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Grito dos Excluídos em Sumaré/SP

Panfleto unificado da fábrica ocupada Flaskô, Esquerda Marxista e Comitê de Luta de Moradia distribuído no “Grito dos Excluídos” ocorrido em 7 de setembro em Sumaré (SP), região de Campinas.

Panfleto unificado distribuído no Grito dos Excluídos em Sumaré/SP:

O GRITO É DE LUTA! O GRITO É DE RESISTÊNCIA! ESTA É NOSSA INDEPENDÊNCIA!

Contra a retirada de direitos! Contra os ajustes fiscais! Abaixo “Agenda Brasil”! A saída é pela esquerda!

O novo pacote do ajuste fiscal, apelidado de “Agenda Brasil”, acordado entre a cúpula do governo federal, dos governos estaduais e o presidente do Senado, significa mais uma onda de ataques aos direitos e conquistas dos trabalhadores em meio ao aprofundamento da crise do capitalismo.

Entre as medidas propostas estão: ampliação da idade mínima para aposentadoria; cobrança de serviços do SUS; mudanças jurídicas para privilegiar as privatizações; regulamentação das terceirizações, precarizando as relações de trabalho; redução das restrições ambientais para empreiteiras; etc.

Tal pacote foi anunciado após a Federação das Indústrias de SP e RJ (FIESP/FIRJAN) lançarem nota conjunta no dia 6/8 “Em prol da governabilidade do país”. A burguesia, organizada pelos patrões, seus representantes políticos e a grande imprensa falam em “unidade nacional”, indicando que as disputas partidárias devem ser deixadas de lado para um enfrentamento conjunto da crise. No entanto, o “povo não é bobo” e está vendo que o que eles querem é se juntar para atacar diretamente a classe trabalhadora e a juventude, os pobres, querendo que nós paguemos pela crise do capitalismo.

Estão vindo com as demissões, as retiradas de direitos, os ataques na previdência, todas medidas agressivas e para isso somente nos resta NOS ORGANIZAR E LUTAR! Talvez por isso, o governo propôs e a Câmara aprovou uma lei antiterrorismo (PL 2016/2015), que tenta associar movimentos sociais como organizações terroristas, ampliando a criminalização.

Porém, seguiremos nosso combate, nas ruas e nas lutas, unificando as batalhas em cada local de trabalho, em cada escola, em cada bairro, em cada ocupação, em cada comunidade, em cada cidade. Não tenham dúvidas! Quanto mais batem, mais a gente se une, se fortalece!

Na luta da moradia, o que temos visto é reintegrações de posse à serviço da especulação imobiliária e rasgando por terra o direito à moradia, removendo casas de forma indevida, fazendo um verdadeiro terrorismo com as famílias que vivem há anos, lutando por um teto.

Em Sumaré não é diferente. A Prefeita Cristina Carrara (PSDB) tem adotado o discurso do ódio contra as ocupações, desrespeitando profundamente a população. Em várias ocupações de moradia, comunidades com famílias que vivem há 30-40 anos estão tendo suas casas demolidas. Na Ocupação Vila Soma, com 2500 famílias, a situação é dramática e podemos ter uma nova ação criminosa como foi a reintegração de posse na comunidade do “Pinheirinho”, em São José dos Campos/SP.

Na fábrica ocupada Flaskô, que resiste há 12 anos, os trabalhadores se organizaram contra as demissões e o fechamento das empresas. Vem mostrando que sem os patrões, podem produzir melhor e conforme o interesse da classe trabalhadora, reduzindo a jornada de trabalho sem redução de salários. Além disso, organizamos na fábrica um espaço de cultura, lazer, esportes, além da ocupação de moradia com 564 famílias, denominada Vila Operária.

Neste cenário de crise do capitalismo, não podemos deixar que os trabalhadores paguem pelos lucros dos patrões. Contra os fechamentos das fábricas, contra as demissões e redução de direitos. A experiência da Flaskô deve ser observada justamente para que outras fábricas sejam ocupadas e que retomem a produção sob controle operário.

Por isso, a verdade é que, mais do que nunca, a saída é pela esquerda, levantando as bandeiras imediatas e históricas da classe trabalhadora. Através do combate diário, por verdadeiras reformas agrária, urbana e tributária, com avanços nos direitos trabalhistas, poderemos reverter a desigualdade do capitalismo e abriremos o caminho para construção de uma sociedade sem exploração.

Neste dia 07 de setembro, em mais um grito dos excluídos, reforçamos que nossa luta passa por efetivar direitos sociais, a partir de cada reivindicação mais imediata e objetiva da classe trabalhadora e da juventude, para que, nas ruas e nas lutas, possamos construir outro modelo de sociedade – justa, livre e solidária – o socialismo.

NOSSA INDEPENDÊNCIA É DE CLASSE!

– Que os ricos paguem pela crise! Contra a retirada de direitos!

– Moradia, já! Regularização das áreas ocupadas!  Contra os despejos!

– Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um dever!

– Abaixo a Lei antiterrorismo! Contra a criminalização dos movimentos sociais! Lutar não é crime!

– Declaração de Interesse Social da Flaskô!

– Por uma Frente da Esquerda Unida contra o capitalismo!

 “A rua é do povo” – Sumaré, 07 de setembro de 2015

Assinam:

* Fábrica Ocupada Flaskô – emdefesadaflasko@gmail.com

* Esquerda Marxista – esquerdamarxistasumare@gmail.com

* Comitê de Luta de Moradia de Sumaré – comitedelutademoradiadesumare@gmail.com

(Ocupação Vila Soma, Vila Operária, Jardim São Francisco, Jardim Salerno, Residencial Bordon II, Santa Terezinha, Santo Antônio

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