Início / Artigos / Manifesto dos trabalhadores e trabalhadoras da Fábrica Nacional de Vidros da Venezuela

Manifesto dos trabalhadores e trabalhadoras da Fábrica Nacional de Vidros da Venezuela

Os trabalhadores das duas plantas da Fábrica Nacional de Vidros da Venezuela, antiga Owens Illinois, expropriadas pelo governo, realizaram no mês de setembro seu II Encontro de Unificação e tomaram medidas na direção do socialismo.

No dia 3 de Setembro de 2011, reunidos no “Caney Desportivo da VENVIDRIO”, Unidade Trujillo na Cidade de Valera, um grupo de trabalhadoras e trabalhadores na qualidade de representantes do Sindicato Unidade Los Guayos, do Sindicato Unidade Valera, Frente de Trabalhadores e Trabalhadoras do Vidro (F.T.V.), Frente Operária Revolucionária Socialista do Vidro, Comissão de Controladoria Social da Unidade Valera, representantes da Gerencia de Unidade Valera, da Junta Administrativa e trabalhadores em geral, no II Encontro pela Unificação; depois de compartilhar nossa experiência e analisar nossas realidades locais, regionais e nacional fazemos as seguintes considerações:

A Venvidrio encontra-se em uma fase de construção para passar de uma empresa de estrutura capitalista para uma Unidade de Produção Social, com o objetivo de garantir a estabilidade alimentar e assegurar a maior soma de felicidade possível a nosso povo.

A partir da Venvidrio devemos assumir nosso compromisso social com todas as pessoas que têm vida comum dentro da fábrica, bem como com as comunidades e o entorno da fábrica. Tudo isto em cumprimento com as linhas determinadas no Plano Nacional Simón Bolívar e de acordo com as palavras do comandante e líder Hugo Chávez.

A unificação de critérios entre as trabalhadoras e trabalhadores de ambas as unidades é de vital importância para o desempenho da fábrica de vidro e sua permanência no tempo e no espaço.

Assumimos que dentro da organização todas e todos somos Operários, já que operacionalizamos a fábrica e todos e todas somos Trabalhadores, desde o cargo de gerência mais elevado até o nível do contratado ou terceirizado do mais baixo patamar na estrutura organizativa. Consideramos-nos classistas e lutamos contra a divisão capitalista social do trabalho.

Reiteramos que não pretendemos atacar à Alta Gerência ou a Junta Administrativa, pelo contrário, temos a intenção, através destes encontros de canalizar as inquietudes e incertezas existentes entre os colegas que vivem da vida comum na fábrica e que ainda não têm conseguido ver as mudanças esperadas, ainda que tenhamos um mandato do povo e do estado venezuelano.

Esclarecemos que estas reuniões não são para criar alianças entre os diferentes sindicatos ou frentes políticas que coexistem em ambas as unidades, senão para articular entre os diferentes atores e a Junta Administrativa, para que unidos, consigamos definir critérios que nos permitam focar uma mesma direção e fazer da Venvidrio a fábrica que queremos e sonhamos.

Deve ficar absolutamente claro que no exercício da soberania e da participação democrática das e dos trabalhadores, temos a responsabilidade de participar na tomada de decisões para garantir e atingir o tipo de organização que requeremos para a defesa de nossos interesses e implementação do controle da produção na fábrica e em toda a sociedade.

Reiteramos que para ter sucesso nesta luta é necessária a unidade e coordenação dos setores que participam nestes eventos e que deveríamos desenhar ações de luta concreta que nos permitam avançar na derrota da burocracia, do capital e da corrupção, como parte da luta por acabar com o Estado burguês para a construção do socialismo.

Como resultado dos Comitês de Trabalho, baseados em 05 perguntas geradoras aplicadas na reunião de Valera, podemos identificar que a luta organizativa e unificadora deve focar em:

1. Definir um nome único, onde todos nós nos articularemos em função de um mesmo objetivo e possamos ser reconhecidos pelo coletivo de trabalhadoras e trabalhadores. Os nomes propostos serão mencionados a seguir e estes devem ser apresentados para sua eleição democrática desde as bases:

a. Conselhos de Trabalhadoras e Trabalhadores do Vidro.

b. Conselho Bolivariano e Socialista de Trabalhadores e Trabalhadoras do Vidro.

c. Controle Operário pela Unidade de Trabalhadoras e Trabalhadores do Vidro.

