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Honduras: Revolução ou governo de coalizão

É da capacidade de mobilização da Frente de Resistência contra o golpe e as eleições fraudulentas que depende o futuro do povo hondurenho.

A ditadura instalada em Honduras balança. Micheletti prometeu levantar o Estado de Sítio, mas não cumpriu. Porém ao final abre negociações com Zelaya para buscar uma saída. Agora é uma questão de tempo. A ditadura recém instalada não suporta a pressão e começa a desabar.

Agora o ditador e sua quadrilha colocam todas as fichas na pressão para levar Zelaya a ceder sobre pontos essenciais, ou seja, aceitar o retorno como fantoche. Este é o jogo também da OEA (Organização dos Estados Americanos – uma espécie de ONU das Américas) e dos EUA.

Micheletti, bem como toda a burguesia, está assustado com as vigorosas manifestações das massas que ameaçam colocar abaixo as instituições burguesas e por isso mesmo, ambos, buscam estabelecer um acordo para tentar frear o avanço da situação revolucionária. É só ver o ódio da imprensa e da burguesia brasileira com o fato de que o governo Lula não expulsou Zelaya da embaixada. Lula agiu corretamente neste caso. E não poderia fazer outra coisa. Qualquer governo burguês com o mínimo de dignidade daria asilo e defenderia sua própria embaixada.

O golpista Micheletti declara suas condições para estabelecer o diálogo:

a) Zelaya voltaria a Honduras três dias depois das eleições fajutas de novembro;
b) Zelaya definiria previamente um gabinete que governaria junto com o presidente que eventualmente venha a ser eleito;
c) Além disso, exigiria um pacote amplo de ajuda internacional a Honduras;
d) Anistia para ambos os lados.

Já Zelaya, corretamente, impõe certas condições para discutir:

a) Suspensão do decreto de estado de sítio;
b) Reabertura da rádio Globo e o Canal 36 de TV que apóiam Zelaya;
c) Retirada do cerco militar à embaixada brasileira.

Agora, tudo vai depender da capacidade da Resistência prosseguir mobilizada.

Na Frente de Resistência, que luta pela volta de Zelaya e pela Constituinte Revolucionária, existe divisão. Uma parte dos delegados da Frente (maioria) corretamente quer boicotar as eleições fajutas convocadas pelo golpista Micheletti, mas uma minoria quer apoiar Carlos Reyes (líder sindical) candidato a presidente.

A maioria da Frente de Resistência propõe aliar o boicote com uma Greve Geral que, se associada a uma iniciativa generalizada de auto defesa, armamento das milícias operárias e camponesas, certamente poderia fazer a revolução dar um salto e barrar as negociações por um governo de coalizão burguesa.

No momento em que escrevemos esse artigo a grande imprensa brasileira, os parlamentares dos partidos burgueses, a burguesia, apavoram-se e jogam todas as suas fichas na via negociada e pela convocação das eleições fraudulentas.

O problema é saber se as massas hondurenhas aceitarão uma solução deste tipo. As organizações operárias, os partidos ligados aos trabalhadores, os que lutam pelo socialismo devem intensificar em cada país manifestações em favor do povo hondurenho, para ajudar a derrubar o golpista Micheletti, expulsar o imperialismo e avançar na construção do socialismo.

  • Volta imediata de Zelaya à presidência de Honduras!
  • Constituinte revolucionária!
  • Não à coalizão! Boicote às eleições, avançar a greve geral!
  • Abaixo o golpe! Fora Micheletti!

07 de Outubro de 2009.

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