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Lançamento internacional da biografia “Stalin” escrita por Trotsky, ocorrido na Cidade do México, é um grande sucesso

Confira nos detalhes como foi o lançamento do livro “Stálin”, uma obra inédita apresentada pela Corrente Marxista Internacional (CMI), com a presença do neto de Leon Trotsky, Esteban Volkov.

A mais nova e completa edição de “Stalin”, a espinhosa biografia em que Trotsky trabalhava quando foi morto, foi oficialmente lançada no Museo Casa de León Trotsky (Museu Casa de León Trotsky) na Cidade do México pela Corrente Marxista Internacional com apresentações de Esteban Volkov, neto de Trotsky, e Alan Woods, editor da nova edição do livro.

O lançamento internacional do livro, meticulosamente construído e completado em quase três anos por Alan Woods, aconteceu em 20 de agosto de 2016 no mesmo local em que Trotsky foi assassinado e no 76º aniversário do ataque que levou à sua morte no dia 21 de agosto de 1940.

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O encontro lotou o auditório do museu com cerca de 120 a 130 participantes. No momento em que o evento teve início, muitas pessoas estavam em pé para ouvir as falas dos convidados.

O encontro foi apresentado e mediado por Ubaldo Meneses, camarada da CMI no México. Ubaldo explicou que Trotsky estava trabalhando no livro quando foi assassinado e que esta biografia de Stalin não é apenas de interesse histórico, mas permanece relevante em nossos dias.

O livro traz uma análise histórica robusta que fornece diversas ideias e abre possibilidades para o movimento trotskista, assim como para a luta da juventude e dos trabalhadores contra a exploração e a opressão capitalista que vivemos hoje.

Ubaldo explicou que Trotsky foi um dos gigantes do século XX, um homem cujas ideias animaram e deram combustível ao maior evento da história humana: a Revolução Russa de Outubro de 1917.

As ideias de Trotsky, particularmente a teoria da revolução permanente, juntamente com seu grande trabalho “História da Revolução Russa” e suas análises sobre a degeneração burocrática da revolução na Rússia estão entre suas mais importantes contribuições para a teoria marxista. A nova edição de “Stalin” também pode ser incluída na lista de seus trabalhos mais importantes.

Mas, como foi explicado por Ubaldo, Trotsky não foi apenas um grande teórico, escritor e orador. Ele foi um revolucionário por completo que viveu, atuou politicamente e se engajou em seus interesses pessoais com grande intensidade e que, ao lado de Lenin, foi um dos líderes da Revolução Russa.

Embora tenha sido um dos principais líderes da Revolução de Outubro, tenha desempenhado um papel fundamental na formação do Exército Vermelho e tenha sido o comandante das forças Vermelhas na guerra civil, Trotsky acreditava que a defesa das ideias marxistas ante a contrarrevolução stalinista na União Soviética era a maior e mais importante tarefa de sua vida.

Recuperando a biografia

Em seguida Ubaldo apresentou Esteban Volkov, neto de Trotsky e diretor do Museu Casa de León Trotsky, que dedicou a maior parte de sua vida a defender as ideias de Trotsky e a lutar pela verdade sobre sua vida e sua luta contra Stalin.

Esteban começou agradecendo Alan Woods e a Corrente Marxista Internacional por seu trabalho admirável em completar e recuperar  o livro, que agora está o mais próximo possível das intenções originais de Trotsky ao escrever a biografia.

Esteban há muito luta pela recuperação da biografia de Stalin e fez uma explanação sobre a história da obra e o papel desempenhado por Charles Malamuth na publicação original que se seguiu à morte de Trotsky.

Ele explicou que, ao contrário do que muitos acreditam, Totsky não decidiu escrever a biografia de Stalin para contrariá-lo ou motivado por um sentimento de ódio e ressentimento contra ele e seus comparsas no Kremlin.

Na verdade, como Esteban explicou, Trtosky não tinha qualquer interesse real em escrever a biografia de Stalin. Na verdade, seu interesse à época era completar um livro sobre a vida de Lenin, o qual ele já havia iniciado.

