemunhar o inspirador crescimento do movimento operário internacional. Foi nesse período que grandes marxistas de todo o mundo surgiram: Plekhanov, Karl Kautsky, Karl Liebknecht, Rosa Luxemburgo, Vladimir Ilyich Lenin, Leon Trotsky, James Connolly e muitos outros. Esse fenômeno basicamente correspondia à cristalização do proletariado à medida que o capitalismo se tornava mais maduro.

No entanto, a Segunda Internacional também nasceu durante o período de crescimento capitalista. Correntes reformistas estavam abrindo caminho dentro da Segunda Internacional por trás da retórica marxista. Sob os ventos da Primeira Guerra Mundial, a Segunda Internacional quebrou e foi reduzida a pó quando muitos de seus líderes reformistas manifestaram seu apoio à guerra imperialista. Em 1914, Lenin e outros marxistas revolucionários como Trotsky, Luxemburgo e Connolly declararam a falência da Segunda Internacional. No entanto, foi necessária uma revolução, a Revolução Russa, para o nascimento da internacional seguinte: a Internacional Comunista.

A Terceira Internacional estava em um nível muito mais alto do que as duas anteriores. Nasceu da primeira revolução proletária vitoriosa. Nasceu quando o capitalismo estava entrando em um período de crise e em que os trabalhadores ao redor do mundo estavam na ofensiva e um mundo socialista estava na ordem do dia. Lenin e os bolcheviques formaram a Terceira Internacional como um partido internacional da classe trabalhadora com uma missão histórica: a revolução socialista mundial. A necessidade de uma revolução internacional, especialmente nos países capitalistas avançados, era tão central para Lenin que ele disse em 1918:

“Considerando-se de um ponto de vista histórico-mundial, não resta dúvida de que não há esperança de vitória final da nossa revolução se ela permanecer sozinha, se não ocorrerem movimentos revolucionários em outros países… Eu repito, a salvação de todas essas dificuldades está em uma revolução europeia geral… De todos os eventos, sob todas as circunstâncias possíveis, se a revolução alemã não vier, estamos condenados.”[i]

O isolamento da União Soviética devido à derrota de muitas revoluções na Europa trouxe à tona a ascensão da burocracia e a degeneração da Revolução de Outubro. Stalin, a expressão da burocracia soviética, subiu ao poder e terminou por dissolver a Internacional Comunista em 1943 – sem nenhum congresso – como um gesto amável aos Aliados, para provar que seu regime soviético não era mais uma ameaça para o comando capitalista do mundo e que ele buscava uma coexistência pacífica com o capitalismo mundial. Em um sentido negativo, a profecia de Lenin foi cumprida: a Revolução Alemã não foi bem-sucedida e a Revolução de Outubro foi condenada como um resultado disso.

A Origem

A Quarta Internacional teve suas raízes na Oposição de Esquerda, fração que Trotsky formou em 1923 para combater a ascensão da burocracia na União Soviética. O atraso da revolução mundial provocou uma reação política nas terras de Outubro. Depois de sofrer com duas guerras – a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e a Guerra Civil (1919-1921) – que resultaram em uma severa crise econômica e testemunhar uma série de derrotas nas revoluções europeias, o proletariado russo ficou exausto, física e mentalmente. As reuniões dos sovietes esvaziaram conforme os trabalhadores tornaram-se mais preocupados com a luta diária para colocar comida sobre a mesa. Foi nessa situação – de ausência da participação dos trabalhadores na política – que se fortaleceu o elemento burocrático que está sempre presente em qualquer movimento.

A União Soviética estava em um recuo temporário. Ela tinha tentado resolver seus problemas econômicos por conta própria enquanto esperava – e preparava-se ativamente – para outra onda da revolução mundial que viria em seu resgate. Essa era a linha política geral da Oposição de Esquerda. A burocracia, porém, logo após a morte de Lenin, apareceu com a teoria do socialismo em um só país: nós podemos construir o socialismo aqui e agora na Rússia. Eles estavam abandonando gradualmente a ideia da revolução mundial como salvadora da Revolução de Outubro. Enquanto sempre terminava seus discursos e escritos com “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, a burocracia stalinista na verdade não acreditava mais na revolução mundial. Todas as suas medidas estavam voltadas para uma coexistência pacífica com as potências capitalistas mundiais.

A dissolução da Comintern em 1943 – apesar de efetivamente ela já estar extinta há anos como uma força para o socialismo mundial – foi um de muitos exemplos gritantes da conclusão lógica da teoria do “socialismo em um só país”. As massas exaustas – especialmente os camponeses e os pequeno-burgueses – que tinham atravessado as guerras e testemunhado as muitas derrotas das revoluções internacionais, naturalmente migraram para essa ideologia que se apresentava para elas como a que menos envolveria esforço. O que a burocracia estava dizendo basicamente era: “Vamos apenas construir o socialismo agora na Rússia. Por que se preocupar com a revolução mundial?”. As massas russas adotaram – apesar de passivas e relutantes – essa ideologia porque elas estavam exaustas, enquanto a burocracia as adotou – com muito gosto – porque ela protegia seus privilégios da incerteza de empreender a revolução mundial.

Leon Trotsky, com a fração Oposição de Esquerda dentro do Partido Comunista da União Soviética, organizou uma luta contra a burocracia com ideias políticas. Fiel à tradição bolchevique durante Lenin, a Oposição de Esquerda nunca usou intrigas pessoais e pequenas manobras – a arma dos reformistas e pequeno-burgueses – nas lutas ideológicas e polêmicas. Por meio de polêmicas políticas, os bolcheviques genuínos sempre buscaram educar o partido e, dessa maneira, as polêmicas tinham que ser disputadas com ideias políticas claras. Entretanto, a burocracia não estava interessada em enfrentar a Oposição de Esquerda com ideias, no campo em que era fraca. Kamenev, depois de romper com Stalin, avisou Trotsky: “Você acha que Stalin está pensando agora como responder aos seus argumentos? Você está enganado. Ele está pensando em como destruir você”[ii]. Essa é a mentalidade de toda a burocracia que pode ser encontrada nos partidos socialdemocratas, partidos trabalhistas, sindicatos e mesmo em um Estado operário. Essa última tem à sua disposição um Estado, portanto é capaz de recorrer à repressão física.

Até agora, nós temos falado sobre a luta entre o personagem Trotsky e o personagem Stalin. No entanto, seria errado ver esse episódio histórico como uma luta entre dois indivíduos. Nós temos que entender que tanto Stalin quanto Trotsky eram meramente a expressão de interesses sociais. Stalin era a expressão dos interesses de milhões de funcionários. Esses funcionários, a maioria deles não sendo bolcheviques do período inicial, vieram de várias origens: antigos empregados do governo da época do Czar, antigos mencheviques etc. A falta de pessoas educadas na Rússia colocou essa gente no governo para executar funções administrativas. No período inicial da Revolução de Outubro, seu poder era limitado pelo poder da ditadura do proletariado. Eles apenas agiam como administradores sob controle dos trabalhadores. Porém, conforme o proletariado recuou, esses burocratas ganharam confiança, e eles encontraram em Stalin seu líder natural com as qualidades que eles precisavam: um “velho bolchevique” para assegurar algum tipo de autoridade moral, um caráter forte, um organizador partidário sagaz, mas não um teórico. Ainda assim, pode-se dizer que se Stalin não tivesse existido, ou se ele se recusasse a agir no interesse da burocracia por qualquer razão, seria outra pessoa que a burocracia teria encontrado.

