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Grécia: A ira nas ruas – Preparar uma greve geral!

A exemplo do que ocorreu nos países árabes e mais recentemente na Espanha, o povo grego também decidiu ocupar as praças públicas em protesto. Alan Woods analisa esse movimento a partir de um ponto de vista marxista.

A situação na Grécia está se desenvolvendo dia a dia, e se move na direção de uma situação revolucionária. Começando na quarta-feira (25/5), de 120 a 150 mil pessoas lotaram a Praça Syntagma e outras praças centrais em todas as principais cidades gregas. As massas protestavam contra as políticas de austeridade do governo e a brutal agressão da União Europeia contra o povo da Grécia.

Funcionários do Fundo Monetário Internacional, da União Europeia e do Banco Central Europeu estão em Atenas para verificar o progresso fiscal da Grécia. Eles estão ali para aprovar uma fatia de 12 bilhões de euros de ajuda – a quinta sob o presente “acordo de resgate” (bail-out) – e, possivelmente, um novo financiamento que o país necessita para evitar o calote. Em troca, a União Europeia quer que Atenas imponha mais austeridade e reformas, incluindo privatizações. Isto equivale à pilhagem sistemática da Grécia pelos capitalistas estrangeiros.

O “acordo de resgate” de 110 bilhões de euros alinhavado em conjunto pela União Europeia e o FMI no ano passado veio sob condições. Agora, o projeto está sendo apresentado ao povo da Grécia. Sob os termos do “acordo de resgate”, supunha-se que a Grécia iria aos mercados financeiros para obter emprestados 24 bilhões de euros em 2012. Contudo, como a Grécia perdeu suas metas de redução do déficit, as possibilidades de ser capaz de obter emprestado dinheiro comercialmente no próximo ano, como originalmente planejado, são insignificantes.

O pagamento dos 12 bilhões de euros (o equivalente a 17 bilhões de dólares ou 10 bilhões de libras) à Grécia deverá ser feito em 29 de junho, dos quais 3,3 bilhões de euros deveriam provir do FMI. Esta é a quinta parcela do pacote de empréstimo de 110 bilhões de euros da União Europeia e do FMI, e que ainda não recebeu aprovação final. Jean Claude Juncker, o primeiro-ministro de Luxemburgo, adverte que as regras do FMI podem detê-lo, porque a Grécia não pode garantir sua solvência para o próximo ano. O FMI estava assumindo que se ele se decidir por não fazer o pagamento, a União Europeia poderia intervir e fazê-lo em seu lugar. Mas isto é assumir demais. Em países como a Alemanha, Finlândia e Países Baixos, a oposição está crescendo e não está claro se os pagamentos seriam atendidos.

Um porta-voz de Juncker disse mais tarde que se os inspetores da União Europeia e do FMI, que se encontram no momento em Atenas, ficassem convencidos com as novas medidas de austeridade dos gregos, não haveria nenhum problema com a próxima parcela do empréstimo. Portanto, pressões implacáveis estão sendo exercidas sobre a Grécia para a realização de novos cortes e privatizações. Um porta-voz do FMI confirmou que o Fundo ficaria impossibilitado de emprestar mais dinheiro à Grécia, a menos que tivesse certeza de que a lacuna de financiamento no próximo ano seria preenchida. “Nunca emprestamos quando não temos garantias de que não haverá nenhuma lacuna”, disse Caroline Atkinson em uma entrevista em Washington. “É assim que mantemos a segurança do dinheiro de nossos membros”.

O primeiro ministro grego, Georges Papandreou, portanto, encontra-se entre o martelo e a bigorna. O gabinete grego reuniu-se na segunda-feira para discutir a duplicação dos cortes no orçamento deste ano para seis bilhões de euros, incluindo cortes de pagamentos ao setor público, reduções no serviço público e aumento no imposto sobre o valor agregado (IVA). O governo aproximou-se dos líderes da oposição a fim de chegar ao plano de austeridade de quatro anos exigido por Bruxelas. Mas os partidos de oposição não estão ansiosos para compartilhar a responsabilidade por mais cortes.

O líder da direita, Samaras, recusou-se a apoiar o plano. A oposição de esquerda foi ainda mais enfática. “Não vim aqui para discutir a pilhagem da sociedade grega com o Sr. Papandreou”, disse Alexis Tsipras, líder da coalizão de esquerda Syriza. “Vim para falar-lhe que não deve… ir em frente com este crime contra o povo grego”.

