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Lançada a nona edição da revista teórica marxista América Socialista

Nesta edição, a América Socialista concentra seus artigos na necessidade de aprender com as guerras e as revoluções.

Com satisfação, a Esquerda Marxista lança a nona edição de sua revista teórica, a América Socialista.

O artigo que abre a revista, de Serge Goulart, apresenta uma análise profunda do desenvolvimento da crise econômica e política no Brasil nos últimos três anos, a partir da abertura de uma nova situação com as Jornadas de Junho de 2013. É analisado o processo de impeachment do governo Dilma, impulsionado pela burguesia nacional e seus representantes políticos no interior do parlamento, contrariando as orientações da burguesia imperialista. O texto revela os objetivos políticos da Operação Lava Jato, as semelhanças e diferenças entre ela e a Operação Mãos Limpas, ocorrida durante a década de 90 na Itália. Trata também do caráter do governo Temer, de mais ataques aos direitos e conquistas, assim como suas fragilidades políticas. O artigo explica as palavras de ordem apresentadas pelos marxistas na atual situação no Brasil, que inclui, junto com a necessidade da derrubada do governo Temer e do podre Congresso Nacional, a perspectiva de uma Assembleia Popular Nacional Constituinte e de um governo dos trabalhadores.

Ao final, o texto apresenta um balanço do 1º turno das eleições municipais de 2016. O resultado evidencia a falência política do PT e a irremediável ruptura com sua base social histórica, consequência da política de colaboração de classes com a burguesia e das seguidas traições dos governos petistas. Explica, ao mesmo tempo, que não existe uma “onda conservadora”, como defendem alguns setores da esquerda. O que segue é uma situação marcada pela instabilidade e imprevisibilidade, com seguidas demonstrações de disposição de luta de jovens e trabalhadores.

Seguimos com um artigo da Corrente Socialista El Militante, da Argentina, que faz um balanço da chegada ao poder de Macri, formando um governo composto por 27 diretores executivos de grandes empresas e bancos internacionais. O artigo trata da responsabilidade do kirchnerismo e do governo de Cristina para a vitória desse governo de direita.

Assim como no Brasil e em várias partes do mundo, o que se constata é a instabilidade do governo Macri. Sem apoio popular, o governo já tem enfrentado manifestações de massa, como a ocorrida no dia 24 de março desse ano. Cerca de 1,5 milhão de pessoas foram às ruas no dia que marcou os 40 anos do golpe militar no país, dando um caráter contra o governo à manifestação. O artigo finaliza apresentando a necessidade da construção de um partido da classe trabalhadora na Argentina.

No terceiro texto, Andreas Maia retoma os clássicos do marxismo e as experiências revolucionárias da história. São apontadas as tarefas dos comunistas na construção da organização revolucionária, baseada no bolchevismo, fator determinante para que a classe trabalhadora, em uma situação revolucionária, encontre o caminho da tomada do poder.

Já Ubaldo Oropeza escreve sobre a visita de Obama a Cuba e os debates do VII Congresso do Partido Comunista Cubano (PCC). Claramente a política dos EUA em relação a Cuba se modificou com o restabelecimento de relações diplomáticas iniciado em dezembro do ano passado. Mas isso em nenhum caso quer dizer que o objetivo final do imperialismo se modificou, foi somente sua estratégia. Tendo fracassado o ataque direto durante mais de 50 anos, agora, tratam de usar as artimanhas do mercado (remessas de dinheiro do exterior, investimentos estrangeiros, mercadorias baratas) para destruir a Revolução Cubana e todas as suas conquistas.

Claramente esta nova situação abriu um debate muito intenso na ilha sobre o futuro da revolução. Os documentos aprovados pelo Congresso do PCC em abril, mesmo que formalmente falem de “defesa da propriedade socialista” e “fortalecer o modelo socialista”, na realidade apontam para toda uma série de medidas contrárias que dão bases para a restauração do capitalismo. Para nós, a alternativa a esse caminho é a democracia operária e o internacionalismo proletário.

No artigo As revoluções chinesas, Alex Minoru retoma as tradições revolucionárias do povo chinês. Ele aborda desde as revoltas camponesas no século XIX, passando pelo movimento nacionalista republicano, que vai levar a uma revolução democrático-burguesa em 1911 (revolução Xinhai) que depôs o regime dinástico. Também analisa a revolução proletária entre 1925 e 1927, com um balanço das traições das orientações da Internacional Comunista, até chegar à Revolução de 1949, liderada pelo Partido Comunista Chinês sob a direção da Mao Tsé-tung. O texto também apresenta o que significou a instauração de um estado operário deformado desde seu nascimento na China e, posteriormente, a restauração do capitalismo no país.

No interessante artigo sobre a maior guerra camponesa da América do Sul, a Guerra do Contestado, Serge Goulart aborda o desenvolvimento deste pouco conhecido levante ocorrido no Brasil, na região entre os Estados do Paraná e de Santa Catarina. Esta guerra teve como origem um conflito fundiário entre os camponeses e empresas com capital norte-americano, coronéis, fazendeiros, apoiados pelo exército, que entrou na guerra para apoiar o massacre de aproximadamente 10 mil camponeses. Este conflito se encerrou em 1916 com a rendição dos revoltados.

Com orgulho, anunciamos também a publicação da nova edição de Stalin, a biografia do líder da burocracia soviética. Leon Trotsky estava escrevendo a obra, mas ela ficou incompleta por conta de seu assassinato a mando do próprio Stalin. Alan Woods e Rob Sewell explicam a importância desta nova edição que a WellRed books (a editora da Corrente Marxista Internacional em língua inglesa) acaba de apresentar. Foi um trabalho de anos de diferentes camaradas para eliminar as distorções políticas introduzidas pelo tradutor, Charles Malamuth, e acrescentar novamente uma grande quantidade de material inédito escrito por Trotsky que o editor deixou de fora da antiga edição. No último 20 de agosto, data do atentado que tirou a vida de Trotsky em 1940, na Casa Museo Leon Trotsky, no México, foi realizado o lançamento mundial do novo livro, com a presença de Esteban Volkov, neto de Trotsky. Esperamos apresentar esta última obra inédita de Trotsky, em português, ainda em 2017, centenário da Revolução Russa.

O artigo de David Rey trata da Guerra Civil Espanhola e a revolução que desatou. Nesse ano, completam-se 80 anos do início da guerra, cujo estopim foi a tentativa de golpe dos fascistas. O artigo retoma os antecedentes da revolução – a ascensão da luta da classe trabalhadora no início da década de 30, a proclamação da república, os ataques à classe trabalhadora no “Biênio Negro” (1933-1935), a ida à esquerda do Partido Socialista, o sectarismo da Esquerda Comunista – que não atendeu aos apelos de Trotsky para ingressarem nas Juventudes Socialistas, perdendo uma oportunidade histórica –, a vitória eleitoral da Frente Popular em 1936, etc. O texto faz um balanço também do papel jogado pelos anarquistas e da política criminosa aplicada pelo Partido Comunista Espanhol, seguindo as diretrizes vindas da Rússia. A contrarrevolução avançou e triunfou em 1939. A Revolução Espanhola merece um estudo cuidadoso dos revolucionários, pela riqueza de lições que podem ser extraídas para os futuros combates da classe operária.

Por fim, publicamos a segunda parte da Plataforma Política de Luta pela Emancipação da Mulher Trabalhadora, elaborada pela Comissão de Mulheres da Esquerda Marxista. Nessa parte, o documento aborda a questão da maternidade, os abusos cometidos na hora do parto, os procedimentos desnecessários que visam o lucro e não a saúde da mãe e do bebê, além da necessidade de ampliação da licença maternidade e também da licença paternidade. O texto trata da necessidade da educação pública, gratuita e para todos. A questão da comercialização do corpo e uma de suas expressões, a prostituição, colocando-se contra propostas de regulamentação da exploração da prostituição e apontando que a luta é por empregos e condições dignas de vida para o conjunto da classe trabalhadora. O documento trata ainda da opressão sobre a sexualidade, apresentando uma perspectiva de classe sobre essa questão. Finaliza abordando a previdência como uma conquista do conjunto da classe trabalhadora que tem sido seguidamente atacada. O governo Temer prepara mais uma contrarreforma para instituir uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homens e mulheres. A conclusão é de que a luta contra o machismo é parte da luta contra o capitalismo, e que homens e mulheres da classe trabalhadora devem marchar juntos para lutar contra esse sistema. 

Esperamos que nossos leitores apreciem a nova edição da América Socialista em português, órgão teórico da Corrente Marxista Internacional para o continente americano.

Pedimos também que pela aquisição da revista, nossos apoiadores façam uma boa contribuição financeira, já que ela é parte da campanha de arrecadação da Esquerda Marxista. Compreendemos que a independência nas finanças é uma condição para a independência política. Por isso, nossa sustentação financeira é baseada nas contribuições de militantes e apoiadores da organização.

Grandes acontecimentos se avizinham. Conhecer o passado, analisar cuidadosamente a situação presente utilizando o materialismo dialético, são condições fundamentais para nos prepararmos para os grandes combates que nos aguardam.  Esperamos que esta revista cumpra seu papel nessa preparação. Boa leitura!

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