Leon Trotsky, por outro lado, representava os interesses objetivos do proletariado. Como presidente do primeiro soviete em 1905, dirigente da Revolução de Outubro ao lado de Lenin e criador do primeiro Exército Vermelho – um exército proletário cuja tarefa não era apenas defender o Estado operário, mas também empreender a revolução mundial –, o destino de Trotsky estava intimamente atado ao da classe trabalhadora. Em certo sentido, isso também foi uma maldição que ele teve que carregar. Apesar de seu grande intelecto e da correção de suas muitas perspectivas, a derrota da revolução mundial e o resultante isolamento da classe trabalhadora russa significou que Stalin – um homem de um intelecto inferior – saísse como vencedor sobre ele. A incapacidade de entender as forças sociais envolvidas na luta entre Trotsky e Stalin levou muitas pessoas a questões ingênuas e conclusões ainda mais ingênuas: “Como e por que você perdeu o poder?”, “Por que você não tomou o poder por meio de um golpe militar?” e assim por diante.

Historiadores têm lamentado que Trotsky não era um político sagaz. Dada sua posição como líder supremo de fato do Exército Vermelho, certamente ele poderia ter tirado o poder das mãos de Stalin com facilidade e impedido a ascensão do stalinismo e a monstruosidade que se seguiu. O historiador dito “marxista” E.H. Carr alega que Trotsky “falhou ao final em entender que a questão da luta estava determinada não pela validade dos argumentos, mas pelo controle e manipulação das alavancas de poder”[iii]. A tal ponto de vista, Trotsky respondeu:

“A questão – ela é muito recorrente (e muito ingênua) – ‘Porque Trotsky não usou na época o aparato militar contra Stalin?’… Não há dúvida de que teria sido possível levar adiante um golpe militar de Estado contra a fração de Zinoviev, Kamenev, Stalin etc., sem nenhuma dificuldade e sem mesmo o derramamento de sangue; mas o resultado de tal golpe de Estado teria acelerado o ritmo da grande burocratização e bonapartismo contra os quais a Oposição de Esquerda tinha iniciado sua luta. A tarefa dos bolcheviques-leninistas era, por sua essência, não confiar na burocracia militar contra a do partido, mas confiar na vanguarda proletária e por meio dela nas massas populares, e dominar a burocracia em sua totalidade, expurgar seus elementos estranhos, garantir o controle vigilante dos trabalhadores sobre ela, e colocar sua política de volta nos trilhos do internacionalismo revolucionário.”[iv]

Como fundador do primeiro Exército Vermelho do mundo, que defendeu a jovem União Soviética do assalto de 21 exércitos imperialistas e do Exército Branco, não há dúvida de que Trotsky era um comandante brilhante capaz de executar complexas estratégias militares. As pessoas frequentemente esquecem esse simples fato. É precisamente porque ele era um estrategista brilhante que ele entendeu muito bem que ninguém pode tomar um atalho se o objetivo final é o socialismo genuíno. Qualquer outra pessoa com patente semelhante no Exército Vermelho teria recorrido a um golpe militar ou a uma manobra, com uma visão mecânica de que, tão logo Stalin fosse removido por quaisquer meios, então tudo estaria bem. No entanto, Trotsky explicou que “o poder não é um prêmio que o mais ‘habilidoso’ ganha. O poder é uma relação entre indivíduos, em última análise entre classes.”[v]

A Oposição de Esquerda Internacional

Derrota após derrota sofreu a Oposição de Esquerda na Rússia, mas Trotsky nunca perdeu a esperança. Até sua eventual expulsão e exílio em 1927, ele continuava tentando ganhar os corações de uns e outros. Victor Serge, seu compatriota durante aquela época, descreveu sua tenacidade:

“Eu nunca o tinha conhecido muito, e eu nunca o tinha acompanhado tão de perto como o fiz naqueles cortiços bolorentos de Leningrado e Moscou; em várias ocasiões, eu o ouvi falar por horas para conquistar um punhado de trabalhadores fabris, e isso foi depois de ele ter se tornado um dos dois líderes incontestáveis da revolução vitoriosa. Ele ainda era um membro do Politburo, mas ele sabia que estava perto de ser derrubado do poder e também, muito provavelmente, de perder sua vida. Ele pensava que havia chegado a hora de ganhar corações e consciências uma por uma – como tinha sido feito antes, durante o governo czarista. Os rostos de trinta ou quarenta pessoas pobres estavam virados em sua direção, ouvindo, e eu lembro de uma mulher sentada no assoalho perguntando a ele questões e pensando sobre suas respostas. Isso foi em 1927. Sabíamos que tínhamos uma chance muito maior de perder do que de ganhar. Mas, ainda assim, nossa luta valeu a pena: se nós não tivéssemos lutado e o feito com bravura, a derrota da revolução teria sido cem vezes mais desastrosa.”[vi]

Enquanto Trotsky estava enfrentando a burocracia na Rússia, núcleos da Oposição de Esquerda estavam nascendo fora das terras de Outubro. Não podia ser de forma diferente, pois o pilar ideológico da Oposição de Esquerda era o internacionalismo. Eles sofreram o mesmo destino que a Oposição de Esquerda russa: repressão, perseguição e expulsão do partido. Esses diferentes grupos nacionais da Oposição de Esquerda se encontraram formalmente pela primeira vez em abril de 1930. Representantes da França, EUA, Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália, Tchecoslováquia e Hungria se encontraram em Paris e formaram a Oposição de Esquerda Internacional (OEI) como fração da Internacional Comunista. Trotsky estava ausente, uma vez que ele continuava confinado na Turquia. Um secretariado internacional provisório foi formado e uma nova publicação, o “Boletim Internacional”, foi lançado.

Exilado na Turquia, com visto negado para todos os países, Trotsky finalmente obteve uma oportunidade para deixar a Turquia, pela primeira vez em cerca de quatro anos, quando foi convidado por estudantes socialdemocratas dinamarqueses em Copenhague para ministrar uma palestra sobre a Revolução Russa em novembro de 1932[vii]. Cerca de duas dúzias de partidários da Oposição de Esquerda na Europa aproveitaram a oportunidade para dirigir-se à Dinamarca, em parte para prover segurança a Trotsky, em parte para encontrar o “Velho” para uma discussão direta com ele sobre os problemas diante da OEI, assim como para prepararem-se para uma pré-conferência internacional em novembro de 1932. Da conversa que ele teve com eles, escreveu um relatório para todas as seções intitulado “Do estado da Oposição de Esquerda” (16 de dezembro de 1932)[viii], seguido pelo documento programático “A Oposição de Esquerda Internacional, suas tarefas e métodos”[ix], os quais foram depois votados na Pré-Conferência Internacional de fevereiro de 1933[x].

Nesse documento programático, Trotsky reitera novamente a questão da defesa da União Soviética como o princípio central da Oposição de Esquerda:

“Defesa incondicional da União Soviética contra o mundo imperialista é tanto uma tarefa elementar de todo trabalhador revolucionário que a Oposição de Esquerda não tolera nenhuma vacilação ou dúvida sobre essa questão em suas fileiras. Assim como antes, romperá impiedosamente com todos os grupos e elementos que tentam ocupar uma posição ‘neutra’ entre a União Soviética e o mundo capitalista.”[xi] 

Baseando-se sobre esse princípio fundamental, ele rompeu relações tanto com grupos quanto com indivíduos, e a maioria deles, como Trotsky tinha previsto, capitularam para a burguesia e não poucos viraram suas costas para o comunismo completamente. Por isso a acusação feita pelos stalinistas de que Trotsky e sua Oposição de Esquerda eram os agentes pagos do imperialismo e do fascismo empenhados em destruir a União Soviética era completamente falsa. Muitos militantes de base honestos dos partidos comunistas nunca tiveram permissão para ler um único documento da Oposição de Esquerda, e foram alimentados com essa mentira por seus líderes.

Uma compreensão comum da ideologia e das tarefas era primordial para Trotsky, pois ele estava preparando um instrumento de combate revolucionário, seguindo a tradição do bolchevismo. Na discussão sobre a seção italiana, entre Trotsky e o grupo bordiguista, com o qual vinham trabalhando há três anos sem nenhum resultado e perspectiva de unidade real, ele tinha isso a dizer:

“Sob certas circunstâncias, uma ruptura aberta e honesta, isto é, quando levada à frente sob bases principistas, prova ser necessária não apenas para libertar as mãos de ambos os lados, mas também para preparar a possibilidade para uma real, e não fictícia, unificação no futuro… Apesar do contato constante entre as duas frações [a Nova Oposição Italiana e os bordiguistas] não há nenhum tido de combinação de ideias, isto é, nenhuma interpenetração e influência recíproca, então resta apenas a conclusão de que nós temos diante de nós dois grupos diferentes e nitidamente distintos. No trabalho comum eles podem apenas paralisar um ao outro… Onde a crítica das ideias não ajuda, o teste dos eventos é necessário. Ao invés de obstruir um ao outro, paralisar um ao outro, e complicar as diferenças profundas de opinião com o atrito diário e a luta organizativa, é incomparavelmente melhor separar-se em tempo, pacificamente e sem inimizade, e então deixar o exame das duas linhas para o curso futuro da luta revolucionária.”[xii]

Trotsky não estava preocupado em construir uma organização que fosse grande em número, mas sem uma coesão de ideias. Não há atalho para construir uma organização. Os quadros de uma organização revolucionária têm que compartilhar uma compreensão comum de ideias e tarefas.

Qual era a relação entre a Oposição de Esquerda Internacional e a Comintern? Trotsky foi categórico ao enfatizar que:

“A Oposição de Esquerda Internacional considera-se como uma fração da Comintern e de suas diferentes seções nacionais como frações dos partidos comunistas nacionais. Isso significa que a Oposição de Esquerda não obedece ao regime organizativo criado pela burocracia stalinista no último período. Pelo contrário, sua meta é arrancar a bandeira do bolchevismo das mãos da burocracia usurpadora e retomar a Internacional Comunista para os princípios de Marx e Lenin. […] Baseando-se na fundação da Revolução de Outubro e da Terceira Internacional, a Oposição de Esquerda rejeita a ideia de partidos comunistas paralelos. A responsabilidade integral pelas rupturas do comunismo recai sobre a burocracia stalinista.”[xiii]

Mas o que significa ser uma fração, especialmente uma fração não reconhecida fora do partido? Essa situação peculiar foi verdadeiramente única, e somente poderia nascer da perspectiva marxista da necessidade de trabalhar nas organizações de massa dos trabalhadores, não importando o quão corruptos os líderes possam ser. Trotsky lembrou seus camaradas novamente sobre o que realmente significava ser uma fração da Internacional Comunista:

“Na seção britânica, a questão em discussão é se devemos nos limitar ao trabalho interno junto ao Partido Comunista ou criar vínculos independentes com trabalhadores fora do partido. Essa questão, que surgiu diversas vezes em todas as seções, não é um princípio. A tentativa de derivar a dimensão e caráter de nossa atividade do conceito de ‘fração’ seria puramente doutrinário. […]”
“A inclinação de certos camaradas (como na França) de interpretar o papel da fração no sentido de que a Oposição não pode dar um passo fora dos limites do partido é completamente falsa. Nossa relação atual com a Comintern encontra sua expressão não na abstenção da ação independente, mas no contexto e na direção de tal ação. Seria ridículo se comportar como se nós pertencêssemos, de fato, às organizações oficiais da Comintern. Devemos executar políticas que abrirão os portões da Comintern para nós. Para isso, devemos nos tornar
fortes, o que não pode ser alcançado se nós amarrarmos nossas mãos contra a burocracia stalinista por meio de uma disciplina artificial e falsa. Nós temos a obrigação de ir aos trabalhadores onde eles estão, nós temos a necessidade de ir à juventude, ensinar a eles o ABC do comunismo, construir células em fábricas e sindicatos. Mas esse trabalho precisa ser levado em frente de tal forma que os comunistas comuns possam ver que para nós essa é uma questão não de construir um novo partido, mas de recuperar a Internacional Comunista.”[xiv]

Este é o método bolchevique que Trotsky estava tentando ensinar aos seus seguidores: flexibilidade nas táticas, mas firmeza nos princípios. A OEI, mesmo expulsa da Internacional Comunista, continuava considerando a si mesma como uma fração da Internacional Comunista, e procurou devolver essa organização para o caminho do bolchevismo. Como veremos, o curso dos eventos logo após ele escrever as frases acima o forçaram a proclamar a morte da Internacional Comunista e a necessidade de uma nova internacional.