O governo do PASOK será forçado a fazer o trabalho sujo sozinho. Ele começou um programa de privatizações na última quinta-feira. Disse que começará a vender participações em várias empresas nacionais “imediatamente”, a fim de levantar dinheiro para ajudar a reduzir suas enormes dívidas. Estas vendas incluem participações na empresa de telecomunicações OTE, na empresa estatal Postbank e nos portos de Atenas e Tessalônica. Mas o primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, não ficou impressionado. Ele disse que o plano de privatizações necessita ser “mais ambicioso”.

Em entrevista ao jornal Aachener Zeitung, o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet, empregou a mesma linguagem: “A Grécia deve realizar o programa integral e rigorosamente, o que é muito importante para corrigir os erros do passado”, teria ele dito. Esta arrogância provocou um clima de indignação na Grécia que encontrou sua expressão nas ruas.

Protestos em massa

Na semana passada, o povo da Grécia deu sua resposta a essa chantagem. Foi a maior demonstração desde o início do movimento e a maior desde o início da dívida da crise na Grécia e na Europa, com aproximadamente 150 mil pessoas em Atenas e em muitas outras grandes cidades gregas. Dezenas de milhares de gregos descarregaram sua raiva pela classe política do país em Atenas, no domingo, a maior demonstração em uma semana de protestos enquanto o governo busca apoio para ainda mais austeridade.

O sentimento de desânimo e desespero está se transformando em uma nova e destemida disposição de desafiar o status quo. Milhares de gregos – jovens e velhos; casados e solteiros; empregados e desempregados – inundaram a Praça Syntagma em uma onda de protesto. Os gregos estão furiosos. Eles estão furiosos com os políticos que nunca são punidos por sua corrupção, com os banqueiros que causaram a crise e são recompensados com bilhões dos fundos públicos, com os anônimos burocratas europeus que tomam decisões de impor planos de austeridade sobre eles de seus confortáveis e distantes escritórios em Bruxelas. Em suma: eles estão furiosos com todo o sistema econômico e político.

As manifestações na Praça Syntagma se inspiraram nas manifestações semelhantes na Espanha. Elas foram reunidas na noite do domingo por um grupo de espanhóis que vieram mostrar sua solidariedade, levantando cartazes em espanhol. “Dizemos abertamente que nos inspiramos nos manifestantes na Espanha”, disse Simos Adamopoulos, um dos organizadores: “Nosso lema é: ‘a batalha que nunca é travada, nunca é ganha’. Vamos ficar aqui e nas praças de todo o país pelo tempo que for necessário”.

As multidões pacíficas reuniam pessoas comuns, algumas das quais trouxeram seus filhos.

O movimento de massas envolvia as mais amplas camadas da população: trabalhadores e jovens; o desempregado e a classe média; os ativistas políticos e os não organizados e inexperientes. A maioria era formada por pessoas de fora do movimento dos trabalhadores, sem qualquer experiência de uma luta de classes. O núcleo do movimento se compõe de desempregados, muitos deles jovens com qualificações acadêmicas, mas que não conseguem encontrar trabalho.

Alguns deles carregavam bandeiras da Grécia nas mãos. Isto foi interpretado por alguns círculos da “esquerda” como sinal de nacionalismo reacionário. A existência de alguns elementos reacionários misturados no protesto dificilmente surpreenderia em um movimento de tais dimensões. Mas seria inteiramente equivocado concluir-se que o mero fato de se carregar uma bandeira grega seja sinônimo de reação. O repulsivo espetáculo dos bandidos, em Bruxelas, mantendo toda a nação grega em resgate, usurpando os direitos democráticos do povo grego de decidir ele próprio seu destino, é um insulto gratuito a um povo orgulhoso, que está expressando sua indignação exibindo sua bandeira nacional. Mas, além de seu ódio à Bruxelas, este é, acima de tudo, um protesto contra os banqueiros, os ricos e os parasitas de todas as nações – a Grécia incluída.

A enorme multidão lotou a Praça Syntagma em frente ao Parlamento grego, com vaias, assobios e gritos de “Ladrões! Ladrões!”, enquanto apontava para o prédio do Parlamento. “Já tivemos o suficiente. Os políticos estão nos fazendo de bobos. Se as coisas continuarem assim, nosso futuro será muito sombrio”, disse um estudante de 22 anos de idade que se identificou pelo nome de Nicos, à Agência Reuters. “Queremos nossa vida, queremos nossa felicidade, queremos nossa dignidade”, estava escrito em um cartaz. “Então, fora os ladrões e o FMI”. Estas opiniões são representativas de uma mudança sísmica na psicologia das massas gregas.

