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Fim da greve na GM. O que é isso companheiros do PSTU?

Depois de 15 dias de greve dos 4 mil metalúrgicos da GM de São José dos Campos, a greve foi encerrada na última segunda-feira (24) com a direção do Sindicato, dirigida pelo PSTU (Conlutas), defendendo um acordo que entrega 798 trabalhadores ao conhecido “lay-off”.

Depois de 15 dias de greve dos 4 mil metalúrgicos da GM de São José dos Campos, a greve foi encerrada na última segunda-feira (24) com a direção do Sindicato, dirigida pelo PSTU (Conlutas), defendendo um acordo que entrega 798 trabalhadores ao conhecido “lay-off”, que é a preparação para a posterior demissão dos mesmos, como já vimos em diversos casos.

Vamos aos pontos do acordo:

“1- Cancelamento das 798 demissões e lay-off pelo período de cinco meses;

2- licença remunerada, retroativa ao dia 10 de agosto, para os trabalhadores que entrarão em lay-off.

3- discussão com o Sindicato sobre o plano de aposentadoria;

4- abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) em toda fábrica. Cada adesão resultará no abatimento do número de excedentes considerado pela companhia;

5- os trabalhadores em lay-off também terão direito a 13º salário, reajuste salarial na data-base, convênio médico e segunda parcela da PLR;

6- a empresa se compromete em não fazer nenhuma retaliação aos grevistas;

7- nenhum desconto dos dias em greve. Metade dos dias parados será arcada pela empresa. O restante será compensado pelos trabalhadores;

8- se o trabalhador afastado pelo lay-off preferir, poderá ser desligado antecipadamente, recebendo o valor relativo aos cinco meses de lay-off (parte paga pela empresa, equivalente à diferença entre o salário e bolsa-qualificação) mais os quatro salários de indenização. Neste caso, o trabalhador terá direito a cinco parcelas do seguro-desemprego;

9- ao fim do lay-off, se houver demissões, pagamento de indenização de quatro salários nominais para cada trabalhador.”

http://www.sindmetalsjc.org.br/imprensa/ultimas-noticias/2638/metalurgicos+da+gm+aprovam+acordo+que+cancela+demissoes.htm

O título do artigo diz “…acordo que cancela demissões…” (sic), seria cômico se não fosse trágico. Pois o acordo, na realidade, conseguiu apenas um adiamento das demissões com o lay-off. Para a luta contra as demissões, a assinatura desse acordo significa uma derrota. A única saída para uma vitória real seria a continuidade da greve, colocando inclusive a proposta de uma greve com ocupação da fábrica, com o combate pela ampla solidariedade, construindo a unidade com as outras plantas da GM e outros metalúrgicos em luta contra as demissões, como os da Mercedes Benz. Construir a unidade dos trabalhadores em torno de um ponto: barrar as demissões!

A direção do PSTU nos metalúrgicos de São José dos Campos copiou a proposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, dirigido pela Articulação Sindical, vejam:

Nesta semana os 600 metalúrgicos em licença remunerada desde o dia 12 de maio receberam telegramas afirmando que seriam desligados da empresa na quarta-feira (04/06/2014). Para evitar as demissões, o sindicato propôs a adoção do lay off. “A empresa aceitou negociar, porém, deve colocar entre mil e 1.400 funcionários em licença. Ainda vamos definir os detalhes”, afirmou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Valter Sanches.” (http://www.metalurgicosdesaocarlos.org.br/noticias/59-sem-foto/2853-02-jun-abc-lay-off-na-mercedes-benz-evitara-600-demissoes.html)

Esta foi a posição da direção dos metalúrgicos do ABC em 2014, quando se iniciou o processo de demissões na Mercedes Benz, levando ao acampamento dos 500 demitidos em 2015, que foi, na prática, desmontado pela direção do sindicato.

No final das contas, PSTU e Articulação Sindical propõem a mesma saída para as demissões nas montadoras.

Fato interessante foi a participação do prefeito de São José dos Campos, Carlinhos Almeida (PT), um dos maiores entusiastas da colaboração de classes, tendo até DEM e PSDB no seu secretariado. Na assembleia que pôs fim à greve, ele considerou muito positivo o acordo que “barrou” as demissões.

Do outro lado, os patrões do setor prometem mais e mais demissões. Em nota, a GM declarou: “… acredita que essa decisão é positiva, mas não resolve a situação de competitividade do Complexo de São José dos Campos…” (http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,metalurgicos-da-gm-voltam-ao-trabalho-em-sao-jose-dos-campos,1749572). Ou seja, eles se preparam para novos ataques para garantir os lucros da empresa em meio à crise econômica.

Esse caso evidencia uma vez mais como o esquerdismo, muitas vezes, dá as mãos ao oportunismo. Nem o PSTU, nem a direção majoritária do movimento sindical (Articulação) apresentam uma proposta de enfrentamento e unidade na luta contra as demissões, comemorando falsas saídas patronais, como PDVs e lay-offs.

A saída é a ampla unidade contra as demissões, utilizando os métodos de luta da classe operária: greves, manifestações e ocupações de fábricas em defesa dos postos de trabalho.

Nós cobramos do governo a estabilidade no emprego e a estatização das empresas que demitirem em massa. Essa é a posição que temos defendido nos Congressos Estaduais da CUT e é o que defenderemos no Congresso Nacional da CUT em outubro.

Todos contra os ataques! A saída é pela esquerda!

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