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FIESP, FIRJAM, Globo e Financial Times em defesa do governo Dilma

Uma análise do significado das recentes declarações de setores da burguesia defendendo a governabilidade e a estabilidade das instituições.

(artigo atualizado em 17/08)

A burguesia tem um interesse fundamental: garantir o lucro de seus negócios.

Os recentes recados dados por setores da burguesia para que, resumidamente, todos se esforcem para dar sustentação ao governo Dilma e para que seja retomada a estabilidade política e das instituições, tem exatamente esse sentido, deixar de lado as disputas políticas e que, todos juntos, enfrentem a crise garantindo o mais importante, os lucros dos capitalistas.

Em 6 de agosto, a Federação das Indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro (FIESP e FIRJAN) lançaram uma nota defendendo que “O momento é de responsabilidade, diálogo e ação para preservar a estabilidade institucional do Brasil” e que “É hora de colocar de lado ambições pessoais ou partidárias e mirar o interesse maior do Brasil”. Ou seja, é um claro puxão de orelha nos políticos da oposição, avisando que suas disputas e interesses particulares estão atrapalhando os negócios e que a hora é de unidade nacional.

No dia seguinte (7/8), o jornal O Globo lança o editorial “Manipulação do Congresso ultrapassa limites”, o texto vai mais fundo na crítica e coloca Eduardo Cunha como o irresponsável que, por interesses pessoais na sua luta para se salvar e se contrapor ao governo, manobra no Congresso para aprovar medidas “destinadas a explodir o Orçamento e, em consequência, queira ou não, desestabilizar de vez a própria economia brasileira”, é o que o jornal classifica como uma “clássica marcha da insensatez”. O editorial coloca que a sinalização do governo por um acordo suprapartidário para enfrentar a atual situação, é “Mais um teste de maturidade para os tucanos”. Ou seja, um recado para o PSDB dar um fim à oposição sectária que vem fazendo, colocando-se contra as medidas de ajuste fiscal e apoiando as propostas de aumento de gastos, a chamada “pauta-bomba”.

O editorial, após listar os prejuízos econômicos causados pela instabilidade política, conclui: “Tudo isso deveria aproximar os políticos responsáveis de todos os partidos para dar condições de governabilidade ao Planalto”.

O jornal Financial Times agora também defende Dilma. Seu editorial, de 22/07, diz que a “Incompetência, arrogância e corrupção abalaram a magia do Brasil. Combinado com o fim do boom das commodities, tudo isso tem levado a oitava maior economia do mundo para uma recessão profunda. O escândalo de corrupção na Petrobras só agrava a podridão.”, um “filme de terror sem fim”. (…) “A seu favor (de Dilma, nota do autor), ela recuou da fracassada ‘nova matriz econômica’, conduzida em seu primeiro mandato. As taxas de juros subiram para combater a inflação. Seu rígido ministro da Fazenda procura cortar gastos. Essas correções necessárias, mas doloridas, cortaram os salários reais, afetaram o emprego e reduziram a confiança dos empresários”.

O filme de terror sem fim é a agenda que o FT elogia. E por isso, em 17/8, conclui que apesar de “O descontentamento crescente no Brasil com Dilma Rousseff” … “A presidente deveria permanecer no cargo, apesar dos apelos por impeachment”, pois se ela deixar o cargo “provavelmente seria substituída por um outro político medíocre”. Deve estar falando de Temer ou de Aécio, ou de Cunha ou de Renan.

Isso tudo só reafirma o que já vínhamos explicando, não é a opção do setor majoritário da burguesia, e também do imperialismo, o impeachment de Dilma, a tática é desgastar e sangrar o governo (com o cuidado de não matá-lo antes do tempo) para retomar o controle em 2018.

A burguesia é pragmática, sabe que as disputas políticas na atual situação podem tornar a crise econômica, que já é profunda, ainda pior. Por isso o clamor pela unidade nacional e a defesa de Dilma. Afinal, o PMDB, PSDB e também o PT (como prova as novas medidas do ajuste fiscal apelidadas de Agenda Brasil), estão a serviço da salvação do capitalismo. É hora de colocarem as diferenças de lado e trabalharem juntos por essa causa. Eles querem a Agenda Brasil e a Lei Antiterrorismo para atacar os movimentos sociais.

Com as manifestações da direita enfraquecidas, e meio desmoralizadas, o impeachment continua a ser uma proposta marginal, mas que serve bem ao PT e ao governo como espantalho.

Nossa luta continua a ser “Abaixo a Agenda Brasil!”, Abaixo a Lei Antiterrorismo!” Todos juntos contra a austeridade. