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Honduras: Boicote às eleições e luta pela Constituinte!

Zelaya diz que não há mais acordo com Micheletti e Frente de Resistência não reconhece eleições presidenciais.

No momento as lutas em Honduras parecem tomar outro rumo. As grandes manifestações de massas por ora cessaram. A revolução seguirá por outros caminhos?

Dizíamos num artigo anterior que estava em curso a tentativa de que Micheletti e Zelaya construíssem o caminho da coalizão e que isso poderia refrear as mobilizações.

O cansaço das massas, depois de mais de quatro meses em luta, a confusão disseminada por Zelaya que aceitou o quadro das negociações, a ausência de um partido operário e até mesmo as oscilações da Frente Nacional de Resistência, mas principalmente a dura repressão das tropas da ditadura Micheletti empurram agora a luta para outro terreno.

O balanço certamente será feito e as massas voltarão ao combate, pois nada foi resolvido.

Zelaya segue na embaixada brasileira. As negociações avançaram no dia 30 de Outubro em direção a que Zelaya possa voltar, mas sem ser reempossado como presidente. Esperará a decisão do Congresso e da Suprema Corte, que podem ou não autorizá-lo a se candidatar nas eleições de 29 de Novembro. De fato Zelaya traiu as massas ao aceitar a linha da coalizão.

Dizíamos inclusive que o futuro do movimento, em certo sentido dependeria da atitude de Zelaya. As massas têm ilusões nesse oligarca e agora setores se frustrarão. Outros avançarão e com ele romperão. Alguns dirigentes e trabalhadores mais radicalizados, desde a Frente de Resistência, começam a buscar caminhos perigosos e apontam a guerrilha como alternativa para derrubar a ditadura e avançar ao socialismo.

Falam em ir para as montanhas e iniciar uma campanha armada. Isso pode ser um desastre para a revolução, pois apartará a vanguarda da base. Tudo agora depende da possibilidade e necessidade de agrupar toda a parcela avançada, e a partir daí organizar o boicote eleitoral, estruturar a auto-organização de todo o povo e, abrindo o combate por uma organização marxista, colocar a questão do partido operário.

A primeira onda passou avassaladora. A vanguarda e as massas aprenderam a confiar nelas mesmas. Mas ainda Zelaya exerce grande influência.

A Frente não pode continuar vacilando entre a negociação e o radicalismo guerrilheiro. Sua primeira tarefa deve ser a de fazer um sério balanço, e a partir daí organizar uma campanha de massas por:

  • Boicote às eleições de 29 de novembro!
  • Nenhuma negociação com Micheletti!
  • Zelaya deve romper com os golpistas!

Isso preservará as forças da revolução unidas e permitirá que em um segundo momento a Frente volte a organizar marchas massivas que podem evoluir para a Greve Geral, ou vice-versa.

A situação revolucionária continua. Nada está resolvido. As massas respiram, descansam, e mais adiante, recompondo os músculos desgastados por mais de 125 dias de escaramuças, voltarão ao combate pelas reivindicações.

As massas estão mais fortalecidas com o grande aprendizado obtido nas recentes batalhas. Sentiram e viram até onde poderia ir a burguesia oligarca nacional à qual Zelaya pertence.

05/11/2009

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No dia 30 de Outubro, a Frente de Resistência, que luta em Honduras contra o golpe de Micheletti, dizia em seu comunicado:

“1- Celebramos como uma vitória popular sobre os interesses mesquinhos da oligarquia golpista, a eminente restituição do presidente Manuel Zelaya Rosales. Essa vitória foi obtida depois de 4 meses de luta e sacrifícios do povo que, apesar da selvagem repressão lançada pelo aparato repressivo do Estado que está nas mãos da classe dominante, soube resistir e crescer em consciência e organização até converter-se em força social irresistível.

2- A assinatura, por parte da ditadura, o documento que estabelece “retroagir a titularidade do poder executivo ao seu estado anterior a 28 de junho, representa a aceitação explícita de que em Honduras houve um golpe de estado que deve ser desmontado para voltar à sua ordem institucional e garantir um marco democrático no qual o povo possa fazer valer seu direito de transformar a sociedade.

3- Exigimos que os acordos assinados (…) sejam tramitados no Congresso Nacional. Nesse sentido, alertamos todos os companheiros(as) para que se somem às pressões para que se cumpra imediatamente o consignado no documento final elaborado na mesa de negociações.

4- Reiteramos que a Assembléia Nacional Constituinte é uma aspiração irrenunciável do povo hondurenho, um direito inegociável pelo qual seguiremos lutando nas ruas, até conseguir a refundação da sociedade, para convertê-la em justa, igualitária e verdadeiramente democrática”.

No dia 05 a Frente declarava que se até a meia noite “não fosse restituído o cargo ao Presidente a Frente desconheceria o processo eleitoral de 29 de novembro.” E que chamaria o Boicote às eleições.

No dia 06 a Agência de Notícias Bolivariana informava que “o presidente constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, declarou hoje que fracassou o acordo para solucionar a crise, diante do não cumprimento dos golpistas de reconduzí-lo ao cargo e conformar um governo de unidade… decidimos não continuar com este teatro do senhor Micheletti.”

E anunciava que desconhecia o processo eleitoral de 29 de novembro, acusando o regime golpista de preparar a fraude eleitoral. “No dia 8, a Frente de Resistência anunciava, por meio de um de seus coordenadores, Juan Barahona: “…chegamos a um acordo em nível nacional (de) não participar do processo eleitoral com restituição ou sem restituição do presidente Zelaya. Não vamos às eleições”.

Frente a essa decisão o dirigente sindical Carlos Reyes, que havia decidido por concorrer nas eleições fraudulentas, volta atrás e ainda hoje (09/11), Segunda Feira, formalizaria sua desistência junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Há ainda um candidato da União Democrática que informava não ter tomado nenhuma decisão e que durante essa semana se posicionaria.

As massas estão cansadas. As confusões e vacilações na Frente de Resistência, a prolongada e incorreta via negociada e de conciliação nacional de Zelaya, criaram insegurança no movimento. Mas apesar disso, se a decisão de Boicote for realmente implementada e organizada desde as bases e se mantiver a decisão de combater pela Constituinte Soberana, o movimento poderá voltar e dar o golpe final na ditadura que cambaleia mas não cairá sem a ação direta das massas.

Uma vez mais comprova-se a falta que faz um partido de massas e revolucionário.

09/11/2009

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