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Leon Trotsky – mártir revolucionário

O assassinato de Leon Trotsky não foi nenhuma ação acidental ou aleatória do ditador Stalin, mas um ato preconcebido e monstruoso que culminou a campanha de assassinatos de toda a velha liderança da revolução e daqueles que apoiavam as genuínas ideias do marxismo. Na oportunidade em que se completam 73 anos do aniversário do assassinato de Leon Trotsky apresentamos mais uma vez este artigo publicado em Militant em 1985.
 
“Você acha que Stalin não discutiu a questão de sua remoção física? Ele a considerou e discutiu exaustivamente. Ele sempre se deteve pelo mesmo pensamento, de que os jovens o responsabilizariam a ele pessoalmente, e responderiam com atos de terrorismo. Ele, portanto, acreditou que primeiro tinha de dispersar das fileiras a juventude oposicionista. Mas um trabalho adiado não é um trabalho abandonado”. (Declaração do líder bolchevique, Grigori Zinoviev a Trotsky, 1926).
 
Em 20 de agosto de 1940, Leon Trotsky foi agredido com uma picareta até a morte por um agente estalinista, Ramon Mercader.
 
Trotsky devotou toda sua vida à emancipação da classe trabalhadora. Liderou o famoso Sovíete de Petersburgo na revolução de 1905, deu origem à teoria marxista da “Revolução Permanente”, compartilhou com Lênin a liderança da revolução de Outubro de 1917, construiu o Exército Vermelho e foi um dos fundadores da III Internacional Comunista.
 
Seu assassinato não foi uma ação acidental ou aleatória, mas um ato preconcebido e monstruoso como ponto culminante de uma campanha de assassinatos de toda a velha liderança Bolchevique da revolução e daqueles que apoiavam as genuínas ideias do marxismo.
 
Todos aqueles que representavam alguma ameaça para o regime totalitário da burocracia foram sistematicamente caçados e eliminados pelas mãos da polícia secreta estalinista, a GPU.
 
O alvo de toda esta trama de assassinatos foram todos aqueles que estiveram perto de Trotsky, em torno da Oposição de Esquerda Internacional que lutava pelas ideias do leninismo, do marxismo. A luta entre os partidários de Trotsky e os da burocracia estalinista não foi simplesmente um debate de ideias. Representou um choque de forças vivas – entre a parasitária casta dominante, defendendo seus privilégios materiais, e as forças do internacionalismo e da revolução socialista da classe trabalhadora.
 
Essa casta privilegiada derivou suas rendas e poder de seu controle burocrático sobre a economia nacionalizada e planificada. Para proteger sua posição dominante, ela expropriou politicamente os trabalhadores e camponeses russos. Todas as posições da democracia dos trabalhadores sob Lênin e Trotsky foram sendo gradualmente esmagadas, dando lugar à ditadura totalitária de Stalin – a personificação da burocracia. A burocracia só podia se manter através desse regime de terror estalinista.
 
Aqueles que se juntaram à oposição trotskista foram punidos com terríveis perseguições, calúnias, expulsões, demissões e prisão. Mais tarde, foram colocados nos campos de concentração de Stalin e assassinados.
 
No entanto, apesar do rastro de sangue, de perseguições e mentiras, de falsificação histórica pela camarilha de Stalin, as ideias de Leon Trotsky – as ideias do genuíno marxismo – não somente sobreviveram, como também cresceram e se tornaram um farol para todos aqueles ativistas que hoje confrontam os horrores do capitalismo e do estalinismo.
 
O destino de Trotsky estava ligado ao da Revolução Russa de Outubro de 1917. Esta vitória proletária era vista por todos como o início da transformação mundial. Ninguém no Partido Bolchevique – Lênin, Trotsky e até mesmo Stalin – acreditava que o socialismo poderia ser estabelecido em um só país, e muito menos em um país atrasado como a Rússia.
O isolamento da revolução, devido à traição dos líderes da socialdemocracia no Ocidente, levou ao crescimento de uma burocracia parasitária, de uma casta de oficiais no estado, no partido e na indústria. As derrotas internacionais reforçaram o sentimento de isolamento e cansaço. Como explicou Trotsky: “É absolutamente fora de questão e da maior importância que a burocracia soviética tornava-se mais poderosa quanto mais duros eram os golpes contra a classe trabalhadora mundial. As derrotas do movimento revolucionário na Europa e na Ásia gradualmente minaram a confiança dos trabalhadores soviéticos em seu internacionalismo. Dentro do país ainda reinava uma aguda miséria. Os representantes mais ousados e dedicados da classe trabalhadora ou tinham perecido na guerra civil ou subido mais alto, e a parte principal deles sendo assimilada nas fileiras da burocracia, depois de ter perdido seu espírito revolucionário. Cansada, devido aos terríveis esforços dos anos revolucionários, sem perspectiva, envenenada com a amargura devida à série de decepções, a grande massa caiu na passividade” (Writings 1935-37, p. 174).
 
