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Grécia: A convocação de eleições antecipadas provoca a ruptura do Syriza

O Primeiro Ministro Alexis Tsipras convocou novas eleições parlamentares para o dia 20 de setembro. Imediatamente a Plataforma de Esquerda do Syriza anunciou a formação de um novo partido que concorrerá a essas eleições. Abaixo temos a resolução dos Marxistas Gregos da Tendência Comunista do Syriza sobre os acontecimentos recentes.

O Primeiro Ministro Alexis Tsipras convocou novas eleições parlamentares para o dia 20 de setembro. Imediatamente a Plataforma de Esquerda do Syriza anunciou a formação de um novo partido que concorrerá a essas eleições. Abaixo temos a resolução dos Marxistas Gregos da Tendência Comunista do Syriza sobre os acontecimentos recentes.

As eleições antecipadas podem se voltar contra aqueles que querem aplicar o Memorando. A consciência de classe, o voto de esquerda e os fundamentos para a construção de um novo partido podem ser a melhor maneira para defender-se da traição do governo ao voto “Não” no referendo popular.

O anúncio de novas eleições parlamentares é uma tentativa desesperada da equipe presidencial do Syriza para sobreviver politicamente, em meio a crescente indignação popular devido a esta traição. Assim como tentam assegurar as bases políticas para aplicar o novo Memorando, tentando enfraquecer a ala esquerda do Syriza, que é contra sua aplicação. Então, mesmo parecendo ser contraditório, o anúncio de eleições é o cancelamento antidemocrático do mandato popular contra o Memorando, confirmado recentemente pelo referendo, por parte da classe dominante e seus credores imperialistas. Um ato do qual o governo e a equipe presidencial do Syriza participaram e ainda participam como cúmplices conscientes.

Independentemente das intenções implícitas, as eleições de 20 de setembro abrem uma grande oportunidade para a classe trabalhadora, a juventude e os pobres. É uma oportunidade para conquistar uma vitória decisiva contra os defensores do capitalismo e os velhos e novos defensores do Memorando, vingando-se politicamente da violação brutal do mandato popular dado em 25 de janeiro e em cinco de julho. Os partidos burgueses, Nova Democracia, Aurora Dourada, PASOK, Potami e outros partidos pequenos, assim como a nova direção do Syriza a favor do Memorando, enfrentarão uma queda em seus votos. O voto popular terá um caráter de classe, resultado de fortes mobilizações dos trabalhadores, pode ser dado um mandato aos partidos de esquerda para formar um verdadeiro governo de esquerda, que erradicará o Memorando, a austeridade e o capitalismo. Esta alternativa política poderia ser alcançada através da unidade com o KKE e a nova organização de esquerda formada pelas forças da ala de esquerda do Syriza.

Depois da violação dos princípios, que fundaram o partido e da efetiva abolição de toda e qualquer decisão coletiva nos organismos do partido, o grupo de Alexis Tsipras destruiu o Syriza como partido de esquerda capaz de representar os trabalhadores. Tudo isso confirma as inequívocas e duras críticas da Tendência Comunista do Syriza, colocadas sempre de forma propositiva e sistemática. Os militantes de esquerda do partido têm agora que lutar fortemente pela criação de uma nova organização de esquerda, que terá o objetivo de retomar as propostas de fundação do velho Syriza, que foram traídas.

A Tendência Comunista participará ativamente no cumprimento dos procedimentos para a formação da nova organização política, em conjunto com os camaradas da Plataforma de Esquerda. Para nós, os Comunistas, é óbvio, que definitivamente não há mais nada a fazer dentro do novo Syriza, pró-memorando. Caminharemos ombro a ombro com os militantes de esquerda do velho e traído Syriza, lutando juntos, com o objetivo de construir uma nova organização política de esquerda, que expressará genuinamente e sem titubear os interesses e direitos da classe trabalhadora e das camadas mais pobres da população, até as últimas consequências. Nossa atuação política continuará firmemente fundamentada nos princípios e ideias do socialismo científico com um programa socialista e anticapitalista, que temos apresentado e defendido desde a formação de nossa tendência.

Tradução: Fernando Leal

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