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Grã-Bretanha: O fictício “capitalismo responsável” de Miliband

Na Inglaterra a liderança de Ed Miliband do Partido Trabalhista (Inglês) está se tornando uma elaborada paródia do vazio reformista. Ele propõe a parceria entre patrões e trabalhadores para “controlar as empresas”.

Com o capitalismo incapaz de proporcionar qualquer reforma, ele está como aquele aluno na escola que trabalha arduamente para evitar o trabalho enquanto da a impressão de ser estudioso. Ele está tentando arduamente, lançar e bater*, para dar a impressão de que o refeormismo pode funcionar sem qualquer reforma real. Infelizmente para Ed, neste caso a ilusão não funciona. (*nota do tradutor – lançar e bater: uma referencia ao jogo de beisebol onde um lançador arremessa a bola e o outro jogador a rebate com um taco).

Recentemente ele anunciou que a democracia social, ou o reformismo, pode (e terá que) fornecer a mesma quantidade de “justiça” e completo “bem-estar”, isso sem gastar nenhum dinheiro, mas de fato realizando enormes cortes. Traduzindo para a linguagem compreensível: isso significa que Miliband não está oferecendo de forma alguma uma política confiável para lidar com a crise e melhorar o padrão de vida das pessoas. Esta é a única razão pela qual Cameron tem melhor desempenho que ele nas pesquisas e porque, em alguns aspectos, os Tories, apesar de serem tão severamente odiados, conseguem ter mais confiança em assuntos econômicos. Se, para o povo só será oferecido cortes, então que seja feito por quem realmente sabe como enfiar a faca.

Em sua busca desesperada por uma política diferenciada, Miliband decidiu faturar em cima da antipatia geral aos banqueiros e da insatisfação diante da desigualdade de renda na sociedade britânica. Ele está vendendo a idéia de que podemos alcançar a justiça desejada e a igualdade, reformando a prática dos negócios ao invés de aumentar impostos e gastos públicos ou até mesmo (Deus me livre!) por nacionalizações!

Ele diz: “Alguém realmente acredita que David Cameron entrou na política para criar um capitalismo mais responsável? O público não vai acreditar nisso”. A questão concreta é: alguém realmente acredita que possa existir algo do tipo capitalismo responsável? O povo não leva isso a sério, e corretamente, pois o capitalismo é intrinsecamente irresponsável e cheio de crises. Evocar tal sistema enquanto a economia mundial mais uma vez oscila à beira do abismo é utópico.

Aceitar o capitalismo, como o reformismo e Ed Miliband fazem, significa adaptar-se às suas leis internas e implementar políticas que são do interesse dos capitalistas e do capitalismo. Daí o fato de que, na boa tradição do “Novo Trabalhismo”, Miliband está tentando vender sua política não apenas como justa e boa para o pobre, mas também como de interesse das empresas, dizendo: “Não há nada de anti-negócios em acabar com as trapaças, com os especuladores e abutres das economias honestas e dos bons negócios empresariais”.

Infelizmente, há nisso algo de anti-negócios sim, pois negócios ou capitalismo funcionam com as leis da selva. Necessariamente o capitalismo desenvolveu uma cultura de trapaça e especulação.

As políticas concretas que ele propôs são as seguintes: “colocar um representante dos funcionários em cada comissão de remuneração, para fazer com que as empresas publiquem suas relações de pagamentos, capacitar os fundos de pensão e investidores e ter mais um ano da taxa sobre os bônus dos bancos para trazer alguns dos jovens de volta ao trabalho”.

Essas políticas estão bem magras para alguém que quer transformar completamente a maneira como todo o sistema econômico funciona e reestruturar a sociedade. Os investidores não estão interessados em reduzir o salário dos executivos, eles estão interessados apenas em obter seus dividendos, e aqueles que são encarregados de gerenciar as carteiras de investimentos para alcançar altos retornos são extremamente bem remunerados. Pequenos acionistas são muito dispersos e seus ativos são muito pequenos para terem a chance de ditar a política da empresa, além do mais, eles também só estão preocupados em conseguir seus dividendos. A compra e venda de ações, e todas as outras especulações financeiras acontecem internacionalmente de acordo com as leis do capitalismo e determina o destino da economia mundial. Capacitar algumas destas empresas investidoras envolvidas nisso para transformá-las em campeãs da justiça e igualdade é ridiculamente irônico.

Colocar representantes dos funcionários nas comissões da empresa enquanto, graças à crise economica global, estas empresas inevitavelmente tomarão decisões para saquear milhares de trabalhadores e atacar os acordos e condições de trabalho, ou vai resultar na compra dos trabalhadores mais ativos, ou no colapso dessa colaboração de classes em uma luta de classes aberta.
Na verdade a luta de classe está na ordem do dia na Grã-Bretanha e no mundo. O ano de 2011 foi prova disso, em 2012 veremos muito mais.

O capitalismo, por sua relação intrínseca, aumenta a desigualdade e as crises que o acompanham não são capazes de superar essa tendência. Se os trabalhadores devem fazer com que seus empregadores dêem conta dos níveis obscenos de remuneração executiva, isso só pode ser feito através do controle real e democrático dos trabalhadores sobre essas empresas. Mas não se pode controlar o que não é sua propriedade. Para parecer confiável nesta época de crise e de vasta desigualdade, o Partido Trabalhista precisa oferecer um programa socialista de nacionalização e de controle da produção pelos trabalhadores.

Traduzido por Marcela Anita

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