No entanto, os protestos espontâneos têm limites. É evidente que apenas o acampamento na Praça Syntagma não vai resolver nada. Na Espanha, os protestos em praças públicas tiveram impacto, mas já se encontram em declínio. É natural; se não tiver outra perspectiva, essa tática não levará a lugar nenhum, apesar de manifestações espontâneas semelhantes se reproduzirem continuamente. The Economist informa:

“Com as eleições locais para breve, os protestos provavelmente desaparecerão por um tempo. Mas o Sr. Rajoy [líder do Partido Conservador na Espanha] não deve ter ilusões. A menos que ele exponha planos radicais para melhorar a sorte dos espanhóis mais novos, eles estarão de volta”.

Calote inevitável

A União Europeia manteve a promessa de uma reestruturação “suave”, mas somente se o governo satisfizer os objetivos políticos exigidos. Essa reestruturação envolveria um atraso nos pagamentos e uma redução no pagamento dos juros, a serem acordados com os credores do país. Mas esta reestruturação foi condicionada à realização de um programa de cortes draconianos, bem como à pilhagem no atacado dos bens do país através da privatização.

Juncker insiste que qualquer reestruturação – e todos os empréstimos de emergência adicionais – somente chegariam se a Grécia intensificasse as privatizações e as dolorosas medidas de austeridade. Mas nada disto pode acontecer. A Grécia nunca será capaz de pagar suas dívidas. No final das contas, a Grécia será forçada ao calote. Enquanto isso, os custos dos empréstimos nos mercados de ações continuaram a aumentar constantemente na expectativa de um eventual calote.

A rentabilidade dos títulos gregos de 10 anos aumentou meio ponto percentual para 16,8% na segunda-feira, acima dos 15,3% de uma semana atrás. O peso da dívida está aumentando inexoravelmente. Os gregos enfrentam um número estimado em 60 bilhões de euros em dívidas com vencimento em 2012 e 2013. Tudo aponta para a inevitabilidade do calote. A única pergunta é quando.

A União Europeia, temendo as consequências do calote, pode remendar algum tipo de pacote novo que adiaria o dia da desgraça. Mas esta opção irá encontrar uma crescente onda de oposição nos países no norte europeu. Em qualquer caso, isto seria apenas um mero adiamento do inevitável. A decisão final não será tomada nem em Atenas nem em Bruxelas, mas nos mercados internacionais de dinheiro.

Um calote grego iria causar enormes problemas aos bancos da Europa que teriam de aceitar bilhões em perdas em seus balanços. O Banco Central Europeu advertiu que uma reestruturação da dívida, mesmo leve, poderia causar o colapso do sistema bancário grego e pânico financeiro em toda a periferia endividada da Europa. Em sua declaração, a agência de crédito Moody’s disse:

“É evidente que, por quanto mais tempo a situação atual de incertezas, que afetam a Grécia, persistir, maior a tentação por parte tanto dos gregos quanto das autoridades da zona do euro de tentar realizar alguma forma de reestruturação da dívida – em outras palavras, para permitir o calote à Grécia.

A Moody’s acredita que um calote é suscetível de produzir efeitos adversos na classificação de crédito para a Grécia, possivelmente para alguns outros países europeus pressionados, e para os bancos gregos, independentemente dos esforços realizados para se alcançar um ‘bom’ resultado.

O impacto total no mercado europeu de capitais seria difícil de ser previsto e ainda mais difícil de controlar. A precipitação teria implicações na credibilidade (e, portanto, nas classificações) dos emissores em toda a Europa”.

É possível que nesse momento a Grécia fosse forçada a sair da zona do euro. Isto, por sua vez, provocaria uma crise do próprio euro. Moody’s alertou que qualquer calote da dívida grega danificaria a classificação de crédito de outros países da periferia da zona do euro. Outros países já estão vendo seus custos de empréstimo aumentar, enquanto os mercados continuam preocupados de que um calote grego poderia provocar um colapso de todos os países europeus.

Sair da zona do euro não resolveria os problemas da Grécia, apenas os agravaria. A reintrodução do dracma [moeda grega anterior à adoção do euro] nada resolveria. Uma vez que o único objetivo de uma medida dessas seria desvalorizar o dracma para ganhar competitividade para as exportações gregas, os mercados internacionais de dinheiro não teriam pressa em adquirir a nova moeda. Haveria uma espiral descendente acentuada, com inflação galopante, um colapso dos investimentos e aumento do desemprego. E, nesse contexto, desenvolvimentos revolucionários estariam na ordem do dia.

O que vemos hoje na Grécia é o mesmo que vimos na Tunísia e no Egito há alguns meses. As perspectivas dos manifestantes na Praça Syntagma são ainda incertas: o movimento ainda está em fase de formação. Mas sua motivação é suficientemente clara, além de firme e inabalável. Talvez não saibam exatamente o que querem, mas sabem com clareza o que não querem. Este é um excelente ponto de partida. “Mas”, diz Adamopoulos, “também estamos muito revoltados com o sistema, com o establishment político, com todos os bandidos e ladrões. Enquanto ficamos mais pobres, eles ficam mais ricos e tudo isto também nos esporeia”.

Greve geral política

As manifestações em Syntagma e nas praças de outras cidades é a expressão do descontentamento generalizado com os partidos políticos existentes – incluindo os partidos da esquerda, e com os sindicatos. Vimos exatamente o mesmo fenômeno na Espanha. Mas este sentimento não significa necessariamente que as pessoas sejam apolíticas ou anarquistas. Ele revela um profundo descontentamento com os aparatos burocráticos distantes e arrogantes que há muito deixaram de representar as ideias e as aspirações das massas.

Os dirigentes sindicais têm protestado contra o programa de austeridade do governo com uma série de greves gerais e manifestações. Mas um dia de greve geral é apenas uma demonstração, uma demonstração de força. Traz as massas às ruas e permite-lhes ganhar consciência de seu poder coletivo. Isto é extremamente importante, mas por si só não é suficiente.

Sob determinadas condições, pode exercer pressão sobre o governo para que mude de rumo. Mas é tal a profundidade da crise do capitalismo grego que tais manifestações têm pouco ou nenhum efeito. O governo se pode dar ao luxo de esperar até que as manifestações arrefeçam e continuar com seus planos. Ainda pior, os dirigentes sindicais podem usar os ataques como uma válvula de escape de segurança para permitir aos trabalhadores desabafar e, em seguida, assinar um acordo com o governo.

O apelo por um dia de greve geral está sujeito à lei dos rendimentos decrescentes. A constante repetição de dias de greve e manifestações que nada conseguem pode desmoralizar os trabalhadores e cansá-los, dando lugar a um clima de apatia: “Temos feito de tudo para obrigar o governo a mudar de opinião, mas é inútil”. Os trabalhadores começarão a olhar para as greves e manifestações como desperdício de tempo e deixarão de responder à chamada. O governo e os patrões, então, partirão para a ofensiva.

No contexto grego, a demanda por uma greve geral política indefinida é uma demanda correta. A situação ultrapassou a tática de um dia de greve geral. Os trabalhadores gregos já participaram em muitas de tais greves, mas na situação dada, tais greves não podem alcançar resultados substanciais.

A assembleia popular de cerca de três mil pessoas na Praça Syntagma aprovou o apelo por uma greve geral política. Dada à situação, isto apenas pode significar uma greve geral indefinida. Este é o texto aprovado nessa assembleia:

RESOLUÇÃO DA ASSEMBLEIA POPULAR DA PRAÇA DA CONSTITUIÇÃO

Por longo tempo, as decisões sobre nós eram tomadas à nossa revelia.

Somos trabalhadores, desempregados, pensionistas e aposentados, jovens e viemos à Praça da Constituição para lutar por nossas vidas e nosso futuro.

Estamos aqui porque sabemos que qualquer solução para nossos problemas somente pode vir de nós mesmos.

Convocamos a todos os atenienses, trabalhadores, desempregados, jovens, à Praça da Constituição, e a toda a sociedade para encher cada praça e tomar a sua vida em suas próprias mãos.

Ali, nas praças, estaremos modelando todas as nossas petições e exigências.

Pedimos a todos os trabalhadores que irão à greve nos próximos dias a vir e permanecer na Praça da Constituição.

Não iremos deixar as praças até que eles vão embora: governos, diretores da União Europeia, bancos e todos os que nos exploram. Enviamos-lhes uma mensagem: esta dívida não é nossa.

DEMOCRACIA DIRETA AGORA!
IGUALDADE – JUSTIÇA – DIGNIDADE!

A única luta que se perde é a que não é travada!

Comitês de ação em todos os locais!

É necessário levar o movimento de protestos a um nível superior. O fato de que a assembleia popular tenha votado por uma greve geral política reflete a radicalização do movimento geral. Isto mostra que os trabalhadores e jovens estão tirando lições de sua experiência, que estão pensando, que estão aprendendo e que sua maturidade e consciência estão se desenvolvendo a passos largos. O povo já percebeu que a crise é tão profunda que métodos mais drásticos são necessários.

