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Histórico congresso dos marxistas paquistaneses: O Segundo Dia

Depois do muito bem sucedido primeiro dia, os delegados e observadores do congresso estiveram muito animados discutindo até tarde da noite as questões levantadas nas sessões e comissões. Hoje os camaradas se reuniram para o segundo dia.

Vale a pena comentar sobre os enormes problemas logísticos envolvidos na organização de um evento como este. Organizar o transporte, a alimentação e a acomodação de mais de 2,6 mil pessoas seria um desafio formidável mesmo na Europa e nos EUA. Mas em uma terra atrasada e batida pela pobreza como esta, com sua infraestrutura altamente defeituosa e primitiva, isto é um pequeno milagre.

Durante os meses prévios, os camaradas trabalharam arduamente para levantar as finanças dos simpatizantes para pagar o aluguel da sala e outras coisas. Recebemos muitas doações não somente em dinheiro como também em espécie, particularmente em alimentos. Camponeses simpatizantes doaram sacos de arroz e farinha, galinhas e outros itens que estão sendo usados para fornecer refeições para todos os participantes do congresso. A qualidade da comida tem sido excelente.
Somente isto mostra que construímos uma muito séria e profissional organização no Paquistão.

A terceira sessão: O Paquistão após a revolução socialista

A terceira sessão foi aberta com um discurso sobre o tópico de “O Paquistão: Após a Revolução Socialista”, pronunciado pelo camarada Lal Khan. Antes de começar seu discurso, ele chamou a atenção dos camaradas para uma reportagem publicada em todos os jornais do domingo destacando a eleição do camarada Aslam Gihani à União de Pós-graduados de Cambridge. “A eleição de um marxista a este posto mostra que os marxistas podem trabalhar com êxito mesmo na mais burguesa das universidades”, ele comentou.

Dando brilhante início ao seu discurso, Lal Khan tratou de um tema que nunca tinha sido discutido antes em um congresso marxista no Paquistão: a complexa questão de como a transição do capitalismo ao socialismo pode ser realizada em um país atrasado como o Paquistão.

Este é um tema muito importante para os marxistas no Paquistão, onde muitas pessoas perguntam como é possível realizar a transição ao socialismo, dada a condição miserável da sociedade. Em seu discurso, o camarada Lal Khan explicou como uma revolução socialista resolveria na prática vários problemas neste país atrasado. Vamos tentar publicar o texto completo de seu discurso amanhã.

Um projeto de documento para esta sessão já havia sido publicado, no qual uma detalhada análise da questão é apresentada. O primeiro capítulo é sobre “Revolução Socialista – Por que e Como?”. Os capítulos subsequentes incluem o Estado, a Economia, a Infraestrutura, a Questão Nacional, a Mulher, a Arte e a Mídia, a Política Externa e a Federação Socialista do Sul da Ásia.

A quarta sessão: Organização

A quarta sessão, sobre organização, foi introduzida pelo camarada Adam Pal. Além do relatório anual, ele também esboçou os objetivos propostos para o crescimento nos próximos doze meses.

O camarada Adam teve a oportunidade de reportar um considerável desenvolvimento da organização. Pela primeira vez, a CMI tem uma sólida base em cada uma das regiões do Paquistão. Nosso trabalho está dividido em 12 regiões com mais de 300 seções em funcionamento:

*Balochistan. Temos uma muito sólida base em Quetta, Khuzdar, Mastung, Kalat e Jaffarabad. Apesar da guerra civil e dos sérios conflitos entre diferentes grupos étnicos e religiosos, temos camaradas de todas as nacionalidades: Baloochis, Pushtoons, Punjabis, Hazaras etc. Porque organizamos uma campanha de solidariedade no restante do Paquistão para condenar a brutalidade do exército do Paquistão, obtivemos um eco entre os nacionalistas Balooch, não somente na organização estudantil, o BSO, mas mesmo entre os guerrilheiros.

*Karachi. Temos 115 camaradas na mais proletária das cidades do Paquistão, com uma boa base na classe trabalhadora (Aço de Karachi, no setor elétrico, nos portos etc.). Aqui o trabalho é muito arriscado devido ao fundamentalismo, às gangues de criminosos e ao MQM fascista. No ano passado, mil e duzentas pessoas foram assassinadas.

*Sind. Há 353 camaradas em 26 seções em Hyderabad, Mirpur Kash, Badin, Sukkar, Rohri, Jamshoro, Ghuttki e muitas outras cidades e povoados. Nosso trabalho foi dificultado pelas chuvas que destruíram muitas vilas e os camaradas ficaram desabrigados. Também temos uma forte base nos sindicatos e no PPP.

*Punjab do Sul. 92 camaradas em 12 sessões em Rahim Yar Khan, Sadiqabad, Bahawalpur, DG Khan, Bahkar, Layyah etc., e uma forte base nos sindicatos de Fertilizantes, Unilever, Coca Cola etc.

*DG Khan. Aqui temos tido êxito no trabalho entre os camponeses na área de Janpur etc., com 283 camaradas em mais de 20 seções.