No mesmo documento, Trotsky descreveu como os camaradas belgas tinham chamado corretamente os trabalhadores a depositar seus votos nos candidatos oficiais do Partido Comunista Belga, apesar de os próprios camaradas belgas terem sido expulsos desse partido pelos stalinistas. No entanto, Trotsky nunca descartou outras táticas:

“Sob certas circunstâncias, a Oposição de Esquerda pode e deve apresentar candidatos próprios. Mas isso não deve vir como resultado de uma falsa busca por ‘independência’, mas da real relação de forças e precisa ser consequentemente esclarecido no curso do trabalho agitativo; não é uma questão de roubar postos eletivos do partido oficial [os partidos comunistas da Terceira Internacional], mas de levantar a bandeira do comunismo onde o partido não está em condições de fazê-lo.”[xv]

Outra tradição bolchevique que Trotsky tentou incutir nessa jovem organização foi a questão da imprensa. Ele repreendeu a seção alemã que tinha trazido precipitadamente suas polêmicas internas para as páginas de sua imprensa, o Die Permanente Revolution:

“Naturalmente, na presença de sérias e prolongadas diferenças de opinião, uma discussão aberta é inevitável e indispensável. Ainda que enfraqueça a organização temporariamente, isso é imensamente mais frutífero do que uma luta organizativa atrás das cortinas ou ‘alusões’ semiocultas na imprensa, o que não traz resultados para ninguém e apenas envenena a atmosfera. Mas nós devemos continuar considerando como completamente inadmissível entrar no caminho da discussão pública sem necessidade política real. Die Permanente Revolution é uma publicação direcionada acima de tudo para influenciar os círculos de fora da organização. A discussão pode e deve ser aberta em uma publicação destinada exclusivamente para distribuição interna (um boletim, um jornal de discussão etc.). Os interesses da democracia interna não serão prejudicados por isso; ao mesmo tempo, armas desnecessárias não são colocadas nas mãos de oponentes e inimigos.”[xvi]

O jornal de uma organização bolchevique não é lugar para debates internos. Ele é construído para agitação e propaganda, para apresentar às massas ideias claras e linhas políticas que foram acordadas por meio dos canais democráticos do partido. Diferente das publicações pequeno-burguesas que gostam de colocar uma salada de ideias em suas publicações, um jornal bolchevique sai com ideias marxistas coerentes. Um partido bolchevique não é um reflexo ou um modelo da sociedade socialista que nós aspiramos construir. Um partido bolchevique é uma ferramenta com a qual construir o socialismo, assim como um martelo é uma ferramenta para construir uma mesa. Pergunte a qualquer trabalhador e ele vai responder que um martelo não é um modelo para uma mesa. A mesma coisa se aplica para uma publicação do partido. Embora os bolcheviques lutem pela liberdade genuína da imprensa na sociedade, e o jornal é um instrumento para alcançar esse objetivo, isso não significa que o jornal partidário é um lugar onde qualquer um pode reivindicar que suas ideias sejam publicadas. Como uma regra geral, as discussões internas do partido devem ser realizadas por meio de publicações e documentos internos.

Companheiros de viagem na Oposição de Esquerda

Trotsky nunca amenizou a miríade de problemas que a OEI estava enfrentando. Diferente da seção russa da OEI, a OEI fora da Rússia era composta de muitos “indivíduos e pequenos grupelhos, predominantemente de caráter intelectual e semi-intelectual, sem visões políticas claras e sem raízes na classe trabalhadora. Sem costume de trabalho sério ou de responsabilidade, sem vínculos com nada e ninguém, nômades políticos sem bagagem, que carregam apenas fórmulas baratas, frases críticas inteligentes, e a prática da intriga de cidade em cidade e de país em país”[xvii].

Após vitória gloriosa da Revolução de Outubro, elementos pequeno-burgueses afluíram para baixo da bandeira do comunismo. Uma parte desses elementos multicoloridos entrou para o aparato stalinista e se tornaram burocratas convictos dentro dos partidos comunistas. Como Trotsky disse muitas vezes, a burocracia stalinista é a manifestação da reação pequeno-burguesa de dentro da Revolução de Outubro. A outra parte, aquela insatisfeita, ou abandonou a política ou encontrou refúgio, ainda que temporariamente, sob a bandeira da Oposição de Esquerda.

Dessa forma, Trotsky declarou:

“A Oposição de Esquerda pode crescer e fortalecer-se apenas por meio da limpeza de suas fileiras dos elementos acidentais e estranhos […] dos elementos estranhos, sectários, e boêmios aventureiros, sem uma posição de princípios, sem devoção séria à causa, sem conexão com as massas, sem um senso de responsabilidade e disciplina, e por isso, de todos os mais inclinados a ouvir a voz do carreirismo.”[xviii]

Trotsky gastou anos limpando a OEI de tais elementos, por meio de uma exigência incessante de que os quadros da Oposição de Esquerda deveriam prestar uma atenção extrema à teoria marxista. Não é uma coincidência que muitos achassem Trotsky uma pessoa muito exigente e difícil de trabalhar.

Na estrada que Lenin e Trotsky tomaram para construir o partido revolucionário, uma certa quantidade de companheiros de viagem, intelectuais e semi-intelectuais, artistas e acadêmicos, tomaram o caminho para o Partido Bolchevique, e alguns deles permaneceram firmes diante do assalto ideológico. Com o capitalismo enfrentando uma crise na década de 1930 e o stalinismo aumentando seu descrédito, muitos intelectuais, escritores e artistas encontraram seu caminho até Trotsky, como o famoso surrealista francês Andre Breton, o pintor famoso Diego Rivera e sua esposa Frida Khalo, Marx Eastman, Edmund Wilson, Sidney Hook, James T. Farrel e muitos outros.

Aqui estava um homem que lutava contra o capitalismo com igual tenacidade com que enfrentava o stalinismo. Para intelectuais, cuja consciência havia sido forjada pela brutalidade do capitalismo, mas era igualmente perturbada ao ver a situação do marxismo na Rússia sob Stalin, Trotsky foi um refúgio – ainda que temporário, como veremos. Em um curto período de tempo, esses intelectuais mesquinhos descobriram que Trotsky era o mais rígido dos revolucionários rígidos. Apesar de seu isolamento, Trotsky não procurava companheiros por causa disso. Ele tinha se colocado contra todos os poderes no mundo: fascismo, democracia burguesa e stalinismo, contra o imperialismo e o pacifismo, que ele apropriadamente denunciou como “o servo do imperialismo”[xix], contra a religião, o misticismo e mesmo o secularismo burguês. Ele exigia de todos os seguidores que fossem como ele, os mais duros dos revolucionários, que igualassem a geração dos velhos bolcheviques russos, disciplinados e principistas em ideias e ações. Naturalmente, esses intelectuais recusaram-se, primeiro timidamente e depois ferozmente, e muitos deles depois tornaram-se ativos propagandistas contra o trotskismo e o comunismo.

Os intelectuais sentiram que aderindo ao movimento de Trotsky eles poderiam ser parte da grandiosa história da revolução da classe trabalhadora. Porém, isso imediatamente entrou em conflito com seu estilo de vida, uma vez que a proposta de Trotsky não era um mero exercício acadêmico, mas um chamado revolucionário para destruir o velho e construir o novo. Com 40 anos de experiência no movimento comunista, Trotsky não achou o episódio novo ou original. Muitas pessoas tinham deixado as fileiras do bolchevismo desde o início e se unido ao outro lado. Todo período de recuo, derrota e reação sempre leva uma enxurrada de desertores, e quanto mais reacionário um período é, mais tentadora será a visão de tal recuo e deserção.

A vitória de Hitler e o fim da Internacional Comunista

Foi em Paris, de 4 a 8 de fevereiro de 1933, que representantes de 11 seções europeias e americanas se reuniram para a primeira reunião formal da Oposição de Esquerda Internacional. A reunião foi chamada de pré-conferência porque era uma preparação para uma conferência completa que estava planejada para julho de 1933 com mais delegações de todas as seções da Oposição de Esquerda Internacional – algo que nunca ocorreu.

