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Greve dos garis do RJ: o melhor bloco desse carnaval

A vitoriosa greve dos garis cariocas mostra a força da mobilização da classe trabalhadora.

A cada novo acontecimento da luta de classes, podemos confirmar que, após junho de 2013, nada mais tem sido e será como antes. Como analisado pela Esquerda Marxista, uma nova situação política se abriu no país e os explorados pelo capitalismo percebem, mais uma vez, sua força.

A greve dos garis no Rio de Janeiro chamou a atenção para uma categoria muitas vezes ignorada e desvalorizada. Vale lembrar o episódio com o jornalista Boris Casoy, do alto de seu preconceito de classe, que após uma vinheta de seu telejornal mostrando dois garis desejando feliz ano novo, sem saber que estava sendo gravado, disse: “Que merda, dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros. O mais baixo da escala do trabalho”.

Estes, de baixo, ousaram, e deflagraram uma greve em pleno carnaval. O salário base era de R$ 803,00, a reivindicação do movimento era reajustá-lo para R$ 1200,00 e inclusão de 40% de adicional de insalubridade. Em um primeiro acordo, fechado com o sindicato da categoria, o salário passaria para 872,00, mas essa proposta foi sonoramente rejeitada pelos garis.

O sindicato, que deveria estar junto de sua base e encabeçando a luta, vergonhosamente esteve contra a greve e deslegitimando a mobilização. Os trabalhadores passaram por cima da direção e realizaram assembleias e manifestações sem a direção do sindicato, filiado à UGT – União Geral dos Trabalhadores. A greve chegou a contar com a adesão de 70% da categoria.

O prefeito Eduardo Paes (PMDB), recusou-se insistentemente em negociar e atender as reivindicações. Chegou a chamar os grevistas de “marginais” e “delinquentes”. Além de ter ameaçado demitir 300 profissionais por “abandono do trabalho”. Amparado pela justiça burguesa, que considerou a greve “abusiva” e aprovou a aplicação de multa para o sindicato de R$ 50 mil por dia de greve. Mais uma face da criminalização da luta dos trabalhadores.

A prefeitura, a justiça, a direção do sindicato e a grande mídia agiram de forma combinada para corroer a greve. Nos jornais, lamentações pela cidade estar cheia de lixo e a má impressão passada aos turistas. Noticiavam que numa passeata estariam 200 ou 500 participantes, mas o que se vê em vídeos são milhares de trabalhadores com seus uniformes laranjas, em uma alegre manifestação, parodiando marchinhas e sambas-enredos de carnaval, sendo aplaudidos pela população. A repressão teve que se conter diante da disposição dos manifestantes e da simpatia geral.

A solidariedade surgiu de diversos cantos do país. Pela internet, fotos foram postadas nas redes sociais com trabalhadores e jovens segurando cartazes de apoio à greve. Atos foram convocados em apoio aos garis cariocas.

E então, essa “minoria grevista” (segundo a imprensa e o governo), consegue uma grande vitória no último sábado: salário base de R$ 1.100,00 (reajuste de 37%), 40% de adicional de insalubridade, e aumento no valor do vale-refeição de R$ 12,00 para R$ 20,00 por dia. Além da suspensão das demissões de grevistas.

Em um conto de Jack London, chamado A Greve, narra-se o desespero da burguesia diante de uma greve geral, escancarando todo o parasitismo dessa classe. Esta é a pura realidade. Como disse um dirigente de nossa tendência, “nenhuma roda gira, nenhuma lâmpada se ascende, nenhum telefone toca, sem a permissão da classe trabalhadora”. Sem dúvida, esta é a nossa força.

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