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Greves de massa começam a entrar em cena

Desenvolve-se no Brasil um processo na luta de classes no qual podemos ver o inicio de greves de massas e, inclusive, com transbordamentos das direções burocráticas. É uma consequência direta da virada na situação política que o país conhece desde junho de 2013.
De diferentes maneiras, este processo teve expressões na greve dos professores de SP e do RJ assim como com garis e os rodoviários em muitos lugares.

Desenvolve-se no Brasil um processo na luta de classes no qual podemos ver o inicio de greves de massas e, inclusive, com transbordamentos das direções burocráticas. É uma consequência direta da virada na situação política que o país conhece desde junho de 2013.

 

De diferentes maneiras, este processo teve expressões nas greves dos professores do Rio de Janeiro e, depois, dos garis e dos rodoviários. Rompendo o cerco, estas categorias passaram por cima da direção sindical e foram para as ruas realizando manifestações de massas. Agora, em 2014, explodiram greves dos condutores dos transportes coletivos em várias cidades com as mesmas características. São Paulo, Osasco e Salvador estiveram no centro destes movimentos. No momento em que escrevemos este editorial um exemplo prático do que afirmamos se desenrola em Salvador.

 

Neste momento, a base dos rodoviários está contrariando o acordo fechado pela direção do sindicato e indo para a greve. Havia uma assembleia marcada para o dia 26 de maio, 15 horas, mas a direção do sindicato (filiado à CUT) não apareceu para apresentar o acordo e colocá-lo em votação. Perderiam feio e a greve iria sair. Mil trabalhadores permaneceram na quadra onde se realizaria a assembleia e reivindicaram a presença da direção do sindicato. Motoristas e cobradores fecharam a saída dos terminais de ônibus.

 

O fato de que em alguns casos as greves tenham ocorrido em bases sindicais ligadas à CUT indica que a política colaboracionista da direção cutista começa a vazar água.

 

No caso da greve dos professores municipais de São Paulo, o sindicato foi obrigado a ir mais longe diante da combatividade dos grevistas, impulsionando atos de massa, constituindo comandos e fundo de greve. Esta entidade sindical ainda mantém vínculo formal com a CUT, mas sua direção não apoia Dilma e seu presidente é do PPS.

 

Embora ainda não tenha atingido setores chaves da produção capitalista (metalurgia, siderurgia, química, eletromecânica, eletroeletrônica, naval etc.), esta tendência às greves de massas indica o aflorar de um novo estágio. É uma situação à qual caracterizamos como sendo a busca pela organização em torno de um novo eixo, o da independência de classes. Frente à resistência empedernida das direções em sustentar o capital e os governos, a classe transborda o controle e se manifesta por fora das organizações tradicionais.

 

A Resolução Política do 30º Congresso da EM afirmava: “O que de certa forma estamos verificando é o aparecimento de uma situação, em geral, semelhante ao final dos anos 70 e início dos anos 80, quando a crise conjunta do imperialismo e da burocracia soviética abre um período onde a batalha do proletariado internacional por se reorganizar sobre um novo eixo de independência de classe resultou no aparecimento do PT, no Brasil, da Frente Sandinista, na Nicarágua, e do Sindicato Solidariedade, na Polônia.”  

 

O PT e os governos petistas invariavelmente estão tratando as greves como atos conspirativos, casos de polícia, ações manipuladas pela direita. Caso mais notório neste sentido ocorreu em São Paulo, onde o prefeito, o secretário dos transportes e a bancada de vereadores petistas na Câmara, saíram em coro uníssono condenando a greve e qualificando-a de sabotagem ao governo. Gilmar Tatto, Secretário de Transportes (e principal dirigente da corrente petista Novo Rumo), acusou a polícia de estar sendo “passiva” com a greve dos rodoviários. Mais um profundo passo foi dado pela direção do PT em direção à direita.

 

A Esquerda Marxista, em seu 30º Congresso, que aconteceu de 18 a 21 de abril de 2014, afirmou que: “A situação política mundial encontra-se em um momento singular (…). O impasse do capitalismo encontra sua expressão em saltos súbitos na consciência das massas. Mudanças repentinas e agudas estão implícitas na situação e devemos estar preparados para elas.” E avançava, afirmando que: “Hoje, o que vemos é que aquelas condições de crise econômica e política internacional estão se reproduzindo em escala gigantesca e mais profundamente. Isto significa, nas atuais condições, um largo período de combates com vitórias e derrotas, com aprendizado pelas massas sobre o caráter das atuais direções e tentativas de superar esta situação, em relação às direções, com ações e explosões espontâneas. A ausência do partido revolucionário será percebida dramaticamente por todos os militantes da luta de classe com perspectiva histórica”. A tarefa central dos marxistas é travar a batalha pela construção da organização revolucionária nesta situação que começa a se desenvolver.

 

Em 1905, Rosa Luxemburgo, ao analisar as greves na Rússia e na Alemanha concluiu que: “é quase impossível traçar uma linha divisória entre os elementos econômicos e políticos que desencadeiam uma greve (….) Cada nova vitória da luta política transforma-se em um poderoso estímulo para a luta econômica, ampliando, ao mesmo tempo, suas possibilidades externas e intensificando o sonho dos trabalhadores em melhorar a sua situação e seu desejo de luta. Quando a vigorosa onda de ação política termina, deixa atrás de si um resultado favorável para o surgimento de lutas econômicas. Ou o contrário disso.”

 

E prosseguia: “Pode-se dizer então que a relação entre as causas econômicas ou políticas de uma greve, estão no mesmo pé de relação que os conceitos de consciência e experiência de classe. Não se trata de separá-los nem de tentar descobrir quem veio antes, mas de perceber a relação entre estes e de como isso influencia a ação dos humanos no decorrer da história. Em uma palavra, a luta econômica atua como o transmissor de um centro político para outro; a luta política é o fertilizante do solo da luta econômica. Causa e efeito trocam continuamente seus lugares. Portanto, no período da greve de massas, os fatores políticos e econômicos, já estando amplamente mesclados, completamente separados, ou se excluindo mutuamente”.

 

Nesta situação, a Esquerda Marxista, construindo-se e fortalecendo-se, prepara seus quadros para ser o fator consciente deste processo, intervindo com suas campanhas diretamente na juventude e no seio da classe operária, apoiando as greves e as lutas pelas reivindicações, enfrentando as direções burocráticas, qualquer que seja seu rótulo político, e defendendo as massas. Este é o caminho para a construção da organização revolucionária e a luta pelo socialismo.

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