O propósito dessa pré-conferência foi organizativo, com um número limitado de resoluções. No entanto, um documento programático importante, “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, escrito por Trotsky alguns meses antes, foi discutido e votado nessa conferência.

Apesar de enfrentar dificuldades inimagináveis, a OEI estava fazendo um progresso considerável ao redor do mundo. Seus documentos e artigos estavam sendo publicados em nada menos que 15 idiomas e ela tinha 32 jornais em 16 países. Ela tinha seções em nove países e tinha criado mais sete nos três anos precedentes.

A pré-conferência ocorreu uma semana após Hitler ser nomeado chanceler alemão (30 de janeiro de 1933). Naquele momento, o fascismo não tinha triunfado completamente porque Hitler não tinha destruído as organizações proletárias ainda. Lê-se no documento da pré-conferência:

“O estabelecimento do fascismo pode ser realizado apenas no dia em que ele tiver esmagado o proletariado, por meio de uma guerra civil vitoriosa ou por meio do abandono geral da batalha pelo proletariado, traído pela socialdemocracia ou entregue pelo oportunismo crescente da atual liderança centrista da Internacional Comunista diante do fascismo em luta.”[xx]

Infelizmente, o último cenário foi o que se tornou realidade. A classe trabalhadora alemã foi esmagada sem lutar diante da falsa política do Partido Comunista Alemão (KPD), que descrevia a socialdemocracia como “socialfascista”, o que de fato dividiu a classe trabalhadora alemã e deixou as portas abertas para os nazistas. Sob essa teoria do socialfascismo, os stalinistas argumentavam que a socialdemocracia era o inimigo-mor e que não havia diferença entre ela e o fascismo. De acordo com essa ideia, os socialdemocratas eram socialfascistas; na verdade, eles eram mais perigosos que os fascistas reais do tipo de Hitler. Todos os trabalhadores reformistas e socialdemocratas tinham além disso que ser atacados. Suas reuniões tinham que ser desbaratadas, mesmo que isso significasse trabalhar junto com os nazistas. Thaelmann, o então líder do Partido Comunista Alemão, chegou a cunhar os slogans: “Remova os socialfascistas de seus postos nas fábricas e nos sindicatos!” e “Mande-os para fora das fábricas, locais de trabalho e escolas profissionalizantes!”.

Porém, nem tudo estava perdido ainda. A pré-conferência divulgou um apelo[xxi] à classe trabalhadora alemã afirmando que o fascismo não tinha triunfado ainda, mas apenas poderia ser derrotado por uma frente única de todas as organizações da classe trabalhadora: o Partido Comunista Alemão, o Partido Socialdemocrata (SPD), as organizações sindicais, os conselhos de fábrica etc.

Os líderes tanto do SPD quanto do KPD ignoraram o chamado, mas a responsabilidade essencial pela a derrota claramente recai sobre o Partido Comunista Alemão. O Partido Socialdemocrata Alemão já era há muito o agente da burguesia. Ele foi capaz de manter uma base na classe trabalhadora por meio de demagogia socialista, enquanto na prática colocava um freio no movimento da classe trabalhadora. Eles já tinham traído a classe trabalhadora em diferentes ocasiões, e sua rendição ao fascismo era inevitável e isso não foi uma surpresa para os revolucionários genuínos. No entanto, o Partido Comunista Alemão tinha sido formado historicamente para liderar os trabalhadores para fora do beco sem saída para o qual tinham sido levados pela socialdemocracia. Se a liderança do KPD tivesse aplicado a política leninista da frente única dos trabalhadores, isso poderia ter forçado a socialdemocracia a colocar-se em combate sob a pressão de sua base proletária. Isso poderia ter deslocado os trabalhadores socialdemocratas honestos para longe de seus líderes, que eles veriam vacilar diante do perigo fascista. Infelizmente, o Partido Comunista Alemão continuou com sua política socialfascista, que basicamente apagava quaisquer diferenças entre o fascismo e a socialdemocracia, e assim Hitler foi capaz de chegar ao poder sem nenhuma oposição do Partido Comunista Alemão. Isso levou à decisão da Oposição de Esquerda Internacional de que sua seção alemã tinha que romper com o KPD e construir um partido revolucionário em oposição a ele. Essa oposição foi levada à frente por Trotsky em março de 1933 em uma série de escritos para o Secretariado Internacional da Oposição de Esquerda Internacional. Não há confusão em seus prognósticos. O primeiro parágrafo de sua carta para o Secretariado Internacional põe a nu a conclusão que tinha sacado da traição do stalinismo alemão:

“Ao Secretariado Internacional. Queridos camaradas: o stalinismo alemão está colapsando agora, menos pelos golpes dos fascistas do que pela sua podridão interna. Assim como um médico não deve deixar um paciente que ainda tenha um respiro de vida, nós tivemos como nossa tarefa a reforma do partido enquanto havia o mínimo de esperança. Mas seria criminoso nos atar a um cadáver. O KPD hoje representa um cadáver.”[xxii]

Depois de seu maior fracasso na Alemanha, a Comintern continuava provando-se incapaz de aprender com seu erro. Em 1 de abril de 1933, depois de Hitler efetivamente estabelecer sua ditadura e começar a suprimir os sindicatos e todos os partidos e organizações dos trabalhadores, incluindo o Partido Comunista, o Comitê Executivo da Internacional Comunista aprovou uma resolução afirmando que:

“…o estabelecimento de uma ditadura fascista aberta… acelera o ritmo do desenvolvimento da Alemanha em direção à revolução proletária, por meio da destruição de todas as ilusões democráticas das massas e pela sua libertação da influência da socialdemocracia.”

Tal era a cegueira da liderança da Comintern, incapaz de entender que o que estava sendo destruído não eram as ilusões na democracia burguesa, mas a própria classe trabalhadora. Isso finalmente convenceu Trotsky de que a Comintern não era mais recuperável, e que uma nova internacional tinha que ser construída. Ele apresentou essa posição em julho de 1933 (“É necessário construir partidos comunistas e uma internacional novamente”[xxiii]). Isso também levou a uma mudança de nome da organização. A Oposição de Esquerda Internacional era agora a Liga Comunista Internacional (LCI). Os cinco anos seguintes foram gastos recrutando quadros e os treinando para a eventual proclamação da Quarta Internacional.

O Congresso de Fundação da Quarta Internacional

No dia 3 de setembro de 1938, um encontro histórico ocorreu em uma pequena vila na França chamada Perigny. Reunidos na casa de Alfred Rosmer estavam 21 delegados de nove países para o Congresso de Fundação da Quarta Internacional. O congresso foi mantido em grande sigilo. Um comunicado foi emitido declarando que o encontro iria ocorrer em Lausanne, Suíça, em uma tentativa de enganar os agentes stalinistas. Isso ocorreu por causa da ameaça real da GPU, que tinha começado uma furiosa campanha de assassinatos contra trotskystas fora da União Soviética. Em 1938, Erwin Wolf, secretário de Trotsky, foi raptado e morto na Espanha. Ignace Reiss, um oficial da GPU de alto escalão, foi assassinado não muito depois que decidiu unir-se a Trotsky. Lev Sedov, filho de Trotsky e seu braço direito, foi morto pela GPU em fevereiro de 1938. Depois de Sedov, a GPU voltou sua atenção para Rudolph Klement, secretário do Birô da Quarta Internacional, que era responsável pela organização do Congresso de Fundação. Ele foi raptado em 12 de junho de 1938 e seu corpo decapitado foi encontrado no Rio Sena dias depois. A GPU estava claramente mirando a próxima safra de líderes da Quarta Internacional.