O período que Trotsky e sua família viveu no exílio foi de extrema privação e perigo e Esteban explica que uma das motivações principais para escrever a biografia foi a situação econômica extremamente difícil em que eles se encontravam.

Quando uma editora americana, Harper & Brothers, ofereceu uma quantia considerável de dinheiro pela biografia de Stalin, Trotsky, apesar de relutante, aceitou o trabalho resignadamente.

Após o assassinato de Trotsky por um agente stalinista e motivada unicamente por interesses comerciais, a Harper & Brothers deu ao tradutor da obra, Charles Malamuth, cujo trabalho Trotsky não considerava inteiramente satisfatório, a tarefa de editar e completar a biografia para publicação.

Malamuth esquartejou e destruiu o livro, encurtando-o consideravelmente e adicionando diversas anotações de sua própria autoria que iam diretamente contra as ideias expressas por Trotsky na obra. Apesar dos muitos problemas e inconsistências na edição completada por Malamuth e das objeções da família de Trotsky, os editores foram adiante e lançaram o livro mesmo assim.

Nesse momento Esteban comparou uma cópia da publicação original com outra da nova edição, explicando que, removendo as péssimas anotações de Malamuth e incluindo traduções do material que ele não havia traduzido ou incluído, a obra se tornou entre 30% e 40% maior que a original. Colocando os livros lado a lado, ele mostrou que a edição original tinha cerca de 500 páginas, enquanto a nova edição contém quase 900.

Esteban explicou ainda que a biografia de Stalin escrita por Trotsky não era uma obra de interesse simplesmente por causa da criminalidade excepcional do líder soviético e que o livro não era simplesmente uma reconstrução histórica desses crimes. Na verdade, a obra é multidimensional e apresenta uma análise meticulosa de processos históricos e personalidade individuais, tornando-a um trabalho político de grande profundidade.

Esteban concluiu sua fala explicando que a CMI tomou para si há muitos anos a tarefa de salvar e resgatar a obra, uma tarefa que foi realizada com sucesso. Ele se disse pessoalmente grato a Alan e à CMI pelo trabalho árduo e meticuloso que foi empreendido na recuperação do livro, acrescento que Alan Woods e a CMI foram capazes de realizar essa tarefa como representantes genuínos das ideias de Trotsky.

Marxismo, história da União Soviética e o papel do indivíduo na história

Alan Woods foi convidado a falar e discutir a publicação da mais nova e completa edição de Stalin. Ele começou explicando a natureza histórica do evento de lançamento do livro no Museu Casa de León Trotsky.

A biografia de Stalin escrita por Trotsky, juntamente com outros trabalhos essenciais de Trotsky, é uma obra da mais alta patente dentro do arsenal teórico do marxismo. No entanto, o livro não precisava necessariamente existir. Stalin estava completamente determinando a destruir o livro e não queria que ele jamais viesse à luz. Por quê? Porque Trotsky era uma testemunha que conhecia Stalin e sua verdadeira história, assim como a da Revolução Russa. Stalin o temia acima de tudo.

Stalin estava realmente obcecado por Trotsky. Ele costumava ter sempre seus últimos escritos em sua mesa pela manhã, muitas vezes antes de serem publicados. Mas ele não acompanhava os escritos e o trabalho de Trotsky e da Oposição de Esquerda, e depois da Quarta Internacional, sem interesse político. Stalin foi um dos maiores criminosos da história da humanidade e, como todo criminoso, desejava eliminar e destruir todas as testemunhas – testemunhas de seu verdadeiro passando e de seus crimes.

Stalin era, na verdade, uma pessoa bastante superficial e medíocre. Ele nutria uma profunda inveja de Trotsky e do papel que ele desempenhou na Revolução Russa e na guerra civil. Diante das acusações de que ele havia deixado que o ódio por Stalin influenciasse seu julgamento e suas ideias, Trotsky explicou que ele não tinha qualquer relação pessoal com Stalin. Seus caminhos haviam se dividido há tanto tempo que qualquer relação pessoal entre os dois estava extinta completamente e seu sentimento pessoal em relação a Stalin não era diferente do que nutria por Hitler ou Mikado, por exemplo.

