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Haiti: Furacão expõe terra arrasada criada pelo imperialismo

Um desastre anunciado pela pilhagem e condição de miséria imposto pela política imperialista ao país da ilha caribenha.

Até o momento, mais de 800 mortos confirmados. Número incalculável de feridos e desabrigados. Destruição de mais de 80% das construções em muitas áreas afetadas. Esse é o saldo atual da passagem do furacão Matthew, o mais forte em muitos anos, pelo Haiti. E esses números devem aumentar muito nos próximos dias, uma vez que a avaliação dos danos causadas mal começaram.

Furacões sempre fizeram parte da história do Mar do Caribe bem como do Golfo do México, seu vizinho. Em 2005, o mundo assistiu assombrado a devastação causada em Nova Orleans, um dos mais importantes portos dos EUA, pelo furacão Katrina, cuja força era inferior ao que agora devasta os países caribenhos. Contudo, nem todos sofreram da mesma forma. Em Cuba também foi registrada muita destruição, mas nada comparável ao Haiti.

O motivo de tanta destruição está na maior catástrofe enfrentada pelo povo haitiano: o imperialismo. Na sua história moderna, o país foi governado por agentes do capital externo que promoveram um saque de ordem extrema até mesmo para os padrões latino-americanos. A famigerada dinastia Duvalier, que começou com François “Papa Doc” Duvalier e terminou com seu filho Jean-Claude, governaram o país por quase três décadas (1957-1986) e passaram para a história como exemplos de brutalidade e plutocracia.

Somemos a isso as muitas intervenções estrangeiras no país, sendo que a atual, iniciada em 2004, conta com destacado papel de tropas brasileiras, enviadas após uma das mais vergonhosas das muitas traições orquestradas pelo governo Lula. A tal “ajuda humanitária”, enviada por diversos países ricos para auxiliar na reconstrução do país, jamais chega aos milhões de haitianos miseráveis, que ainda tem que conviver com a violência de soldados armados até os dentes.

Assim como ocorreu com o terremoto em 2010, cujas cicatrizes ainda não estão fechadas, a destruição provocada pelo furacão Matthew marcará a vida no país por muitos anos. Afinal, um governo inócuo e corrupto, mantido no poder pelos fuzis das tropas da ONU, não pode e nem deseja aliviar o sofrimento da população. As catástrofes naturais sempre existiram, e infelizmente são responsáveis por milhares de mortes todos os anos. Mas a humanidade já dispõe dos recursos para reconstruir os danos materiais e salvar muitas das vítimas de furacões e terremotos. Se isso muitas vezes não ocorre, é porque as forças da natureza, ao atingir nossas cidades, já encontram uma terra arrasada pelo imperialismo.

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