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Lula 2018 – Mais uma vez a “coligação” com a burguesia

Foi lançado com grande estardalhaço o Manifesto dos Intelectuais pedindo que Lula se candidate a presidente em 2018. Tendo a assinatura de mais de 400 “personalidades e intelectuais”, como Leonardo Boff, Fernando de Morais, Chico Buarque, Eduardo Aragão, Stédile, a maioria sendo composta por advogados e artistas, o manifesto prega:

Por que Lula?

É o compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a defesa da soberania brasileira e de todos os direitos já conquistados pelo povo desse País, que nos faz, através desse documento, solicitar ao ex-Presidente Luiz Inácio LULA da Silva que considere a possibilidade de, desde já, lançar a sua candidatura à Presidência da República no próximo ano, como forma de garantir ao povo brasileiro a dignidade, o orgulho e a autonomia que perderam.

Foi um trabalhador, filho da pobreza nordestina, que assumiu, alguns anos atrás, a Presidência da República e deu significado substantivo e autêntico à democracia brasileira. Descobrimos, então, que não há democracia na fome, na ausência de participação política efetiva, sem educação e saúde de qualidade, sem habitação digna, enfim, sem inclusão social. Aprendemos que não é democrática a sociedade que separa seus cidadãos em diferentes categorias.

Por que Lula? Porque ainda é preciso incluir muita gente e reincluir aqueles que foram banidos outra vez; porque é fundamental para o futuro do Brasil assegurar a soberania sobre o pré-sal, suas terras, sua água, suas riquezas; porque o País deve voltar a ter um papel ativo no cenário internacional; porque é importante distribuir com todos os brasileiros aquilo que os brasileiros produzem. O Brasil precisa de Lula!

Partindo da defesa do Estado Democrático de Direito, estado que hoje se materializa em toda a sujeira que sai das bocas dos delatores e só não respinga nas togas dos juízes porque a estes cabem hoje o papel de vestais da república, o manifesto prega a defesa da soberania sobre o pré-sal, suas terras, suas aguas e termina dizendo que o Brasil precisa de Lula para garantir tudo isso e para garantir a distribuição para os brasileiros daquilo que os brasileiros produzem.

Em três parágrafos o Manifesto esquece que Lula fez a Reforma da Previdência dos Servidores Públicos e que hoje inspira a reforma de Michel Temer, que ele vetou a derrubada do fator previdenciário, que ele nunca propôs uma Lei que  garantisse estabilidade no emprego, que nunca propôs a redução da jornada de trabalho, que nenhuma privatização foi revertida em seu governo e, pelo contrário, tanto no seu governo como de Dilma avançaram em passos lentos, mas avançaram medidas que permitem hoje a privatização do Banco do Brasil e da Petrobras.

O próprio projeto de pré-sal, ao invés de ser feito para garantir o monopólio da Petrobras, apenas garantiu a Petrobras como “operadora” e permite a venda dos campos para as grandes multinacionais do petróleo. Vários leilões de Petróleo foram realizadas durante a gestão de Lula e Dilma, inclusive do Pré-Sal.

Tudo isso é esquecido pelos autores do Manifesto, assim como é esquecido pelo líder do MST que a reforma agrária prometida nunca foi realizada e a propriedade da terra continua como dantes. E que sob Dilma a privatização da floresta amazônica foi totalmente legalizada.

Aliás, o que é mais interessante é que os autores do Manifesto passam por cima do Brasil atual, aonde os trabalhadores e jovens se defrontam com medidas que visam destruir o ensino médio, retirar direitos trabalhistas e destruir a previdência social. Sobre isso, os autores nada têm a declarar nem a dizer o que Lula deve fazer caso assuma a sua candidatura. Afinal, um filho de pobres (que hoje já não é pobre) teria todas as respostas, como um novo salvador da Pátria, um novo Getúlio Vargas.

A saída para os trabalhadores é dura e difícil. Passa hoje pelo combate concreto pelo Fora Temer e o Congresso Nacional, passa por uma luta encarniçada para preservar a aposentadoria e os direitos trabalhistas ameaçados a cada dia por este governo e este congresso, passa por construir uma nova consciência e uma nova organização que aponte o socialismo como o caminho para acabar com a exploração dos burgueses e com a própria burguesia.

Os operários e camponeses russos trilharam, com dificuldades mil, este caminho há mais de 100 anos. Os trabalhadores brasileiros saberão chegar lá, apesar de todos os “intelectuais” que querem lhes ditar o caminho da velha conciliação, o caminho da defesa do Estado Democrático de Direito Burguês. Aos conciliadores, como Lula, Dilma e os assinantes da carta dos brasileiros resta o de sempre – pedir e solicitar que os burgueses lhes tratem com um pouco de respeito. Aos operários, a juventude negra que continua a morrer de balas da polícia e do tráfico nos morros e favelas, a juventude que não tem escola nem perspectiva, resta um outro caminho – o da luta para enterrar este sistema e todos os que o defendem.

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