*Multan. 127 camaradas em 12 seções. Uma boa base em Nestlé, ferrovias, eletricidade, indústria do algodão etc., e posições de direção no PPP.

*Lahore. 91 camaradas em 12 seções (inclui Gujranwala, Gujrat, Okara, Sialkot e Kasur) baseadas em trabalhadores e estudantes.

*Punjab Central. Faisalabad é a Manchester do Paquistão e a terceira maior cidade. Temos uma forte base nos sindicatos (mineiros, têxteis, pedreiros, jornalistas e advogados) e no PPP, e também presença em Jhang e Chiniot.

*Punjab do Norte. 243 camaradas em 22 seções, incluindo Rawalpindi/Islamabad, Attock, Jand, Hassanabadal e Wah. Também se inclui Abottabad onde Osama Bin Laden foi capturado.

*Pukhtoonhua (anteriormente Província do Noroeste) que inclui Peshawar, Malakand, Kohat etc., com 198 camaradas em 18 seções. Esta é uma área relativamente nova formada parcialmente por antigos membros do Partido Comunista. Ela também inclui SWAT, que estava debaixo do Talibã de 2004-8 e sofreu terrivelmente então e mais tarde nas mãos do exército do Paquistão. As condições de trabalho são extremamente duras.

*Pukhtoonhua do Sul. Esta inclui D. I. Khan, Bannu e as áreas tribais do Waziristão do Norte e do Sul, onde está sendo travada uma guerra entre os americanos e os talibãs na qual os ataques de drones estão matando civis todos os dias. Temos 56 camaradas aqui trabalhando heroicamente para construir a organização revolucionária, liderados pelo camarada Ali Wazir, um camarada veterano.

*Cachemira. 223 camaradas, em sua maioria, jovens. Estamos na liderança da maior e mais tradicional organização estudantil, a JKNSF. Também junto aos trabalhadores dos correios, da eletricidade, das telecomunicações etc.

Havia relatórios separados sobre finanças, sobre o jornal e as publicações. Todas estas três áreas registraram notável progresso nos últimos doze meses. A organização publica três jornais: o principal, The Struggle, é em Urdu e a décima-quinta edição saiu no ano passado. Há também um jornal em Sindhi (a cada dois meses) e uma revista teórica em inglês, The Asian Marxist Review, que é trimestral.

Em seguida, vieram três relatórios das comissões que foram incluídas ontem à noite (10 de março) sobre o trabalho sindical, a juventude e as mulheres. Em todas estas áreas os camaradas informam de avanços significativos, embora tenha se sentido que muito mais deve ser feito para o recrutamento de mulheres à organização, uma tarefa que está sendo levada muito a sério por todos os camaradas.

Comissão das Mulheres

O relatório da Comissão das Mulheres foi lido por camarada Anam. Aproximadamente 40 camaradas mulheres participaram da Comissão das Mulheres, representando cada região e muitas ocupações: professoras, enfermeiras, comerciárias, donas de casa, estudantes… Representantes de cada região falaram, dando um informe da situação do trabalho entre as mulheres em termos locais. Foi sublinhado que a deterioração das condições de vida no último período afetou as mulheres mais profundamente do que outros. Agora, cada aspecto da vida é uma luta.

Estas dificuldades tornaram nossas camaradas mulheres mais determinadas do que nunca a continuar seu comprometido trabalho dentro da organização e se comprometeram a transformar essas dificuldades a seu favor.

Entre as metas colocadas estava a de manter material escrito regular sobre assuntos da mulher no jornal e no website.
Cada uma das áreas informou de quantas filiações tinham atualmente e qual a meta de crescimento para o próximo ano. Tudo somado, se alcançarmos estes objetivos, poderíamos dobrar nossa militância em doze meses.

Trabalho sindical

Nazar Mengal, Presidente do Sindicato de Trabalhadores Postais de Balochistan, leu o relatório sobre a Comissão Sindical. Informou da crescente influência do PTUDC em todas as áreas. Em setembro passado, o PTUDC organizou uma turnê nacional de reuniões por todo o país. Foram realizadas reuniões em: Peshawar, Lahore, Multan, Rahim Yar Khan, Islamabad, Wah, Gujranwala, Faisalabad, Hyderabad, Rawalpindi e Karachi, onde houve uma reunião com 350 trabalhadores. Esta iniciativa foi tão bem sucedida que será repetida neste ano.

Também estamos fazendo os preparativos para o Dia dos Trabalhadores. Estamos produzindo um cartaz que aparecerá por todo o país. Na última semana de abril vamos realizar um encontro nacional para organizar o Primeiro de Maio. O mais importante passo a ser dado agora é o estabelecimento de seções da CMI nos locais de trabalho. Já temos uma base para isto em muitas fábricas.