2. Minimizar as contradições existentes para a implementação dos Conselhos de Trabalhadores e Trabalhadoras, sendo as mais importantes:

a. Falta de Formação, informação e comunicação sobre os Princípios e Conceitos referentes aos Conselhos de trabalhadoras e trabalhadores.

b. Falta de Formação sócio-política que abarque todos os níveis da fábrica.

c. Debilidade no sentido de pertencimento dos trabalhadores e trabalhadoras em relação a fábrica e falta de aplicação de políticas de identidade corporativa e institucional, que realmente incentivem às trabalhadoras e trabalhadores.

d. Divisão Social do Trabalho (Operários e Empregados).

e. Falta de Trabalho em Equipe, prevalece o individualismo.

f. Vazio Legal, visto que agora não existe um marco jurídico estabelecido, até quando não se aprove a Lei Especial pelos Conselhos Socialistas de Trabalhadoras e Trabalhadores, introduzida para sua discussão na Assembleia Nacional.

3.- Estruturação da iniciativa de Formação dos trabalhadores e trabalhadores assim que seja aprovada a Lei para os CSTyT (Conselhos Socialistas de Trabalhadores e Trabalhadoras). Sugere-se:

a. Criar uma Equipe Promotora que articule ambas as unidades e a gerência.

b. Impulsionar um programa de formação política que contenha as bases teóricas sobre os CTyT e da experiência em outras empresas, apoiando-nos no programa de formação sócio-política do Ministério de Ciência e Tecnologia.

c. Difundir e discutir em forma participativa a Lei Especial de Conselhos de Trabalhadoras e Trabalhadores, o Projeto Nacional Simón Bolívar, a Constituição Nacional Bolivariana e os novos projetos da empresa.

d. Projetar documentários sobre os Conselhos Socialistas de Trabalhadores e Trabalhadoras, utilizando as áreas do refeitório e os meios de difusão visual da Fábrica.

e. Gerar espaços de encontros e debates teóricos que permitam criar um programa de luta da classe trabalhadora, orientada por uma metodologia que permita a participação, o trabalho e a tomada de decisões coletivas.

e. Propiciar o compromisso e lealdade para a fábrica e o coletivo. (Sentido de Pertencimento).

f. Divulgar a iniciativa através das assembleias de trabalhadores e trabalhadoras. (Comitê de Formação e Informação).

4.- Considerar a participação dos trabalhadores e trabalhadoras na Junta Administrativa:

a. Necessidade de capacitação para sustentar e defender, com base técnica, as propostas de melhorias e novos projetos que demandem as Unidades em seu processo de produção.

b. Como forma de levar diretamente os sentimentos, necessidades e propostas das trabalhadoras e os trabalhadores.

c. Articular para dar a conhecer e democratizar em assembleias os Balanços Econômicos da Gestão e demais decisões tomadas nas reuniões.

d. Gerar um vínculo de comunicação direto entre a Junta Administradora e as Trabalhadoras e Trabalhadores.

e. Para sustentar e defender, com base nas propostas de melhorias, as que sejam geradas na base da fábrica, dando a informação necessária nas assembleias de Trabalhadores e Trabalhadoras.

5.- Como adaptar a proposta do Conselho de Trabalhadores e Trabalhadoras apresentado pelo sindicato de Valera à realidade do Projeto Nacional Simón Bolívar?

a. Deve-se divulgar em ambas as Unidades o Projeto Nacional Simón Bolívar (PNSB) e a Lei de CSTyT através de oficinas de formação sócio-política e assembleias com as trabalhadoras e trabalhadores.

b. Deve-se apresentar em Assembleias de Trabalhadores e Trabalhadoras a proposta do Sindicato Valera para sua divulgação, revisão, discussão e aprovação, para adaptá-la e convertê-la em uma força coletiva protagonista e revolucionária.

Finalmente devemos enfatizar que este tipo de encontro das trabalhadoras e trabalhadores do vidro é propício para ratificar o apoio ao líder da Revolução camarada Hugo Chávez Frias e assumir a campanha que irá nos conduzir ao sucesso eleitoral o próximo 07 de Outubro de 2012, para o qual é fundamental a unificação de critérios para juntos derrotarmos a burocracia e o capital.

Sem trabalhadores não há socialismo!

Traduzido por Leslie Loreto

Deixe seu comentário

Leia também...

Reforma política: Nosso dinheiro para Bolsonaro, iscas para a esquerda e barreira para as organizações de trabalhadores

Michel Temer sancionou na sexta-feira (6/10) a reforma política, que, entre outros absurdos, desvia um …

Deixe uma resposta