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Joinville realiza atividade sobre a revolução Francesa

Imagem: A Tomada do Palácio das Tulherias em 10 de Agosto de 1792, obra de Jacques Bertaux retrata o momento conhecido como a queda da monarquia francesa.

No último sábado (26/11), foi realizada em Joinville uma atividade sobre a Revolução Francesa. Os camaradas Fernando Assis e Adilson Mariano foram responsáveis pelo informe, que relatou aos participantes a importância da chamada “Grande Revolução”. Iniciada em 1789, com a instalação da Assembleia Nacional Constituinte, encerrou em novembro de 1799, com a tomada do poder por Napoleão Bonaparte. Durante os 10 anos, foram alcançados diversos avanços, demonstrando que a população tem poder para derrubar governos e implantar mudanças. 

No período anterior à revolução, a França vivia sobre o regime feudal que entrava em crise. A maior parte da população estava sem comida, enquanto a monarquia esbanjava em festas luxuosas. Era literalmente a nobreza montada no povo – chamado Terceiro Estado. O início da revolta se deu com a tentativa do rei de aumentar os impostos sobre a população – o clero e a nobreza eram isentos.

É neste momento que os representantes do Terceiro Estado, à revelia do rei Luis XVI, se autodeclaram Assembleia Nacional Constituinte. Vale lembra que não foi a Queda da Bastilha, em 14 de julho de 1789, responsável por inicar a revolta, mas sim essa proclamação da dualidade de poderes. A Bastilha era uma prisão que encarcerava principalmente presos políticos. Além disso, o povo tinha as armas, mas faltava a munição. Um dos golpes mais duros sofridos pelo feudalismo aconteceu na noite de 4 de agosto, quando um nobre propôs o fim de todos os privilégios da nobreza, na Assembleia Constituinte. A medida foi concretizada durante o governo jacobino.

A constituição dos participantes da Revolução Francesa também é outro fato relevante. Os clubes, em especial o Clube dos Jacobinos, foi responsável por impulsionar a revolta e por criar os principais líderes. Também a idade desses líderes, que eram jovens. Quando o movimento iniciou, Marat, o mais velho, tinha 46 anos. Robespierre tinha 31, Danton 30 e Saint Just 29. Ou seja, novamente a juventude iniciando a luta.

As mulheres também tiveram um papel fundamental para o desenvolvimento da Revolução. Em 5 de outubro de 1789 cerca de 6 mil mulheres, revoltadas com os rumores das festas suntuosas realizadas pela nobreza, com a miséria da população e os prenúncios de um golpe por parte do rei, marcharam até o castelo real, em Versalhes. Foi essa marcha que obrigou a transferência do rei de Versalhes para Paris. 

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, 1789, apesar de expressar os desejos burgueses, serviu como alavanca para o aumento da revolta da população. A Declaração demonstrava o rompimento da burguesia com o antigo regime feudal. Em uma de suas cláusulas, previa o direito à propriedade privada.

No final de 1793 e início de 1794 a Revolução atingia seu auge e, ao mesmo tempo, sofria ameaças contrarrevolucionárias internas e externas. Surge então o Terror, em resposta aos ataques da burguesia, responsáveis pelo assassinato de Marat – Robespierre estava à frente da Assembleia. Milhares de franceses foram guilhotinados durante esse período, até que em 1794, através de um golpe, alas mais moderadas tomam a Assembleia levando Robespierre e Saint Just à guilhotina. É importante ressaltar que o Terror Branco, seguido do Terror, foi responsável por um número muito maior de mortos, numa tentativa de aniquilar as forças revolucionárias.

Apesar de burguesa, a Revolução Francesa conquistou vários avanços e serve de estudo para quem deseja entender mais sobre a importância das massas. A sua vitória, a derrubada da monarquia, só foi possível devido a participação das massas populares. Também devido a Ditadura Revolucionária e Democrática dos Jacobinos, que por métodos plebeus, resolveu rapidamente os principais problemas que se levantaram para a revolução burguesa. O mais importante, contudo, foi seu caráter permanente. 

Foi na Revolução Francesa que surgiram os termos Direita, Esquerda e Centro. Isso porque na Assembleia Nacional, os deputados que queriam as mudanças sentavam-se à esquerda do presidente. Os que não queriam, à direita e os que estavam em dúvida sentavam em frente, ou seja, no centro. Como exemplo, os Girondinos, surgidos do primeiro racha dos Jacobinos, faziam parte da ala da Direita. Os Jacobinos da Esquerda.

A revolução também conquistou diversos avanços, como a abolição da escravidão nas colônias francesas, confisco das terras da nobreza emigrada e da Igreja, que foram divididas em lotes menores e vendidas a baixo preço aos camponeses pobres (Reforma Agrária). A ‘Lei do Máximo ou Lei do Preço Máximo‘, estabelecendo um teto máximo para preços e salários. Auxílio aos indigentes, que participaram da distribuição dos bens dos condenados. A organização de um exército revolucionário e popular que liquidou com a ameaça externa. Organização dos comitês: o Comitê de Salvação Pública, formado por nove membros e encarregado do poder executivo, e o Comitê de Segurança Geral ou Nacional, encarregado de descobrir os suspeitos de traição. A elaboração da Constituição do Ano I (1793), que pregava uma ampla liberdade política e o sufrágio universal masculino. Criação do ensino público gratuito e fundação do Museu do Louvre, da Escola Politécnica e do Instituto da França estão entre os principais.

A Revolução Francesa inspirou a Revolução Negra do Haiti (1804) e a Comuna de Paris (1871). Também deixou registrado o nascimento do movimento operário. 

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