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Habemus Papam: Um velho amigo dos ditadores argentinos

Francisco, nome simples, simples era São Francisco, como relatam todas as histórias da Igreja. O nobre que largou as riquezas e foi viver com os pobres e com os animais. Simplicidade a tal ponto que a palavra “franciscano” tornou-se sinônimo de frugal, daquele se abstêm e desdenha das riquezas materiais. Sim. Tudo muito simples. (Foto ao lado: o general e ditador Videla. Um dos amigos de Francisco?)

Um papa que anda de ônibus. Que em sua primeira missa usou uma cruz de prata ao invés de cruz de ouro. Que anda de ônibus ao fazer seu trabalho pastoral. Que voltou do conclave ungido papa no mesmo transporte dos outros cardeais. Que no primeiro dia veio para a missa em um carro comum e não em um carro suntuoso, no “papamóvel”. Simples como dois e dois são quatro. Uma nova igreja?

Francisco, homem com um passado respeitável, sem nenhum escândalo sexual. Um detalhe apenas: era amigo dos ditadores da Argentina. Daqueles que protegiam a moral e os bons costumes torturando e matando. Que montaram um centro de detenção e torturas em uma ilha pertencente a Igreja Católica. Ah! Francisco, que pecado cometeste? Por que nunca admitiste tais pecados?

Francisco. Vindo das hostes da Cia de Jesus. Papa negro. Papa branco. O superior da Cia de Jesus (os Jesuitas) tinha o apelido de Papa Negro (pela cor das vestes, em oposição ao branco papal). Os jesuítas assumiram a defesa, inclusive militar da Igreja, contra a Reforma. E agora, Francisco, que veio das hostes da Cia de Jesus, adota o nome celebrado por seus antigos rivais em Roma. Papa gris (cinza). Mas não são cinzas o que se pode levantar contra o papa: em seu tempo de vida na Igreja na Argentina dois religiosos foram dela desligados, “coincidentemente” uma semana antes de serem presos e torturados. Um capelão que ajudava a prática das torturas, que depois de ser denunciado foi escondido pela hierarquia da Igreja no Chile. Sumiço de crianças e o seu papel nunca explicado.

Simples. Como Francisco. Nos próximos momentos acompanharemos a crise da Igreja e o papel do novo Papa. O Papa emérito (antigo Bento XVI) pertenceu à juventude hitlerista. Este ajudou a ditadura Argentina. Até que ponto do fundo do poço poderá chegar a Igreja atual?

Para saber mais sobre a relação entre o Papa e a ditadura:

Livro do Silêncio: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2507200524.htm

http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2013/03/14/mae-de-desaparecidos-na-ditadura-argentina-diz-que-francisco-i-chegou-tarde-demais.htm

http://oglobo.globo.com/mundo/irma-de-jesuita-preso-durante-ditadura-contesta-escolha-do-papa-7834066

(1)- Habemus Papam: Temos um Papa

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