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Informe ao 29º Congresso da Esquerda Marxista

A preparação do 29º Congresso da Esquerda Marxista (28, 29 e 30/04/2012) se desenrola numa situação internacional em que a crise econômica que explodiu em 2008 domina o planeta afetando todos os países de uma ou outra maneira. Nenhum país está imune.
Em agosto de 2011, o CC da Esquerda Marxista afirmou sua posição partindo do Manifesto Comunista:

 

A preparação do 29º Congresso da Esquerda Marxista (28, 29 e 30/04/2012) se desenrola numa situação internacional em que a crise econômica que explodiu em 2008 domina o planeta afetando todos os países de uma ou outra maneira. Nenhum país está imune.

Em agosto de 2011, o CC da Esquerda Marxista afirmou sua posição partindo do Manifesto Comunista:

 “As forças produtivas de quê dispõe não mais favorecem o desenvolvimento das relações de propriedade burguesa; pelo contrário, tornaram-se por demais poderosas para essas condições, que passam a entravá-las; e todas as vezes que as forças produtivas sociais se libertam desses entraves, precipitam na desordem a sociedade inteira e ameaçam a existência da propriedade burguesa. O sistema burguês tornou-se demasiado estreito para conter as riquezas criadas em seu seio. De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las” (Manifesto Comunista, 1848).

“Entretanto, para aplicar esta receita de destruição a burguesia tem que se enfrentar com o proletariado. E, diferente das décadas passadas em que podia contar com a força e a implantação dos partidos operário-burgueses, os PSs e os PCs, para frear e desviar a resistência das massas, isto hoje já não é mais possível. Estes partidos estão desmoralizados e não controlam mais a classe como o fazia no passado. Se ainda recebem seus votos nas eleições (e cada vez menos) é porque a classe trabalhadora não deseja a direita governando. O triste papel de manobrar com as massas e frear seu ímpeto revolucionário estão hoje entregue às direções sindicais que, entretanto, tem limitadas margens de manobra e rápido se chocam com suas bases já que nada conseguem para oferecer.”

“As greves gerais e as manifestações magnificas na Europa, as revoluções no Oriente Médio e no Magreb, os 200 mil manifestantes em Israel, são os problemas que a burguesia não sabe como resolver. Mas que a classe operária também não tem como resolver positivamente neste momento. A ausência de partidos revolucionários com influência de massas, a resistência das massas, sua mobilização, e a incapacidade da burguesia em resolver a crise sem ataques provavelmente manterá esta situação convulsiva por muitos anos. É neste caldeirão é que se forjarão os dirigentes e os partidos operários revolucionários com influencia de massa capazes de abrir um caminho para toda a Humanidade. Nunca antes a classe operária precisou tanto de uma verdadeira Internacional revolucionária. Resolver isto é uma tarefa que exige anos de luta e de preparação”. (Resolução do CC da EM: Europa e EUA em crise – Perspectivas para o Brasil, 20/08/2011 – http://marxismo.org.br/index.php?pg=artigos_detalhar&artigo=836). 

Este é o centro da questão e esta situação só fez se agravar e tornar ainda mais atual a análise realizada. A situação exige uma compreensão profunda da realidade e uma análise dialética e precisa sobre como se criou a atual situação, em que momento da enfermidade está o sistema e quais as perspectivas de desenvolvimento desta situação, como reage e como luta a classe operária e quais são as tarefas dos marxistas.

Qual é o fundo da questão e o que daí decorre para os marxistas

O capitalismo da época imperialista é um sistema global e seu equilíbrio ou desiquilíbrio é mundial. Isso obviamente não quer dizer que todos os países são afetados da mesma forma e ao mesmo tempo quando há uma crise. Há diferentes níveis e velocidades que dependem da história, da política, da forma e do tipo de ruptura, ou do setor econômico em que ocorre a ruptura, em determinado estágio do ciclo econômico.

Não é atoa que o centro mundial da crise que abala o planeta está situado na Europa e nos Estados Unidos. Aí está o centro do capitalismo e o centro da especulação financeira internacional. Um sistema econômico que passa a viver de “Bolhas”, ou seja, de diferentes formas de especulação e da criação de mercados artificiais através da expansão forçada do crédito, caminha para a bancarrota inevitavelmente. Vivemos plenamente a época que Lenin definiu como a época do imperialismo, estágio supremo do capitalismo. A época em que o sistema econômico capitalista está dominado pelo capital financeiro e é a “reação em toda linha”. Duas questões demonstram esta situação:

1.       Do ponto de vista econômico, toda a força e energia dos governos e organismos internacionais estão voltadas para garantir ou salvar o capital financeiro internacional, para pagar o principal e os juros usurários das dívidas feitas pelos capitalistas para sustentar artificialmente os mercados. Tendo criado “bolhas” e depois transformado as dívidas privadas dos capitalistas em dívidas públicas (aos gritos de “grandes demais para quebrar!”) agora gritam que é preciso esfolar o proletariado para pagar estas dívidas e impedir a quebra dos bancos e especuladores. É o mundo do capital financeiro.

2.       Do ponto de vista político, a “democracia como valor supremo” foi posta de lado sem a menor cerimonia e os banqueiros e especuladores nomeiam através de seus agentes “governos técnicos” para garantir o pagamento de seus papéis.

Um exemplo foi a decisão do governo grego (ainda Papandreu) de “suspender” o direito dos sindicatos gregos realizarem acordos coletivos, ou seja, de poder representar sua categoria frente a patronal, numa clara tentativa de destruir as organizações de classe que o proletariado construiu em sua luta contra o capital. 

Outro foi a reação internacional à proposta do mesmo Papandreu, o servil governante grego, de realizar um referendo sobre a questão da aplicação do pacote de austeridade. Só a ideia de consultar o povo foi suficiente para que ele fosse tratado como um pária, insano e irresponsável por todos seus colegas europeus, governantes ou não, e removido do assento em que há dois anos tentava aplicar os planos de austeridade.

Em seu lugar o capital financeiro internacional nomeou Lukas Papademos 

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