No entanto, todo o sigilo na organização do congresso foi em vão. Dois agentes da GPU estavam na verdade presentes no congresso: Etienne, que era também responsável pelo assassinato de Lev Sedov, e Jacques Monard, que dois anos depois cravou um picador de gelo no crânio de Trotsky. Naquela época Jacques Monard veio com Sylvia Agelof, uma trotskysta de Nova York, como seu namorado. Ele parecia não estar interessado em envolver-se e manteve-se fora da sala do congresso esperando por sua namorada. O destino algumas vezes gosta de pregar peças cruéis. Os dois agentes da GPU que se infiltraram no Congresso de Fundação da Quarta Internacional se tornariam assassinos tanto do pai quanto do filho!

Dos 21 delegados, dois da Polônia expressaram sua discordância com a proclamação da Quarta Internacional. Eles argumentaram que a situação objetiva – o recuo do movimento dos trabalhadores, o período de reações e derrotas – não era propício à proclamação de uma nova internacional. Mesmo concordando que a Segunda e a Terceira Internacional já estavam mortas, era muito cedo para formar uma nova. Uma votação foi realizada, com 19 a favor e 3 contra a proclamação. A seção polonesa, no entanto, demonstrou uma verdadeira atitude bolchevique. Eles aceitaram a decisão da maioria e comprometeram-se a levar à frente com todas as suas forças as decisões do Congresso.

Do sudeste asiático, o único país registrado com uma seção da Quarta Internacional era a Indochina (Vietnã). Ta Thu Thau, principal líder do grupo trotskysta no Vietnã, foi eleito in absentia [em ausência] como membro do Comitê Executivo representando a Indochina. Em setembro de 1945, Ta Thu Thau também foi assassinado pelos stalinistas vietnamitas aos 39 anos.

Trotsky em pessoa foi eleito como membro secreto do Comitê Executivo, representando a seção russa da Quarta Internacional. Pelas atas do Congresso, havia 5 mil membros espalhados em 18 países. A maior seção era nos Estados Unidos, com 2.500 membros, seguida pela Bélgica (800), França (600), Polônia (350), Inglaterra (170), Alemanha (200), Tchecoslováquia (150-200), Grécia (100), Chile (100), Cuba (100), África do Sul (100), Canadá (75), Austrália (50), Brasil (50), Holanda (50), Espanha (10-30) e México (15). Havia uma quantidade de outros países listados, mas não havia informação sobre quantos membros eles tinham[xxiv].

Por razões de segurança, esse congresso histórico foi concluído em um dia. Eles nem mesmo tiveram tempo de cantar a Internacional no final do congresso.

O Programa de Transição

Foi nesse Congresso de Fundação que o “Programa de Transição” foi discutido e votado, e tornou-se o documento mais importante para o movimento trotskysta. Ele começa com uma afirmação ousada:

“A situação política mundial como um todo está essencialmente caracterizada por uma crise histórica da liderança do proletariado.”

Não faltavam condições objetivas. O capitalismo estava em tamanha crise que teve que recorrer ao fascismo como seu salvador final. Em todos os lugares a situação revolucionária estava amadurecendo, ao ponto de começar a ficar um pouco podre. Com essa declaração, a Quarta Internacional estava chamando todo revolucionário consciente a preparar-se para construir uma liderança capaz de levar adiante a luta para sua conclusão final, para construir um partido bolchevique capaz de concluir o que Lenin e os bolcheviques russos haviam feito nas terras de Outubro.

Nesse documento, Trotsky formulou um sistema de reivindicações transitórias. Os socialdemocratas tinham destruído a ponte entre o programa mínimo (reformas) e o programa máximo (socialismo). De fato, eles nem sequer tinham vontade de atravessar aquela ponte. Eles estavam contentes com reformas sob o capitalismo – e contrarreformas durante a crise capitalista – e deixar o socialismo para um futuro distante desconhecido. Enquanto isso, os stalinistas estavam engajados em todo tipo de movimentos de ziguezague, do oportunismo à loucura ultraesquerdista. As reivindicações transitórias buscavam prover uma ponte aos trabalhadores para sua tarefa histórica. Elas partiam da consciência atual de amplas camadas da classe trabalhadora, levando a uma conclusão final: a conquista do poder pelo proletariado. É uma arte utilizar as demandas cotidianas como trampolim para uma consciência mais elevada, como um meio de mobilizar as massas e treiná-las na luta de classes. As reivindicações transitórias estão, portanto, em constante evolução. Elas não estão escritas em pedra. O que um dia é uma reivindicação, em um momento diferente pode manter as massas recuadas ou, inversamente, pode estar muito à frente das massas.

Trotskysmo na Indonésia

Tan Malaka, que foi frequentemente denunciado como trotskysta pelos stalinistas indonésios, nunca esteve em contato com Trotsky e a Quarta Internacional. Porém, deve ser dito que em muitas questões fundamentais Tan Malaka chegou às mesmas conclusões que Leon Trotsky. Foi esse fato que lhe valeu a fama de trotskysta.

Em muitos de seus escritos, ele jamais tomou partido decisivamente entre Stalin e Trotsky. O único escrito significante onde ele fala sobre o trotskismo foi nas “Teses”. Ali ele estava apenas tentando provar que de acordo com a definição stalinista de trotskismo, sua linha política não tinha nada em comum com o trotskismo.