Alan falou ainda sobre o desenvolvimento do culto à personalidade em volta de Stalin após a morte de Lenin. Durante a ascensão de Stalin ao poder, desenvolveu-se entre os camaradas do Kremlin a ideia de que uma única pessoa poderia determinar o destino de um país inteiro sem qualquer colaboração ou assistência, uma monstruosa distorção do processo histórico. Uma análise do culto à personalidade é o que contribui para fazer da biografia de Stalin escrita por Trotsky uma obra única em teoria marxista.

Quando a URSS entrou em colapso, a burguesia em todo o mundo ficou eufórica. Eles declararam a morte do socialismo e o “fim da história”. Havia uma verdadeira avalanche de ataques e propaganda pesada contra o socialismo, o comunismo, o marxismo e a Revolução Russa. Desmoralizados e cínicos, muitos dos antigos comunistas e stalinista se juntaram a esses ataques.

Alan explicou que se a classe dominante e a mídia burguesa atacam continuamente o marxismo, certamente não é porque ele está morto – na verdade, é exatamente o contrário.

Como Alana destacou, o ano que vem marca o centenário da Revolução Russa, que foi de fato o evento mais importante da história humana. Foi a primeira vez que as massas – milhões de trabalhadores comuns e camponeses derrubaram um regime podre que existiu por centenas de anos e tomaram para si a tarefa de construir uma nova sociedade socialista.

A Rússia em 1917 era extremamente atrasada – mais que países como Paquistão e o México hoje em dia. O país era quase todo analfabeto e de uma população total de 150 milhões de pessoas, somente 3,5 milhões eram trabalhadores industriais.

Inimigos da revolução argumentam que a Revolução de Outubro não levou a nada ou que ela se tratou simplesmente de um golpe de estado liderado por uma pequena minoria. A verdade dos fatos, no entanto, é que a Revolução Russa foi a mais democrática revolução popular da história.

No entanto, a revolução infelizmente terminou tornando-se uma aberração, uma caricatura burocrática o espírito e das ideias que agitaram outubro. Como explicou Alan, os métodos e crimes brutais da burocracia stalinista nada tiveram em comum com as ideias de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. As raízes da degeneração da revolução a ascensão da burocracia stalinista foram explicadas por Trotsky em um de seus livros mais importantes, A Revolução Traída, obra que Alan recomendou a todos os presentes que lessem e estudassem.

Alan seguiu sua explicação falando que alguns dos maiores e mais comuns ataques ao marxismo se manifestam nas faculdades e nos campus universitários. Trata-se do argumento de que o marxismo essencialmente reduz tudo ao aspecto econômico, o que simplesmente não é verdade e qualquer estudioso sério do marxismo é capaz de demonstrar. Em última análise, os fatores econômicos são decisivos, mas não são os únicos que devem ser levados em conta em detrimento dos outros.

A história não é determinada simplesmente pela economia. A história é a história de homens e mulheres, pessoas e indivíduos. Em alguns períodos da história, indivíduos podem desempenhar um papel decisivo, como foram Lenin e Trotsky na Revolução de Outubro, por exemplo.

Marx dizia que homens e mulheres fazem sua própria história, mas não o fazem conforme sua vontade, como agentes livres e independentes do contexto econômico e social em que se encontram.

Alan explicou que Lenin e Trotsky desempenharam um papel fundamental na Revolução Russa. Sem sua presença, a Revolução de Outubro não teria acontecido, ou pelo menos não teria se desenrolado como aconteceu. No entanto, após a morte de Lenin, Trotsky ficou incapaz de mudar a situação de maneira individual no contexto da contrarrevolução stalinista.

Uma resposta simples e superficial ao questionamento de por que Stalin, e não Trotsky, saiu vitorioso na luta após a morte de Lenin é a de que ele era melhor preparado ou que tinha um melhor controle das táticas.

Mas isto não é verdadeiro e trata-se de uma explicação simplista demais para um processo extraordinariamente complexo. Stalin era ignorante e medíocre, Trotsky era um gigante. Mesmo assim, Trotsky foi derrotado pelo inferior. Alan repetiu mais uma vez que homens e mulheres não são agentes livres, acrescentando que muitos buscaram na psicologia as razões para a derrota de Trotsky, um argumento que não se mantém de pé sob séria investigação.