A Oposição de Esquerda foi formada em 1923 por Trotsky para derrotar esta reação burocrática contra Outubro. Pouco antes da morte de Lênin, ele e Trotsky tinham organizado um bloco para lutar contra a burocracia. Em seu “Testamento”, Lênin pediu a imediata remoção de Stalin que se tornara a face desta reação. No Testamento, Trotsky foi destacado como “distinto não só por suas habilidades excepcionais” – “com certeza, o homem mais capaz no atual Comitê Central”.
 
Com a morte de Lênin em janeiro de 1924, Stalin e os que queriam denegrir a autoridade de Trotsky suprimiram o Testamento e, posteriormente, o denunciaram como uma falsificação trotskista! Sua autenticidade veio à tona somente em 1956 no discurso de Krushchev para a sessão fechada do 20o congresso do partido.
 
Ascensão do estalinismo
 
A derrota da revolução alemã no final de 1923, junto à morte de Lênin, resultou em rápida cristalização dos poderes da burocracia estalinista. Logo após, Stalin veio com a teoria antimarxista de “Socialismo em um só país”, que refletia os interesses da elite privilegiada. Zinoviev e Kamenev, dois velhos líderes Bolcheviques que haviam se aliado com Stalin, não puderam mais tolerar esta traição e se uniram a Trotsky para formar a Oposição Unificada em 1926.
 
Na época, a derrota da Revolução Chinesa foi um terrível golpe para os trabalhadores russos, que esperavam uma vitória dos trabalhadores no Oriente. Esta derrota foi um grande incentivo, no entanto, ao desenvolvimento da burocracia. Em novembro de 1927, Trotsky e Zinoviev foram expulsos do partido e Kamenev do Comitê Central.
 
Como resultado desta crescente repressão, Abramovich Yoffe, que tinha retornado como embaixador do Japão para trabalhar como adjunto de Trotsky, cometeu suicídio. Exilado em Alma Ata (janeiro de 1928) e mais tarde na Turquia (janeiro de 1929), Trotsky rebateu as calúnias e traições dos estalinistas, e começou a montar os quadros do verdadeiro marxismo em escala internacional. Em julho, ele publicou a primeira edição do Boletim da Oposição russa, como órgão central de seu trabalho.
 
Nos poucos anos que se seguiram, cruéis golpes pessoais foram cometidos contra ele; sua jovem filha Nina tinha morrido de tuberculose à idade de 26 anos. Sua outra filha, Zina, que também sofria de problemas graves de saúde, foi levada ao suicídio em Berlin no início de 1933. Os seus maridos foram enviados à Sibéria.
 
A primeira esposa de Trotsky, Sokolovskaya, foi presa em um campo de trabalho onde morreria mais tarde. Seu filho, Sergei, um cientista que não se interessava pela política, foi detido sob acusações forjadas – recusou-se a trair seu pai – e pereceu na prisão. Secretários e assessores de Trotsky na URSS foram executados: Glazman, Butov, Sermuks e Pozansky.
 
Os estalinistas, sob as ordens de Moscou, tentaram constantemente se infiltrar na casa de Trotsky, bem como na Oposição de Esquerda Internacional, causando perturbação, provocação e morte. Exemplos da infiltração estalinista são numerosos: Senin e Roman Well, Etienne Zborowski, Serge Efrom, Marcel Rollin, Louis Ducomet, François Rossie, Renata Steiner, Floyd Miller e Sylkvia Franklin, para citar apenas alguns.
 
Luta contra Hitler
 
Até a vitória de Hitler em março de 1933, Trotsky havia realizado uma campanha vigorosa por uma política de frente única contra o fascismo na Alemanha. Contudo, ele foi denunciado pelos líderes estalinistas, que continuavam a dirigir a classe trabalhadora alemã a um sangrento desastre. Ernst Thaelmann, o líder do Partido Comunista Alemão (PCA), declarou em setembro de 1932: “Em seu panfleto sobre a questão, Como o Nacional Socialismo será derrotado? Trotsky sempre dá uma resposta: ‘O Partido Comunista Alemão deve fazer um bloco com a socialdemocracia…’ Na formação deste bloco, Trotsky vê a única maneira de salvar completamente a classe trabalhadora alemã do fascismo. Ou o PCA forma um bloco com a socialdemocracia ou a classe trabalhadora alemã estará perdida por 10-20 anos. Esta é a teoria de um completamente arruinado fascista e contrarrevolucionário. Esta teoria é a pior teoria, a mais perigosa teoria e a mais criminosa que Trotsky já construiu nos últimos anos de sua propaganda contrarrevolucionária” (Internacional Comunista, no 17/18, 1932, p. 1329).
 
