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Índia: governo reascende conflitos religiosos para dividir as massas

Outra face da decadência capitalista, os conflitos por motivação religiosa constam entre os instrumentos para manutenção da ordem burguesa.

Em meio à crise internacional, que não dá qualquer sinal de melhora real, a insatisfação popular se faz cada vez mais presente no mundo através de revoltas de massas, que colocam o establishment do capital cada vez mais em risco. Em muitos lugares do mundo, a burguesia já não consegue governar como antes.

E é justamente nesses momentos que a criatividade mórbida do imperialismo entra em cena. Não faltam rivalidades étnicas, guerras religiosas, terrorismo. Tudo para criar divisões entre os povos e adiar ao máximo possível o perigo de revolução.

Na Índia, a solução encontrada pelas elites foi reforçar o ódio religioso entre hindus e muçulmanos, as duas maiores religiões do país. Nos últimos anos, o país voltou a ser assombrado por multidões raivosas, linchamentos e depredação de mesquitas, templos hindus e outras instituições religiosas.

Esses trágicos acontecimentos contradizem a história da convivência entre hinduísmo e islamismo, que coexistiram em relativa harmonia mesmo em eras anteriores. Mesmo a conquista dos últimos marajás hindus pelo Império Mogol, no século XVI, passou sem que grandes conflitos fossem registrados.

Os conflitos religiosos tornaram-se frequentes na Índia quando o imperialismo se viu ameaçado na região. Temeroso da força numérica e política da população, os colonizadores ingleses e seus sócios locais incentivaram indivíduos e organizações que pregavam a intolerância religiosa. Essa tática sinistra não preservou o domínio de Londres, como era o desejado, mas provocou a sangrenta Partição da Índia, em 1947, que levou a criação de dois países: Índia e Paquistão. Mais tarde, surgiria um outro, o Bangladesh.

E essa herança maldita do colonialismo segue viva no país, e agora com elemento que promete acender ainda mais faíscas. Desde maio de 2014, a Índia é governada pelo BJP (Partido do Povo Indiano), partido de direita que se baseia no nacionalismo hindu e no anti-comunismo. O primeiro ministro Narendra Modi, ligado ao BJP desde jovem, ficou célebre quando era ministro-chefe (equivalente a governador de estado) da província de Gujarat. Em 2002, mais de duas mil pessoas, a maioria muçulmanas, foram massacradas no maior conflito religioso na Índia já registrado no século XXI. Modi foi amplamente acusado de nada ter feito, e alguns sugerem até que ele colaborou secretamente.

E as suspeitas não são inválidas. Modi atuou na organização paramilitar RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh, ou Organização Patriótica Nacional) desde a juventude. Esse grupo é conhecido pela inspiração fascista e o extremo ódio às minorias religiosas na Índia, sobretudo os muçulmanos. De fato, Modi anunciou recentemente que pretende incluir membros ativos dessa milícia reacionária em seu governo, o que causou grande controvérsia.

No mundo inteiro, a reação se prepara para desferir golpes cada vez mais violentos, tudo em nome de salvar esse sistema carcomido. Incapazes de iniciar uma nova guerra mundial, os estrategistas do imperialismo preparam novos focos de violência étnica, religiosa e política para destruir forças produtivas e neutralizar a ameaça cada vez maior de revolução. Cabe aos nós nos organizarmos e explicar pacientemente o que está por detrás dos discursos de ódio que são cada vez mais ouvidos ao redor do mundo.

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