Em seguida, Alan tratou da conexão entre a biografia de Stalin escrita por Trotsky e uma famosa obra escrita por Marx: O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Luís Bonaparte era um homem completamente medíocre e mesmo assim conseguiu alcançar o poder na França. Através do desenvolvimento da teoria marxista do papel do indivíduo na história, nós entendemos que há períodos históricos, tempos heroicos, em que os gigantes da história dominam, e outros de desmoralização em que a mediocridade domina.

Conforme a fala de Alan, há similaridades históricas entre o período da Reação Termidoriana na França e a contrarrevolução stalinista na URSS, à qual Trotsky se referia como a Reação Termidoriana na União Soviética.

Trotsky explica que a revolução é como uma grande greve, só que em uma escala maior e em nível nacional. Greves e revoluções se desenvolvem seguindo as mesmas regras. Como Alan explicou, durante o período de ascensão revolucionária na Revolução Francesa, um período heroico, vemos a ascensão de figuras como Robespierre, Danton e Saint-Just, que foram gigantes históricos.

No entanto, quando os desejos revolucionários das massas não foram mais atendidos, um processo contrário se iniciou e a participação das massas diminuiu. É aí que se abre espaço para a mediocridade e para a ascensão de homens e mulheres inferiores. Foi durante esse período da Revolução Francesa que surgiu a figura de Napoleão Bonaparte, que destruiu muitas das conquistas da revolução, restaurou a Igreja Católica e se declarou imperador. Há uma similaridade entre estes eventos na Revolução Francesa e a ascensão de Stalin na Revolução Russa.

Alan prosseguiu tratando dos últimos anos da vida de Lenin, quando ele lutou contra os elementos adoecidos e corruptos da União Soviética e do Partido Comunista. Dado o atraso excruciante da Rússia na época e após anos de guerra, revolução e guerra civil que deixou o país em ruínas, a União Soviética se construiu sob uma fraca estrutura de democracia operária.

Como disse Marx, o desenvolvimento das forças produtivas é uma premissa necessária ao comunismo, pois quando a carência e a miséria se tornam generalizadas, a luta por necessidades recomeça e isso traz de volta à vida toda a velha escória.

A degeneração da União Soviética e a ascensão da burocracia stalinista têm raízes nesse atraso – na ressurreição de toda a velha escória. Não se pode falar em socialismo quando se está em meio à guerra civil, com o retardamento da revolução internacional, a economia em ruínas e milhões de pessoas morrendo de fome.

Este processo de degeneração da revolução se refletiu na teoria do socialismo em um só país, que na verdade é uma ideia antimarxista. Lenin e Trotsky nunca viram a Revolução Russa como um evento isolado, mas sim como um dos primeiros passos para a revolução mundial.

Alan explicou que este era o contexto em que a luta entre Trotsky e Stalin aconteceu, a luta entre as ideias do marxismo e favoráveis à democracia dos trabalhadores contra os interesses estreitos e os métodos brutais da burocracia privilegiada, representada ao fim por Stalin. Stalin não saiu vitorioso porque era mais inteligente ou mais preparado, mas justamente porque era medíocre, o que fazia com que se encaixasse perfeitamente na situação.

Uma época revolucionária exige líderes heroicos, grandes escritores e oradores, além de pensadores corajosos que consigam cooptar os desejos das massas revolucionárias e levar o movimento adiante – como foram Robespierre e Danton, Lenin e Trotsky.

Mas um período contrarrevolucionário é um período de desmoralização e refluxo da maré revolucionária. Estes períodos não demandam os gigantes da história, que normalmente se veem isolados e lutando contra a corrente, mas sim os homens medíocres e de menor envergadura.

Em seguida Alan tratou do trotskismo em si, o que ele explicou não existir na realidade. Trotskismo foi uma invenção de Zinoviev, Kamenev e Stalin. A ideia era criar uma linha divisória entre Lenin e Trotsky em um esforço para isolar os genuínos revolucionários lutando contra o surgimento da burocracia privilegiada. Na realidade, no entanto, as ideias de Trotsky estão fundamentadas em Marx, Engels e Lenin e não são diferentes de suas ideias. Na verdade, elas representam a continuação daquelas ideias e tradições, remontando ao Manifesto Comunista e antes dele.