Os marxistas gregos do Marxistiki Foni fizeram um apelo por uma greve imediata de 48 horas como um passo para a greve geral por tempo indeterminado. É que uma greve geral por tempo indeterminado necessita ser organizada. Não pode ser improvisada ou convocada por Facebook. A fim de se preparar uma greve geral é necessário ir às fábricas e locais de trabalho, convocar assembleias de trabalhadores para discutir a greve e eleger comissões de trabalhadores que devem prestar contas à assembleia, sujeitas à revogação a qualquer tempo.

A pressão deve ser exercida sobre os sindicatos para mobilizar toda a força do movimento operário grego. O tempo de conversa mole acabou. Somente uma mobilização massiva de toda a Grécia poderá salvar a situação! Os trabalhadores de algumas indústrias ameaçadas com a privatização já entraram em greve. Isto é o que se deve fazer, mas não é o suficiente. O movimento de greve deve ser generalizado. Os sindicatos devem apelar imediatamente por uma greve geral de 48 horas! Se o governo recusar-se a recuar, marcar uma data para uma greve geral por tempo indeterminado!

Contudo, devemos ser claros. Considerando que uma greve de um dia é apenas uma manifestação, uma greve por tempo indeterminado coloca a questão do poder. Isto levanta a questão: quem é o dono da casa, você ou nós? Mas quem está preparado para tomar o poder?

A ideia de assembleias populares está se espalhando como uma expressão da necessidade de dotar o movimento de massas de uma organização. Muitas dessas assembleias estão sendo estabelecidas em locais de trabalho de Atenas. É assim que se deve proceder! O estabelecimento de comitês populares deve levar à criação de comitês de ação amplamente baseados nos trabalhadores, locatários, mulheres, jovens, estudantes, desempregados, pequenos comerciantes e camponeses.

Este movimento estruturado da base ao topo tem potencial para derrubar a ordem existente, mas apenas com uma condição: que seja conduzido por elementos verdadeiramente revolucionários. Aqui, a confusão que prevalece nos movimentos espontâneos pode desempenhar papel muito negativo. Aqueles que acreditam que é possível reformar a ordem social existente irão tentar limitar o escopo das assembleias à mera conversa reformista e nada será decidido.

Para que os comitês de ação se desenvolvam em toda a sua extensão, devem estar ligados, em primeiro lugar, em nível local e, depois, em níveis regional e nacional. Deve ficar claro que o objetivo das comissões é o de se prepararem para a ação de massas que culmine com uma greve geral em toda a Grécia. Uma conferência nacional de delegados deveria ser convocada o mais cedo possível para preparar a ação nacional. Esse organismo seria muito mais representativo do povo que o desacreditado governo atual.

Uma camada dos manifestantes já está tirando conclusões políticas corretas. Estão avançando demandas corretas tais como “reduzir a jornada de trabalho para combater o desemprego” (nós acrescentaríamos: sem perdas salariais) e “confiscar propriedades vazias e não vendidas” para proporcionar moradias para as pessoas. São demandas excelentes que poderiam ser concretizadas e generalizadas para incluir a expropriação dos bancos e das maiores indústrias sob o controle dos trabalhadores.

Como demanda imediata para unir o movimento e atrair as mais amplas camadas exigimos o repúdio da dívida externa. Nem um só euro para os agiotas e parasitas internacionais! Mas esta demanda conduz logicamente às demandas de expropriação dos bancos gregos e de centralização de todo o crédito nas mãos do Estado.

Nenhum dos problemas da Grécia pode ser resolvido enquanto a ditadura dos banqueiros e dos capitalistas permanecer intacta. Antonis Papaioannou, um estudante de 20 anos de engenharia mecânica em Atenas, disse que as medidas de austeridade atingiram a educação. No ano passado, os cortes de gastos levaram a cortes no fornecimento de energia em sua faculdade, greves de professores que não receberam seus salários e até à falta de papel de impressão para os computadores à disposição dos alunos.

“Estou indignado porque tudo que vejo do governo e da troika é a sua tentativa de espremer o povo grego sem gastar nenhum dinheiro em sua educação”, disse ele. “O governo grego representa o grande capital e não o povo grego”.

Esta é a essência do problema. A única forma de resolver a crise é através da derrubada revolucionária do grande capital, na Grécia e em todo o mundo. Os movimentos na Espanha e na Grécia mostram que um movimento poderoso está se desenvolvendo em muitos países. Uma vez armado com o programa e as perspectivas necessários, nada poderá deter este movimento.

Londres, 31 de maio de 2011.

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