“No livro oficial ‘História do Partido Comunista da União Soviética (Bolchevique)’, que foi aprovado pelo Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética (Bolchevique) em 1938, uma das mais importantes características do ‘trotskismo’ foi escrita nas páginas 288-289: ‘… houve os capituladores abertos, como Trotsky, Radek, Zinoviev, Sokolnikov, Kamenev, Shylapnikov, Bhukarin, Rykov, e outros que não acreditavam que o desenvolvimento socialista de nosso país fosse possível, acreditavam antes na ‘onipresença’ do capitalismo e, em seu esforço para fortalecer a posição do capitalismo no país soviético, exigiram concessões de longo alcance para o capital privado, tanto em casa quanto no exterior, e a entrega de um número de posições chave do poder soviético no campo econômico para capitalistas privados, esses últimos para atuar como concessionários ou como sócios do Estado em empresas mistas de ações conjuntas. Ambos os grupos eram estranhos ao marxismo e ao leninismo.’
Na página 262 desse livro: ‘Eles (Trotsky e outros) propuseram que nós deveríamos lançar-nos nas ternas misericórdias dos capitalistas estrangeiros, render-nos a eles na forma de concessão de setores da indústria de necessidade vital para o Estado soviético. Eles propuseram que nós pagássemos os débitos do governo czarista anulados pela Revolução de Outubro. O partido caracterizou essas propostas capituladoras como traidoras.’
Ficou claro que as duas coisas importantes que diferenciaram o stalinismo e o trotskismo,
de acordo com o livro que nós obtemos, foram sobre a atitude da União Soviética e do PCUS [Partido Comunista da União Soviética] em relação a: 1) o débito do governo czarista, 2) o capitalismo estrangeiro na Rússia. Essas duas coisas foram rejeitadas por Stalin, e foram admitidas por Trotsky.
Não está no ponto 6 e no ponto 7 do programa mínimo [do PARI, partido de Tan Malaka] a reivindicação da expropriação e rejeição do capitalismo estrangeiro [ativos holandeses na Indonésia]?
Sobre as dívidas indo-holandesas, de acordo com o PARI elas devem ser pagas pelos próprios holandeses. A República da Indonésia tem o direito e a obrigação de rejeitar pagar as dívidas indo-holandesas …
… Está claro que o PARI está de acordo com a ‘linha oficial’ do PCUS sob Joseph Stalin. Aqueles que acusam o PARI ou qualquer outro como ‘trotskysta’ deveriam analisar a verdade dessas alegações
de acordo com a nota acima.”[xxv] [ênfase nossa]

Estava claro nesse escrito que Tan Malaka nunca tinha lido um único trabalho de Trotsky ou da Oposição de Esquerda Internacional. Na verdade, parece que ele estava tentando argumentar que havia alguma inconsistência da parte dos stalinistas. A definição deles de trotskismo não se encaixava em sua acusação.

Além disso, fiel à sua atitude bolchevique, Tan Malaka nunca tomou partido até que ele pudesse estudar os dois lados, diferente de muitos membros do PKI stalinista que cegamente adotavam uma atitude antitrotskysta sem ler nada de Trotsky. As palavras do irmão de D. N. Aidit, Sobron, ilustram o quanto os membros do PKI eram ensinados a ser contra Trotsky sem realmente entendê-lo:

“Ele [Asahan, outro irmão de D. N. Aidit] terminou um texto de Trotsky sobre a biografia de Stalin. Esse livro de 900 páginas, de acordo com ele, era muito interessante. De minha parte nunca soube ou entendi porque no passado fomos ensinados a ser tão anti-Trotsky… Na verdade eu realmente não sabia e não entendia as ideias e a ideologia do trotskismo.”[xxvi]

Como um “velho bolchevique” na Indonésia, Tan Malaka sabia muito bem o papel de liderança que Trotsky desempenhou na Revolução de Outubro. Trotsky foi o dirigente da Revolução de Outubro ao lado de Lenin. Durante o primeiro período do Partido Comunista Indonésio, no início da década de 1920, os nomes Lenin e Trotsky eram sinônimos da Revolução de Outubro. No Congresso do PKI de dezembro de 1921, acima do palco estavam as imagens de Lenin e Trotsky, não de Lenin e Stalin[xxvii]. Tan Malaka também viveu na União Soviética entre 1922-1923, quando o regime soviético ainda era bastante saudável, e pôde ver com seus próprios olhos como Trotsky era altamente respeitado entre os trabalhadores. Apesar de nunca ter encontrado pessoalmente Trotsky, ele o tinha visto falar em manifestações[xxviii]. Isso definitivamente teve um papel na posição neutra de Tan Malaka diante da luta Stalin-Trotsky. Ele não podia simplesmente engolir as acusações de que Trotsky – um altamente respeitado líder da Revolução de Outubro – era um contrarrevolucionário que conspirou com os fascistas e os imperialistas e estava tentando trazer o capitalismo novamente para a Rússia; não sem ler os escritos de Trotsky, algo que ele nunca teve a oportunidade de fazer.

O único grupo que formalmente uniu-se à Quarta Internacional foi a Acoma (Angkatan Comunis Muda, Juventude Força Comunista), de Ibnu Parna. A Acoma foi fundada em 1946 a partir de um grupo de jovens comunistas. Nas eleições de 1955, eles ganharam votos suficientes para ter Ibnu Parna eleito como membro do parlamento. No início dos anos 1950, eles começaram a desenvolver contatos com o Secretariado Internacional da Quarta Internacional e em 1959 eles vincularam-se à Quarta Internacional. Há pouquíssimos registros da relação da Acoma com a Quarta Internacional, ou de seu programa político e suas atividades como seção da Quarta Internacional. A Quarta Internacional perdeu contato com a Acoma após a contrarrevolução anticomunista de 1965, na qual Ibnu Parna foi morto.

[Nota: Nós nos referimos aqui a "Quarta Internacional” apenas para simplificar, mas na realidade ela não era mais a organização que Trotsky tinha fundado. Ela tinha degenerado de forma irreconhecível durante os anos do pós-guerra e tinha de fato se tornado apenas outra seita. Para ler mais sobre isso, veja em inglês: "As origens e o colapso da Quarta Internacional", por Fred Weston, e "As origens teóricas da degeneração da Quarta – Entrevista com Ted Grant"]

A Sequência

Para Leon Trotsky, sua luta para salvar a Revolução de Outubro era mais importante do que qualquer um de seus papéis em 1917 e na subsequente guerra civil. Com Lenin, ele foi o parteiro da Revolução de Outubro, liderando o Conselho Militar Revolucionário que foi responsável pelo assalto ao Palácio de Inverno. Assumindo a liderança do primeiro Exército Vermelho da história da humanidade, ele então avançou para salvar a jovem União Soviética da investida do Exército Branco e seus amos imperialistas. Ele foi então encarregado novamente de salvar a Revolução de Outubro, mas agora de seu inimigo interno, a burocracia. Trotsky escreveu em seu diário como ele pessoalmente avaliava seus papéis ao longo desses períodos:

“Não estivesse eu presente em 1917 em Petersburgo, a Revolução de Outubro ainda assim teria ocorrido – com a condição de que Lenin estivesse presente e no comando. Se nem Lenin nem eu estivéssemos presentes em Petersburgo, não teria havido Revolução de Outubro: a liderança do Partido Bolchevique teria impedido ela de ocorrer – sobre isso eu não tenho a menor dúvida! Se Lenin não estivesse em Petersburgo, eu duvido sequer que eu poderia ter agido para superar a resistência dos líderes bolcheviques… Mas eu repito, garantida a presença de Lenin, a Revolução de Outubro teria sido vitoriosa de qualquer jeito …

Dessa forma, eu não posso falar da ‘indispensabilidade’ de meu trabalho, mesmo sobre o período de 1917 a 1921. Mas agora meu trabalho é ‘indispensável’ no sentido completo da palavra. Não há arrogância nessa afirmação. O colapso das duas internacionais colocou um problema que nenhum dos líderes dessas internacionais estava preparado para resolver. As vicissitudes de meu destino pessoal têm me confrontado com esse problema e me armaram com importante experiência para lidar com isso. Não há ninguém agora além de mim para levar à frente a missão de armar a nova geração com os métodos revolucionários sobre as cabeças dos líderes da Segunda e da Terceira Internacional… a pior fraqueza é estar com mais de 50 anos de idade! Eu preciso de ao menos cerca de cinco anos a mais de trabalho ininterrupto para garantir a sucessão.”[xxix] [xxix]

 

Ele teve os cinco anos que queria antes que um agente contratado por Stalin pudesse alcançá-lo. No entanto, estava errado ao pensar que poderia garantir a sucessão bolchevique em cinco anos. O fim da Segunda Guerra Mundial criou uma situação muito mais complexa que continuava a exigir sua liderança. Em sua ausência – e sem mencionar a campanha de assassinatos que roubou da Oposição de Esquerda muitos de seus jovens quadros promissores, incluindo o único filho remanescente de Trotsky, Lev Sedov –, muitos quadros da Quarta Internacional simplesmente não estavam à altura da tarefa de construir a organização durante a guerra.