Muitos argumentam que Trotsky foi derrotado porque não entendia de tática ou porque não imaginava o quão longe Stalin iria para derrotá-lo. Na realidade, baseado em seu entendimento de marxismo e história, Trotsky sabia que seria derrotado.

Alan explicou que, como foi notado por Trotsky, à exceção na economia nacional planificada, o regime stalinista na União Soviética só poderia ser comparado historicamente com os regimes fascistas que Mussolini e Hitler.

Sob esta perspectiva, muitos afirmaram que a União Soviética sob Lenin e Trotsky era a mesma coisa que o regime de Stalin. Muitos afirmaram também que Trotsky e Stalin eram na verdade a mesma coisa. Mas se isso fosse verdade, então por que Stalin aniquilou o Partido Bolchevique? Por que ele aniquilou a vanguarda dos antigos bolcheviques?

Criminosos não podem suportar que haja testemunhas. Da mesma maneira, Stalin, um dos maiores criminosos da história da humanidade, também não podia deixar qualquer testemunha. Trotsky sabia que não podia vencer, sabia que o movimento da história estava contra ele e só podia assistir todos ao seu redor capitularem a Stalin ou serem assassinados por ele.

Trotsky recusou-se a capitular. Ele lutou para defender a bandeira da Revolução de Outubro, as ideias genuínas de Lenin e do Partido Bolchevique para as futuras gerações. Bukharin, Zinoviev e os outros que capitularam perderam tudo e nenhuma ideia baseada em suas tradições restou. Neste sentido, Trotsky saiu vitorioso e venceu para esta geração de trabalhadores e jovens revolucionários.

Um assassino contrarrevolucionário cruel e vil assassinou Trotsky com um picador de gelo. Stalin atingiu o objetivo de matar seu inimigo. Como disse Alan, seres humanos são fracos e frágeis. Eles podem ser alvejados, esfaqueados ou mortos de outra maneira. Na verdade, é bem fácil acabar com a vida de um indivíduo. Ideias, no entanto, não são facilmente destruídas. Não é possível matar uma ideia, especialmente uma ideia cujo tempo chegou.

Alan explicou que, pensando desta maneira, Trotsky foi vitorioso. As ideias de Leon Trotsky, as ideias do leninismo, bolchevismo e da Revolução de Outubro não morreram em agosto de 1940. Na verdade, as lutas baseadas nestas ideias continuam em nossos dias. Já se passaram 76 anos desde a morte de Leon Trotsky e onde estamos hoje? As ideias de Trotsky, as ideias do marxismo, mantêm-se como as únicas atualmente capazes de nos levar adiante na luta contra a miséria, a pobreza, a exploração de classe e a opressão que sofremos sob o capitalismo.

O fato de que o “Trotskismo” continua a assombrar a burguesia e os líderes reformistas e stalinistas do movimento dos trabalhadores é evidência do poder destas ideias. As ideias genuínas do marxismo são as únicas que podem explicar aos trabalhadores e à juventude os problemas da sociedade e suas soluções. É o poder destas ideias que Stalin não foi capaz de destruir.

Alan terminou sua explicação dizendo que o único caminho em frente é lutar e continuar lutando baseando-se nestas ideias. As pessoas infelizmente podem cair no desespero e quererem se esconder da luta. Como já foi dito antes, você pode ignorar a política, mas a política não vai ignorar você. Pode-se tentar esconder dela em casa, mas a política inevitavelmente vai bater à porta. Por esta razão, nós precisamos ser corajosos, preparados e organizados.

Por fim, Alan falou sobre a grande tradição revolucionária do povo mexicano.  A tarefa central agora para os trabalhadores e para a juventude é retornar às ideias do marxismo e levar a luta adiante. Nós precisamos nos unir e nos organizar ao redor das ideias marxistas. Neste momento final, Alan encorajou todos os presentes a leres e estudarem a biografia “Stalin” assim como as outras ideias encontradas nos trabalhos de Marx, Engels, Lenin e Trotsky. Unidos e fundamentados sobre as ideias marxistas, nosso destino certo é a vitória na luta contra a miséria do capitalismo.

