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Juventude do Syriza exige Congresso extraordinário

A Esquerda Marxista, seção brasileira da CMI, vem acompanhando os recentes eventos na Grécia e publicando uma série de textos sobre o assunto, dada a importância que os mesmos terão para o futuro da luta de classes em todo o mundo. Ao aceitar a imposição da Troika após a população ter votado em peso contra as medidas de austeridade, abriu-se uma crise política no SYRIZA.

A Esquerda Marxista, seção brasileira da CMI, vem acompanhando os recentes eventos na Grécia e publicando uma série de textos sobre o assunto, dada a importância que os mesmos terão para o futuro da luta de classes em todo o mundo. Ao aceitar a imposição da Troika após a população ter votado em peso contra as medidas de austeridade, abriu-se uma crise política no SYRIZA.

Os camaradas da Tendência Comunista do SYRIZA, seção grega da CMI, vêm combatendo pela ruptura com a austeridade e por uma virada em direção ao socialismo. A Tendência Comunista denunciou o golpe dado não apenas no povo grego, mas no próprio partido, quando a decisão pelo acordo foi realizada sem sequer uma reunião de seu Comitê Central e vem agitando a necessidade de uma reunião urgente do CC e da convocação de um Congresso Extraordinário do partido. Tsipras, por sua vez, ameaça a convocação de novas eleições, com a exclusão das listas de todos os deputados que votaram contra o acordo.

A Juventude do SYRIZA publica agora uma carta, colocando-se contra o acordo e exigindo a reunião imediata do CC e convocação de um congresso extraordinário, para debater os rumos do partido. Ao escolher a União Européia, Tsipras vai se afastando do povo que o elegeu, como também das bases de seu próprio partido.

O NÂO (OXI) ao asfixiante memorando deve se  transformar em um NÂO ao sistema capitalista, para que a juventude e o povo trabalhador grego possam respirar novamente. Como explica a carta da Juventude do Syriza, “nós lutamos para tornar alcançável aquilo que hoje parece impensável”.

Comunicado da juventude do Syriza sobre o acordo-memorando e o futuro do Syriza

O acordo a que conduziram as negociações de 13 de julho, ao longo de muitos meses, lideradas pelo governo Syriza-Anel, constitui, sem nenhuma dúvida, uma derrota enorme das forças da esquerda radical na Grécia. O golpe de Estado inédito implementado pelos credores não é mais do que o último episódio de uma série de chantagens extremas que conduziram o governo a um impasse político sufocante.

No entanto, seria muito estranho interpretar o resultado das negociações como unicamente determinado pelas escolhas dos credores. Somos obrigados a avaliar de forma negativa a subestimação das relações de forças no seio da Zona Euro, a convicção inabalável de que argumentos racionais poderiam persuadir as “instituições” a favor de um acordo “mutuamente benéfico”, mas também que a ameaça de um Grexit poderia ter tido um papel catalisador para a vitória da nossa proposta. Tudo isto contribuiu de maneira decisiva para a ausência de um plano alternativo de ruptura que, no quadro das negociações, pudesse funcionar como uma escolha do governo; tudo isto foi um fator decisivo para o nosso sequestro político.

Paralelamente, a grande complacência no aspeto técnico das negociações, como forma de alcançar um “compromisso honroso” que era dado por certo, não deixou espaço para o entusiasmo e a dinamização, que a participação da sociedade tinha criado, contra a dominação dos tecnocratas e a busca de um exercício político imperturbável pela mudança. Além disso, abstivemo-nos de ações “unilaterais” que pudessem mudar o campo do conflito para dentro, consolidamos as nossas relações com as pessoas que representamos, demos o sinal de partida para novas lutas, asseguramos os meios para a implementação do nosso programa.

Ante toda esta situação, a insuficiência do aparelho do partido (e da organização de juventude) foi determinante. A não convocação do Comité Central antes do voto parlamentar dos trâmites do acordo deslocou o peso da decisão para órgãos incompetentes, como o grupo parlamentar, e para a consciência individual de cada um dos deputados eleitos. A fraqueza política dos órgãos de direção do partido e as tomadas de decisão fora dos procedimentos coletivos são dois aspetos complementares da mesma situação.

O acordo assinado tem a marca das relações de força esmagadoras no seio da Zona Euro e das chantagens perpetradas contra o governo e o povo gregos. Este sequestro político e este impasse que estamos a pagar obrigam-nos a reconsiderar novamente os eixos e as orientações deste plano.

Temos o dever de considerar que, afinal, a União Europeia e a Zona Euro funcionam como um sistema neoliberal em forma de instituição, limitando ao máximo as margens da sua transformação. A nossa estratégia internacionalista deve passar pela ruptura com estas formações e pela reivindicação da democracia e da soberania popular como condição prévia para contestar o neoliberalismo.

A adoção pelo voto parlamentar do terceiro memorando acontece contra as nossas referências ideológicos, as nossas decisões coletivas, inverte a longa marcha do Syriza e cria o risco de que seja esmagada a esperança no único país da UE onde a esquerda conseguiu uma vitória histórica. Por essas razões, posicionamo-nos contra o acordo.

É imperativo, nesta fase, que seja imediatamente convocado o Comitê Central do Syriza e que seja imediatamente convocado um Congresso extraordinário, instância máxima de decisão do partido, que terá a responsabilidade total pelo balanço da etapa precedente e pela planificação estratégica da etapa seguinte. Também o Syriza tem uma responsabilidade: deve proteger todos os seus membros contra ataques pessoais, que são, na sua metodologia, estranhos aos valores da esquerda.

É inconcebível, neste contexto, deixar de lado a importância maior do resultado do referendo. Neste caso, o governo conseguiu, durante breve período, fazer do povo protagonista, ao escolher dar-lhe a palavra contra a chantagem extrema, a asfixia financeira, os bancos fechados, o frenesi dos meios de comunicação social.

O referendo, enquanto processo social e enquanto veredito popular, mostra que a batalha pela constituição de uma aliança social capaz de ampliar a democracia, as sinergias e a solidariedade em todos os lugares da vida em sociedade é, mais do que nunca, portadora de uma dinâmica vitoriosa.

No que nos diz respeito, a luta por um mundo mais justo não é uma justificação moral, mas uma maneira de transformar o nosso cotidiano, as nossas vidas, a sociedade. Continuaremos a caminhar neste sentido, tendo permanentemente presente no espírito que a história é um campo do possível, no qual nós lutamos para tornar alcançável aquilo que hoje parece impensável.

Juventude do Syriza

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