Depois da morte de Trotsky, a Quarta Internacional sofreu um racha após o outro. Por um lado, havia a difícil situação objetiva após a Segunda Guerra Mundial. O crescimento capitalista pós-guerra na Europa significou o fortalecimento do reformismo na Europa Ocidental. Ao mesmo tempo, o stalinismo também foi fortalecido devido a sua vitória sobre a Alemanha nazista. O stalinismo e o reformismo bloquearam as ondas de revolução que estavam se espalhando pela Europa e por muitos países coloniais. Por outro lado, havia o fator subjetivo. Os líderes da Quarta Internacional, James Cannon, Joseph Hansen, Ernest Mandel e figuras como Tony Cliff e muitos outros, foram incapazes de entender a nova situação. Muitos procuraram atalhos, movendo-se do oportunismo para o ultraesquerdismo. No entanto, essa situação não era particular à Quarta Internacional. Muitos grupos de esquerda entraram em uma prolongada crise ideológica e organizativa depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Apesar da Quarta Internacional, enquanto organização, não ter se tornado o que Trotsky esperava que fosse, por meio de seus escritos ele estava – e continua – armando a próxima geração de lutadores. A tarefa histórica do trotskismo era em primeiro lugar manter a chama do marxismo, do bolchevismo, viva em meio à tempestade reacionária. A próxima internacional surgirá novamente para alimentar a labareda da revolução socialista mundial, e quando isso ocorrer ela estará em um nível mais elevado porque terá a experiência – as lições de luta e derrotas – da Quarta Internacional que veio antes dela.

(i) V.I. Lenin. “Relatório Político do Comitê Central”, Sétimo Congresso Extraordinário do Partido Comunista Russo (Bolchevique), 6-8 de março. Arquivo Marxista na Internet. <http://www.marxists.org/archive/lenin/works/1918/7thcong/01.htm>

(ii) Leon Trotsky, Diários do Exílio de Trotsky, 1935.

(iii) E.H. Carr. Socialismo em Um Só País, vol. 2. Londres: Macmillan, 1959. Pág. 34.

(iv) Leon Trotsky. “Como Stalin Derrotou a Oposição?” 12 de novembro de 1935, Escritos de Leon Trotsky [1935-36].[1935-36]que: Pathfinder Press, 1977. Pág. 175-176.

(v) Trotsky. “Como Stalin Derrotou a Oposição?” [1935-1936[1935-1936]7.

(vi) Victor Serge. A Vida e a Morte de Leon Trotsky. Nova Iorque: Basic Books, 1975.

(vii) Leon Trotsky. “Em Defesa de Outubro”, um discurso proferido em Copenhagen, Dinamarca, em novembro de 1932. Arquivo Marxista na Internet. <http://www.marxists.org/archive/trotsky/1932/11/oct.htm>

(viii) Leon Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, 16 de dezembro de 1932, Escritos de Leon Trotsky [1932-33].[1932-33]que: Pathfinder Press, 1972. Pág. 24.

(ix) Leon Trotsky. “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, dezembro de 1932, Escritos de Leon Trotsky [1932-1933[1932-1933]que: Pathfinder Press, 1972. Pág. 48.

(x) Trotsky. “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, dezembro de 1932, Escritos de Leon Trotsky [1932-1933[1932-1933]que: Pathfinder Press, 1972. Pág. 19.

(xi) Trotsky. “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, dezembro de 1932, Escritos de Leon Trotsky [1932-1933[1932-1933]que: Pathfinder Press, 1972. Pág. 50.

(xii) Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, [1932-33].[1932-33]-28.

(xiii) Trotsky. “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, [1932-1933[1932-1933].

(xiv) Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, [1932-33].[1932-33].

(xv) Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, [1932-33].[1932-33].

(xvi) Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, [1932-33].[1932-33].

(xvii) Trotsky. “Do estado da Oposição de Esquerda”, [1932-33].[1932-33].

(xviii) Trotsky. “A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos”, [1932-1933[1932-1933]-56.

(xix) Leon Trotsky. “Pacifismo como servo do imperialismo”, 1917, Arquivo Marxista na Internet <http://www.marxists.org/archive/trotsky/1917/xx/pacifism.htm>.

(xx) Trotsky. A Oposição de Esquerda Internacional, Suas Tarefas e Métodos. Documentos de 36.

(xxi) Apelo da Pré-Conferência da OEI a Todos os Membros do Partido Comunista da Alemanha, a Todos os Trabalhadores Socialdemocratas, a Todo o Proletariado da Alemanha. Documentos da Quarta Internacional (Nova Iorque: Pathfinder Press, 1973). Página 44.

(xxii) Leon Trotsky. KPD ou Novo Partido? (I). 12 de março de 1933. Os Escritos de Leon Trotsky [1932-1933[1932-1933]que: Pathfinder Press, 1972). Página 137.

(xxiii) Leon Trotsky. É necessário construir partidos comunistas e uma nova internacional. 15 de julho de 1933, Escritos de Leon Trotsky [1932-1933[1932-1933]que: Pathfinder Press, 1972). Página 304.

(xxiv) Atas da Conferência de Fundação da Quarta Internacional. Documentos da Quarta Internacional (Nova Iorque: Pathfinder Press, 1973). Página 289.

(xxv) Tan Malaka. Teses. 1946. Arquivo Marxista na Internet.

(xxvi) Sobron Aidit, Kisah Serba-Serbi (Omong-omong dengan Asahan Alham). 11 de setembro de 2006.

(xxvii) Harry A. Poeze. Tan Malaka: Pergulatan Menuju Republik 1897-1925 (Jacarta: Pustaka Utama Grafiti, 1988). Página 207.

(xxviii) Poeze 311.

(xxix) Leon Trotsky. Diário no Exílio de Trotsky. 1935 (Londres: Faber and Faber, 1958). Páginas 53-54.

Artigo publicado originalmente em 16 de abril de 2012, no site “Em defesa do Marxismo”, da Corrente Marxista Internacional (CMI), em duas partes “Keeping the International alive: a history of the Fourth International – Part One” e “Keeping the International alive: a history of the Fourth International – Part Two“.

Tradução de Johannes Halter.

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