Discussões e apontamentos

As falas de Esteban Volkov e Alan Woods foram seguidas por uma vívida discussão. O debate se focou principalmente em como levar o movimento e a luta adiante no México e em diversos outros países, e como levar as ideias de Trotsky e do verdadeiro socialismo às massas.

Esteban Volkov fez seus apontamentos finais dizendo que ele desejava um mundo melhor e que o futuro da humanidade dependia da conquista de um mundo melhor. Há duas perspectivas: a miséria e a destruição do planeta pelo capitalismo ou um mundo humano sob o socialismo. Ele encerrou compartilhando algumas memórias relacionadas à morte de Leon Trotsky, dizendo que se sentia muito feliz e orgulhoso com o fato que ainda havia tantas pessoas interessadas nas ideias que seu avô defendia.

Muitas perguntas foram direcionadas a Alan Woods sobre a história da União Soviética e do stalinismo. Alan falou sobre as conquistas da economia nacional planificada, incluindo as taxas de crescimento espetaculares e os avanços científicos que foram alcançados e jamais equiparados por qualquer outro país capitalista, apesar da gigantesca corrupção e má administração da burocracia privilegiada da URSS. Estas conquistas nos são apenas um vislumbre do que poderia ser atingido com a construção de um verdadeiro socialismo internacional.

Uma das maiores mentiras disseminadas pela classe dominante e pelos inimigos do marxismo é a de que o socialismo falhou na União Soviética. Na verdade, o que falhou e não podia ter outro destino senão falhar, como Trotsky já havia previsto em 1937, foi o stalinismo.

Como Trotsky explicou nos anos 1930, a economia nacional planificada necessita de democracia – uma verdadeira democracia dos trabalhadores – da mesma forma que o corpo humano necessita de oxigênio. Sem uma verdadeira democracia dos trabalhadores, a burocracia e a corrupção tomam conta. Isso a história já demonstrou diversas vezes. O crescimento parasitário da burocracia soviética, que agia como gargalo da economia soviética, não são argumentos contra o planejamento econômico, a nacionalização ou o socialismo, mas são argumentos poderosos contra o stalinismo, a má gestão burocrática e a corrupção.

O ponto final do debate foi sobre o desenvolvimento da crise do capitalismo. A correnteza histórica mudou profundamente com o colapso da União Soviética nos anos 1990, mas a história está mudando novamente. A crise do stalinismo levou a uma crise muito mais profunda: a crise do sistema capitalista como um todo.

A crise do sistema capitalista global pode ser vista por toda parte, do México e outros países da América Latina à Grécia, Espanha, Grã-Bretanha e agora até mesmo nos EUA. Neste último ela se refletiu com a ascensão do fenômeno Bernie Sanders. Cerca de um ano atrás, quase ninguém havia ouvido falar dele, mas com a crise o seu apelo por uma “revolução política contra a classe dos bilionários” entrou em ressonância com o povo e reverberou poderosamente. Agora não é hora para baixar a moral das tropas ou entrar em desespero, mas de ter esperança e otimismo.

Alan terminou sua fala explicando que a crise do capitalismo está golpeando fortemente a população, acordando as massas de um longo cochilo. Hoje podemos ver as mudanças de consciência surgindo como resultado disso. Os marxistas ainda podem ser encontrados, mas somente em grupos pequenos. No entanto, se nós nos unirmos e nos organizarmos ao redor das ideias defendidas por Lenin e Trotsky, nós podemos transmitir essas ideias às massas de trabalhadores e jovens. Essas ideias nos mostram o caminho à frente e são as únicas capazes de liderar a derrubada do capitalismo e a construção de uma sociedade realmente humana – a do socialismo internacional.

Artigo publicado originalmente em 22 de agosto de 2016, no site da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título “International launch of Trotsky’s “Stalin” in Mexico City a grand success.

Tradução de Felipe Libório.

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