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Fotografia do momento: Tribunal Regional do Trabalho, Governo Alckmin, polícia civil e PM atacam com tudo

Um ano após as jornadas de junho de 2013, inúmeras greves eclodem e trazem características novas após vários anos de lutas econômicas com cada uma no seu canto. Além do início de um processo de surgimento de greves de massas, o que significa um início de consciência política mais elevada nas mobilizações, começamos a ver as bases transbordando as direções que tentam frear as lutas

Um ano após as jornadas de junho de 2013, inúmeras greves eclodem e trazem características novas após vários anos de lutas econômicas com cada uma no seu canto. Além do início de um processo de surgimento de greves de massas, o que significa um início de consciência política mais elevada nas mobilizações, começamos a ver as bases transbordando as direções que tentam frear as lutas e agora com a greve dos metroviários de SP estamos vendo uma radicalização, uma determinação e um sentimento de unidade novo nesta situação política. Só nas grandes greves dos anos 70 e 80 vimos isso. Do ABC à greve de Volta Redonda e muitas outras. É o anúncio de que o jogo está virando.

O aprofundamento da crise internacional, da crise no Brasil onde após festa e propaganda governamental jurarem que “agora vai!”, “o PIB vai deslanchar”, temos o anúncio de que o deus dos atuais governantes, o “Mercado”, prevê um PIBinho de 1,44% para 2014.

O fato é que o sentimento de que “lutando se pode conquistar” invadiu a classe trabalhadora novamente. E é por isso que uma Santa Aliança repressora, desesperada e sem limites, se conforma no Brasil, na esteira do que se passa no mundo.

Segundo os governantes, as leis não valem mais, ou melhor, valem para o que desejar o governante, o patrão e a polícia, independente do significado do que está escrito. As leis servem para manter o controle da burguesia sobre a sociedade. Se não estão cumprindo esse objetivo, a burguesia as afasta com a mão sem a menor cerimônia e mostra a cara bruta e a mão manchada de sangue empunhando a espada. O Estado em última instância (Executivo, Legislativo e Judiciário), nada mais são que um bando de homens armados para garantir a dominação capitalista. A greve dos valentes metroviários de SP é exemplar para isso.

TRT e governo declaram guerra total contra a classe e suas organizações

No domingo (como trabalham estes juízes!) o TRT decretou a greve abusiva e ilegal (!) e o pagamento de multa diária de R$ 500 mil!

Segundo o TRT, a greve é ilegal porque não foi assegurada a decisão anterior do mesmo TRT de que o sindicato devia garantir 100% do Metro funcionando nos horários de pico e 70% nos outros horários, ou pagar R$100 mil de multa diária.

O TRT assim, acabou com o direito de greve inscrito no art. 9º da Constituição Federal.

E depois, unânimes, os justiceiros desembargadores determinaram o desconto dos dias parados, a não estabilidade no emprego e que o reajuste salarial deve ser o definido pelo Metrô!

No mesmo dia, o governador Geraldo Alckmin ameaçou: “Quem não for trabalhar, incorre em possibilidade de demissão por justa causa. O TRT decidiu que a greve é abusiva, totalmente ilegal. Hoje não tem discussão, ela é totalmente ilegal. O TRT definiu o índice do dissídio e a proposta adotada foi a do Metrô. Então, não tem o que discutir”.

Na tarde de domingo, os metroviários responderam ao governador: “A Greve continua!” e enviam carta à Dilma pedindo ajuda para “que auxilie nossa categoria a reabrir as negociações com o governo do Estado de São Paulo”.

Na segunda, Geraldo Alckmin (PSDB) contra-ataca e demite 42 grevistas. E anuncia mais demissões e “afastamento” de dirigentes estáveis do sindicato.

13 detidos e todos ameaçados

No mesmo dia, a PM cercou 70 grevistas na estação Ana Rosa do Metrô, atirou bombas de gás e balas de borracha em manifestantes e prendeu 13 grevistas.

Os 13 grevistas presos foram levados para o 36º Distrito Policial, que é o mesmo lugar em que a ditadura militar manteve um conhecido centro de tortura, na rua Tutóia.

A Secretaria de Segurança Pública (!) informou que os 13 presos foram detidos “após tentarem impedir o funcionamento da Estação Ana Rosa do Metrô e responderão judicialmente pelo artigo 201 do Código Penal (participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a interrupção de obra pública ou serviço de interesse coletivo)”.

E o jornal O Estado de SP anuncia: “Os nomes dos sindicalistas já foi (sic!) repassados para a empresa. A ocorrência policial será usada para a elaboração de um boletim interno do Metro que pode levar à demissão dos detidos”. (OESP, 09/06/2014)

E a reação do Planalto?

Dilma está empenhada em impedir “baderna” durante a Copa. Alckmin, o TRT e a PM instalaram a “baderna” em SP. E daí?!

O sindicato pede ajuda para reabrir as negociações e o ministro do PCdoB, Aldo Rebelo, declara: “Acredito que os trabalhadores do metrô vão entender a decisão da Justiça”. “O governo do Estado de São Paulo está negociando com os grevistas”. E completa: “Não conheço aqui no Brasil greve que tenha persistido em desafiar uma decisão da Justiça”. De que Brasil fala esse homem?!

Já o ministro do Trabalho, Manoel Dias, do PDT, declarou, na Suíça, que a greve tem caráter político.

O fato de que, em 9/06/14, os metroviários sob intensa pressão tenham decidido suspender a greve, não muda essencialmente nada na situação. O central é que cada vez mais se esvazia a esperança que o governo do PT resolva os problemas e cada vez mais se reafirma o sentimento de que só a luta pode conquistar.

A ferocidade da Santa Aliança se dedicando a esmagar as greves uma por uma, entretanto, terá consequências políticas inevitáveis. O sentimento de que uma greve isolada não resolve, mas que vai ser preciso uma greve de toda a classe para impor um recuo aos patrões e ao governo, vai colocar toda a questão num plano político superior. Este é o horizonte que vai surgir da atual situação. 

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