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Justiça de Alagoas determina prisão de legistas do IML em greve

 

Neste sábado, segundo dia de greve nos dois únicos institutos médicos legais de Alagoas, todos os profissionais suspenderam as atividades, a Justiça decretou a prisão de dois médicos legistas e o Sindicato dos Médicos pediu que todos os profissionais de Medicina Legal deixassem a cidade de Maceió para não serem presos.

Neste sábado, segundo dia de greve nos dois únicos institutos médicos legais de Alagoas, todos os profissionais suspenderam as atividades, a Justiça decretou a prisão de dois médicos legistas e o Sindicato dos Médicos pediu que todos os profissionais de Medicina Legal deixassem a cidade de Maceió para não serem presos.

Como houve ameaça de invasão da sede do instituto por familiares, o Centro de Gerenciamento de Crises da Policia Militar foi acionado para evitar o quebra-quebra do local. O juiz Maurício Brêda, integrante do Conselho Estadual de Segurança, esteve no local e constatou que nenhum médico apareceu para trabalhar.

“Os médicos Sérgio Marinho de Gusmão e José Renalvo Alves Barbosa incorrem em crime porque não podem suspender um serviço considerado essencial. Como estão prevaricando, estão com ordem de prisão”, disse o magistrado, que pediu a prisão dos médicos, mas, ao entregar a ordem no IML da capital, não localizou nenhum profissional. Policiais civis foram acionados para fazerem buscas nas casas dos médicos.

Até o final na tarde deste sábado, o IML de Maceió acumulava 17 corpos. Um deles era o de Belmiro Alves Nobre, 38 anos, assassinado a tiros em um ponto de ônibus no bairro de Jatiúca. Faz 14 horas que o corpo está no instituto.

“Não tem previsão de liberação. Falaram que só na quarta-feira. Não é possível. É muita dor. Meu avô (pai de Belmiro) não aguenta mais”, disse a jornalista Laíse Moreira.

O avô de Laíse foi convencido a deixar o IML após a entrevista. Mas, ele avisou que voltará às 2h para a porta do instituto. Só deixa o local com o corpo do filho.

O pai de Alexandre da Silva Santos, Antônio Alexandre da Silva, também não tem notícias do filho. O jovem de 23 anos foi assassinado a tiros na cidade de Rio Largo, a 25 km da capital, por volta das 21h30 de sexta-feira. Em quase 24 horas de espera, não sabe quando nem como vai realizar o funeral. “Disseram que ninguém seria liberado”, afirmou.

Mesma agonia para a família de Valderi Jorge da Silva, 26 anos. Ele morreu no Hospital Geral do Estado, após ser atingido por tiros no bairro do Jacintinho – um dos mais violentos da capital alagoana.

“É uma injustiça isso. O que eu vou dizer a minha mãe? O Brasil não pode ser um país tão cheio de gente ruim. Eu nunca mais vou ver meu irmão vivo. Será que ninguém vê isso?”, pergunta a irmã, Daijana Jorge da Silva.

Em reação à greve dos médicos legistas, o Sindicato dos Médicos pediu que os profissionais deixassem Maceió para não serem presos. De acordo com o presidente do sindicato, Welington Galvão, os atendimentos estão suspensos por tempo indeterminado. Ele confirmou que, por falta de condições de trabalho, nem os 30% dos serviços definidos por lei estão mantidos. Na próxima terça-feira, médicos e governo voltam a sentar, para discutir o fim da greve.

Esta é a segunda vez, este ano, que os médicos legistas entram em greve por pagamento de gratificações e melhoria nas condições de trabalho. Sem registro fotográfico, o Terra conseguiu entrar no IML: além do cheiro insuportável, corpos se acumulam no chão, nas pedras de necropsia, e as geladeiras estão superlotadas.

Em junho, 124 corpos foram enterrados em Alagoas sem necropsia. Na sexta-feira, o Ministério Público Estadual pediu à Justiça que os corpos fossem sepultados nas mesmas condições. A direção do instituto vai contratar um caminhão frigorífico para que os cadáveres não apodreçam no chão do IML.

O IML de Maceió funciona no mesmo local há 80 anos, mas o prédio nunca foi próprio. O governador Teotonio Vilela Filho (PSDB) e o secretário de Defesa Social, coronel Dário César, prometem para o próximo ano um novo instituto. As obras, entretanto, não começaram. Enquanto isso, a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) cedeu o prédio do Centro de Ciências Biológicas (CCBI), que fica ao lado do IML, para ajudar nos trabalhos.

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