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Itália: a próxima bola da vez?

A situação italiana se agravou com o anúncio da saída do Reino Unido da União Europeia.

A União Europeia parece mesmo um barco a deriva, perdido em meio às tormentas do furioso mar da crise capitalista. A saída do Reino Unido do bloco, referendada após o plebiscito da última sexta-feira, foi a primeira rachadura no casco, e assim como ocorreu com o célebre transatlântico Titanic, uma pequena abertura pode afundar um navio inteiro…

Mas a impressão geral é que o “Brexit”, como ficou conhecida a deserção britânica, foi apenas a primeira rachadura. Muitos outros países do bloco enfrentam problemas iguais ou muito piores dos que os que empurraram os britânicos a votar por deixar a UE. Um dos casos mais preocupantes no momento, segundo os porta-vozes de Bruxelas, é a Itália.

A economia do país de Dante Alighieri e Fellini dá dores de cabeça aos analistas do mundo inteiro há muitos anos. A economia cresce a passos de tartaruga, tendo atingido insignificantes 0,3% no primeiro trimestre deste ano. Outro problema crônico é a taxa de desemprego, que supera os dois dígitos desde 2008 e hoje está, oficialmente, em 11,4%.

Esse cenário ruim ficou ainda pior com a saída de Londres do bloco. O pasmo se misturou ao temor pelo futuro e os investimentos são ainda mais escassos do que antes. Para os italianos, que acumulam ao menos 270 bilhões de libras (aproximadamente 323 bilhões de euros) de papéis podres em seu sistema bancário, o Brexit não poderia ter vindo em pior hora.

Desesperado diante do iceberg que se aproxima, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi já assegurou que vai, ao mesmo tempo, reverter os problemas nos bancos do país, cujas atividades caíram em 26%, e proteger os depósitos e a renda dos contribuintes. Em suma, promete carne ao lobo e proteção ao cordeiro…

O senhor Renzi não é o primeiro a fazer tais promessas e, assim como seus colegas na Europa e no resto do mundo, não há indício algum de que consiga cumpri-las. Nem ele nem nenhum outro governante ou instituição capitalista pode oferecer saída alguma exceto mais destruição de forças produtivas e ataques aos trabalhadores. A nós, cabe resistir e lutar pela construção de uma outra sociedade, de maneira escapar desse Titanic chamado capitalismo, que afunda cada vez mais rapidamente…

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