A falta de atenção ao conselho de Trotsky levou à paralisia o movimento dos trabalhadores alemães e resultou na vitória de Hitler sem qualquer resistência significativa. Foi esta a maior traição ao socialismo internacional desde 1914. Temido pela classe capitalista, a Trotsky foi recusado o direito de asilo por todas as potências europeias. Em 1933, contudo, foi-lhe permitida a entrada temporária na França, mas em pouco tempo foi expulso como indesejável pelo governo.
 
Os Processos de Moscou
 
Da França, foi permitido a Trotsky ir para a Noruega onde o Partido Trabalhista tinha acabado de chegar ao poder. Em questão de poucos meses, os julgamentos dos expurgos começaram em Moscou com Trotsky colocado como o principal acusado. Stalin pressionou ao governo da Noruega para amordaçar Trotsky. Isto é imposto através da expulsão de seus secretários e colocando-o virtualmente sob prisão domiciliar. Desesperado para responder às maiores mentiras e calúnias já fabricadas na história mundial, Trotsky avidamente aceitou a oferta de asilo do governo mexicano de Cárdenas. Ele chegou à Cidade do México em janeiro de 1937.
 
A burocracia buscava um acordo com as democracias ocidentais contra Hitler e, dessa forma, tentava demonstrar sua respeitabilidade. O primeiro Processo de Moscou iniciou a sistemática falsa incriminação e assassinatos da velha guarda Bolchevique. Perdido o medo do êxito da revolução espanhola e do impulso que esta daria para uma nova revolução política na URSS, a burocracia começou a destruir todas as conexões com as verdadeiras tradições de Outubro. Entre 1936 e 1938, estima-se que oito milhões de pessoas pereceram no terror, essa “guerra civil unilateral”, para usarmos as palavras de Trotsky.
 
Uma Comissão Internacional de Inquérito sobre os Processos de Moscou foi estabelecida sob a presidência do ilustre filósofo americano, John Dewey. Todos os testemunhos e provas foram vigorosamente peneirados. Trotsky foi pessoalmente examinado e interrogado sobre as fantásticas alegações de estar a soldo dos nazistas etc., feitas contra ele pelos estalinistas.
Ele demonstrou, com a ajuda de seus vastos arquivos, que as “confissões” forjadas nos julgamentos eram absolutamente mentirosas e que constituíam a maior falsificação da história. A Comissão Dewey concluiu que “os processos de Moscou eram uma falsificação” e concluiu: “Nós, portanto, consideramos Trotsky e Sedov (seu filho) não culpados”.
 
O Segundo Processo de Moscou começou dentro de 15 dias da chegada de Trotsky no México. O objetivo de Stalin, no entanto, era o da aniquilação física não somente dos velhos Bolcheviques dentro da URSS, mas também o extermínio da liderança trotskista internacionalmente.
 
Na Espanha, os esquadrões da morte da GPU foram sistematicamente usados para suprimir toda a oposição a Moscou, levando à execução de Andres Nin, Andrade, Erwin Wolf (um dos secretários de Trotsky) etc. Em setembro de 1937, Ignace Reiss, um ex-agente do topo da GPU que renunciou ao estalinismo e declarou-se em favor do trotskismo, foi assassinado.
  
Anos mais tarde, Leopold Trepper, um corajoso anti-estalinista e ex-líder da Inteligência Soviética trabalhando na clandestinidade durante a guerra, escreveu em suas memórias:“Iugoslavos, poloneses, lituanos, checos, todos desapareciam. Em 1937 já não se achava nenhum dos principais dirigentes do Partido Comunista alemão, com exceção de Wilhelm Pieck e de Walther Ulbricht. A loucura repressiva não tinha limites. A seção coreana foi dizimada, os delegados da Índia sumiram, os representantes do PC chinês estavam presos. A chama de Outubro extinguiu-se nos crepúsculos carcerários. A revolução tinha degenerado em um sistema de terror e horror…
“… E, no entanto, nós continuávamos, dilacerados, mas dóceis, triturados pela engrenagem que tínhamos posto em marcha com as nossas próprias mãos. Rodas do aparelho, aterrorizados até a loucura, estávamos transformados no instrumento da nossa própria submissão. Todos os que não se opuseram à máquina estalinista são responsáveis, coletivamente responsáveis. Eu próprio não escapo a este veredito.
“Mas, quem é que protestava nessa época? Quem se ergueu para bradar a sua condenação?
“Os trotskistas podem reivindicar esta honra. Incitados por seu líder, que pagou a obstinação com a morte, eles combateram totalmente o estalinismo – e foram os únicos. Na época dos grandes expurgos, já não podiam gritar sua revolta senão nas imensidões geladas para onde os levaram a fim de melhor exterminá-los. Sua conduta foi digna e mesmo exemplar nos campos. Mas sua voz se perdeu na tundra.
“Hoje, os trotskistas têm o direito de acusar os que outrora uivavam à morte como lobos. Mas que não esqueçam que eles tinham sobre nós a vantagem de possuir um sistema político coerente, suscetível de substituir o estalinismo e do qual podiam lançar mão na angústia profunda da Revolução traída. Eles não ‘confessaram’, porque sabiam que suas confissões não serviam nem ao partido nem ao socialismo”.
 
Filho, Amigo, Lutador
 
Na França, os estalinistas infiltraram o centro de operações da Oposição e “colaboraram” no mais alto nível com o filho de Trotsky, Leon Sedov. Em 16 de fevereiro de 1938, Etienne Zborowski entregou-o à GPU que, por sua vez, o assassinou enquanto se encontrava no hospital. 
 
Um Trotsky enlutado escreveu um comovedor tributo ao seu filho morto sob o título de Leon Sedov – Filho, Amigo, Lutador: “Junto com o nosso garoto morreu tudo o que ainda permanecia de jovem dentro de nós. Adeus, Leon, adeus querido e incomparável amigo. Sua mãe e eu nunca pensamos, nunca esperamos que o destino pudesse nos impor esta terrível tarefa de escrever seu obituário. Vivíamos na firme convicção de que muito depois de que fôssemos embora você seria o continuador de nossa causa comum. Mas não fomos capazes de lhe proteger. Adeus, Leon! Legamos sua irreprochável memória à jovem geração de trabalhadores do mundo. Você, com justiça, viverá nos corações de todos os que trabalham, sofrem e lutam por um mundo melhor. Juventude revolucionária de todos os países! Receba de nossas mãos a memória de nosso Leon, adote-o como seu filho – ele é digno disto – e deixem-no, doravante, participar invisivelmente de vossas batalhas, uma vez que o destino negou-lhe a felicidade de participar de sua vitória final”.
 
Um mês após a morte de Sedov, Stalin lançou o terceiro e mais sangrento dos expurgos. Em Paris, o corpo decapitado de Rudolf Klement – outro secretário de Trotsky – foi encontrado no rio Sena. A rede de assassinos da GPU focou sobre Trotsky, através de uma série de agentes secretos. Ramon Mercader, assassino de elite de Stalin, criou uma infiltração na família de Trotsky seduzindo uma jovem marxista americana, Sylvia Ageloff.
 
Enquanto isto, o primeiro ataque fracassado contra a vida de Trotsky veio em 24 de maio de 1940. Agressores estalinistas da GPU – conduzidos pelo líder do PC mexicano, Siqueiros – forçou a entrada nas dependências metralhando o quarto de dormir de Trotsky. Afortunadamente, ele, sua esposa e neto escaparam por pouco da morte. Um dos guardas de plantão, Robert Sheldon Harte, foi sequestrado e seu corpo decomposto foi descoberto em uma mina de calcário um mês mais tarde.
 
Grande mártir
 
“Haverá punição para os vis assassinos. Durante toda sua vida heroica e bela, Lev Davidovich acreditou na emancipação futura da espécie humana. Durante os últimos anos de sua vida, sua fé não vacilou; pelo contrário, tornou-se apenas mais madura, mais firme do que nunca. A futura humanidade emancipada de toda opressão triunfará sobre todo tipo de repressão…” (Como aconteceu, novembro de 1940, escrito pela esposa de Trotsky, Natalya Sedova)
 
A segunda tentativa em agosto de 1940 foi fatal. Leon Trotsky foi assassinado pelas mãos do assassino da GPU, Ramon Mercader. Depois de ter sido julgado culpado de assassinato, ele cumpriu uma pena de 20 anos e logo voltou para o leste europeu onde foi condecorado por seus serviços pelo regime estalinista. 
 
Trotsky foi o maior mártir da classe trabalhadora. O trotskismo ou o marxismo foram e ainda continuam sendo a tendência mais perseguida da história. Os ataques a militantes e apoiadores são apenas uma continuação dessa campanha.
 
Enquanto os fracos de coração e céticos fizeram as pazes com o estalinismo, Trotsky e um pequeno grupo de correligionários defenderam as ideias do marxismo em um período histórico de retirada e reação. Este foi o maior papel de Trotsky.
 
Esta nova geração tem uma dívida colossal com aqueles que lutaram contra a corrente. Cabe-nos agora armar-nos com as ideias genuínas do marxismo como uma preparação concreta para as futuras tempestades e rebeliões que inevitavelmente se desdobrarão.
 
(Publicado pela primeira vez em Militant, 16 de agosto de 1985).
 
Traduzido por: Fabiano Adalberto

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