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Leilão do Campo de Libra: O Brasil recebe 15 bi e em troca o governo entrega 1 trilhão e 500 bilhões ao imperialismo

Dia 21 de outubro é a data estipulada pelo governo para iniciar os leilões dos campos de petróleo brasileiros. Trata-se da maior entrega de riquezas naturais do país realizada em toda a história.

Em meio ao foguetório e barulho provocado pela imprensa em torno da recuperação das posições de Dilma nas pesquisas eleitorais para 2014, em meio às bravatas do governo contra a espionagem da CIA no Brasil, em meio às notícias de que o governo aumentará a taxa de juros e cortará créditos às pessoas físicas e jurídicas, mais de 80 entidades procuram se mobilizar e esclarecer a população do país, que o governo está preparando um golpe contra o patrimônio nacional e contra o povo em geral. Quer entregar o Campo de Libra à exploração privada. Receberá pelo negócio em empréstimo de 15 bilhões (bônus) e por ele pagará juros de 22% ao ano para que os exploradores faturarem mais de 1 trilhão e quinhentos bilhões de reais.

Encurtando as rédeas e entregando tudo para elevar o superávit primário: salvar os capitalistas

O vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Fernando Siqueira, declarou em Audiência no Senado que os países desenvolvidos (leia-se imperialistas, em especial os EUA), estão pressionando para que a exploração da maior reserva petrolífera descoberta nos últimos 20 anos seja privatizada. O Campo de Libra chegará a produzir 300 bilhões de barris de petróleo e segundo Siqueira “as empresas americanas optaram por não participar numa tentativa de minimizar as consequências da denúncia de espionagem sobre a Petrobras, que poderia inviabilizar a realização do leilão do Campo de Libra”.

Informou ainda que “o software Openwells, utilizado pela empresa para compilação de dados geológicos, pertence à Landmark. Esta empresa, por sua vez, faz parte do conglomerado de empresas Halliburton, que atua na produção de petróleo e na indústria bélica e teve forte participação na guerra do Iraque. Os consultores da Landmark que trabalham para a Petrobras têm acesso a todas as informações do registro do software, como detalhes de todos os postos marítimos, além de janelas que permitem amplo acesso à espionagem dentro da própria Petrobras. Os dados são criptografados por sistemas desenvolvidos por três empresas americanas”.

Fernando questionou o valor altíssimo do Bônus de Assinatura previsto no leilão, no valor de R$ 15 bilhões, que deve ser pago à vista pelo ganhador da licitação. Para ele“ o governo optou por ter um dinheiro no curto prazo, para garantir o superávit primário, mas para isso sacrificou recursos que seriam usufruídos por três gerações de brasileiros”.  Segundo Siqueira: “esse valor, altíssimo do bônus retirou empresas brasileiras do certame e dificultou muito a participação da própria Petrobras”. E concluiu: “Foi um erro estratégico monumental”.

Na verdade não foi um erro, mas sim a aplicação criteriosa de uma linha de privatização e de entrega das riquezas naturais do país ao capital estrangeiro. Trata-se de conformar toda uma política de submissão ao capitalismo, a começar pela integração subordinada ao imperialismo, a qual, no passado o PT denominava hipocritamente de integração soberana do país no mercado internacional. Trata-se de uma operação pró-imperialista e que destroçará de vez a parca soberania atualmente existente.

Na Audiência acima mencionada o mestre em Engenharia Industrial do Georgia Institute of Technology (EUA), Paulo Metri, declarou que a operação é “uma clara troca de recursos de médio e longo prazo por recursos de curtíssimo prazo, resultando em um financiamento indireto cujas taxas de juros são altíssimas: 22% ao ano. Claramente o governo brasileiro resolveu tomar um empréstimo. Para receber no curto prazo, deu recursos a médio e longo prazo”.

Metri disse ainda que “o campo de Libra poderia ser declarado uma área estratégica pelo governo, como prevê a Lei 12.351/2010 (que tratou dos contratos de partilha). Se isso ocorresse, a União poderia contratar a Petrobras diretamente. Neste caso, a empresa poderia destinar ao Fundo Social do Pré-Sal até 80% do óleo excedente, contra 45% que ele estima que seja oferecido na licitação”.

Mobilização Nacional para garantir a soberania e impedir o Leilão de Libra

Várias entidades, sindicatos e movimento popular, estão acampados na frente da Petrobrás no Rio e lá ficarão até a data de 21 de outubro com o objetivo de impedir o primeiro leilão do Pré-sal.

O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancella, disse que “o número de acampados deve aumentar, pois está prevista a chegada de caravanas de vários estados com camponeses, moradores de encostas e outros grupos, que vão se somar à manifestação e debater o assunto”. No dia 3 ocorreu uma primeira manifestação na Avenida Paulista. As manifestações devem aumentar.

A voz das ruas deve enfrentar o imperialismo, derrotar o governo para garantir que o petróleo seja nosso!

A Esquerda Marxista se integra às mobilizações e campanhas contra o Leilão do Campo de Libra e do Petróleo é Nosso. Para nós a soberania e a independência só podem existir com a volta do monopólio para a Petrobrás. Para nós não há uma saída nacionalista nos limites de uma economia capitalista e em um país atrasado e dependente. Os trabalhadores, nas ruas, devem impor a ruptura com a burguesia, conquistar um governo dos trabalhadores que rompa com o imperialismo e que se coloque na via da construção do socialismo.

Nossos militantes, sindicalistas e jovens, se somam aos Atos e manifestações contra a entrega de Libra. Organizarão palestras e debates.

Os trabalhadores e a juventude devem exigir do governo Dilma o imediato cancelamento dos Leilões. Nenhuma riqueza do subsolo deverá ser entregue aos capitalistas e imperialistas! Nacionalização de todas as riquezas naturais do solo e do subsolo! Construir socialismo!

(Fontes das informações: www12.senado.gov.br e Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro)

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