Trabalho Juvenil

O relatório da juventude foi lido pelo camarada Amjad Shahsawar. Em abril, realizaremos uma conferência da juventude em Rawalakot, na Cachemira. No ano passado, montamos a Aliança da Juventude Progressista de Todo o Paquistão, envolvendo um grande número de organizações de estudantes progressistas de esquerda. Esta é uma aplicação radical da tática de frente única no campo estudantil que está dando bons resultados, atraindo não apenas organizações de esquerda dos estudantes, como também organizações nacionalistas de estudantes. Além da área estudantil, estamos conduzindo um trabalho de massas entre os jovens desempregados através de BNT (Movimento dos Jovens Desempregados), que está organizando convenções nas cidades, em nível provincial e distrital em todo o país.

Após os três relatórios, a lista de candidatos para o novo Comitê Central e de outros órgãos de direção foi submetida ao voto e aceita por unanimidade, assim como todos os documentos apresentados pelo Comitê Central cessante.

No final da sessão de organização, o conhecido poeta Farhat Abbass Sha leu um poema que ele compusera especialmente para o congresso. Ele disse o seguinte: “Eu não era Comunista antes de vir aqui, mas este congresso me transformou em um Comunista”. A essência de seu poema é: “Não sou um militar. Sou apenas um poeta. Mas meus versos estão cheios de pólvora. Eu não posso lutar com balas, mas através dos meus versos vou lutar até o fim por vocês”.

O Relatório Internacional

A última sessão constou de um Relatório Internacional sobre o trabalho da CMI feito com muita habilidade pela camarada Ana Munoz, do Secretariado Internacional.

Desde a sua criação a CMI teve alguns avanços significativos revelados pela ampla difusão de suas operações. Dez anos atrás nada tínhamos nas Américas além da seção mexicana. Agora temos seções no Canadá, nos EUA, México, El Salvador, Venezuela, Brasil, Bolívia e Argentina.

Mas estes números não dão uma ideia exata de nossa influência. Nossa website, Marxist.com, tem sido um êxito colossal e é acompanhada diariamente por um grande número de pessoas em diferentes partes do mundo. Em 2011 recebemos próximo de 1,3 milhões de visitas e mais de 2,3 milhões de Page views [Page views é um parâmetro utilizado pelos servidores web para medir a visibilidade de um site ou grupo de arquivos ou parte de um portal na internet. Quanto mais Page views (acessos) uma página tem, maior a visibidade da mesma na Internet].

A camarada Ana elogiou o trabalho internacional da seção paquistanesa, destacando a criação de um grupo no Afeganistão. Ela também mencionou o importante trabalho que está sendo realizado pelos camaradas do Paquistão para estabelecer novas seções em países como Bangladesh, onde temos promissores contatos e a Índia, onde já temos uns poucos membros e simpatizantes próximos que estão publicando um jornal em Hindi.

Cada membro de The Struggle sente uma ardente lealdade à Internacional, o que foi demonstrado por sua entusiástica resposta ao relatório internacional. Muitas seções da CMI enviaram suas saudações ao Congresso, bem como uma calorosa carta de apoio do neto de Trotsky, Esteban Volkov, que escreveu o seguinte:

“Aos marxistas revolucionários do Paquistão, eu mando um abraço fraternal. Desejo expressar toda a minha admiração por aqueles que estão seguindo o exemplo e a vasta experiência deixada pelo indomável revolucionário Leon Trotsky.

“Ele permanece como um farol luminoso que ilumina o caminho que nos leva do inferno da barbárie capitalista a um mundo novo onde a exploração, a opressão e a violência serão coisas do passado.

“Esteban Volkov”.

Observações finais

Para concluir os procedimentos, o camarada Alan Woods fez o discurso de encerramento. Ele elogiou o alto nível político do Congresso e destacou a enorme responsabilidade sobre os ombros das seções paquistanesas da CMI: “Gostaria que vocês pensassem por um momento no seguinte: se 12 meses atrás houvesse no Egito uma organização como The Struggle, a classe trabalhadora egípcia teria tomado o poder e toda a história do mundo teria tomado um rumo diferente. O que aconteceu no Egito acontecerá no Paquistão como a noite se segue ao dia. Devemos estar preparados!”.

As observações do camarada Alan foram recebidas com uma ovação. Imediatamente depois disto, Alan se juntou na plataforma ao famoso cantor Jawad Ahmed, que liderou o congresso em peso no canto da Internacional.

No final deste muito bem sucedido congresso o ânimo dos camaradas estava muito elevado. Os delegados e os visitantes espontaneamente revelaram seu entusiasmo revolucionário descendo à frente da plataforma, ondeando bandeiras vermelhas, cantando canções revolucionárias, dançando e cantando palavras de ordem revolucionárias, como Roti, kapra aur makan! (Pão, roupa e abrigo!) e Inqlab! Inqlab! Socialist Inqlab! (Revolução, revolução, revolução socialista!).

Todos os delegados e visitantes tomaram as ruas de Lahore com bandeiras vermelhas, detendo o tráfego e cantando palavras de ordem revolucionárias.

Agora todos os camaradas estão retornando as suas cidades e povoados animados com a determinação de superar todos os obstáculos e trabalhar para derrubar esse monstruoso sistema capitalista de miséria, exploração, fome e trabalhar incansavelmente para a vitória da revolução socialista.

Traduzido por Fabiano Adalberto

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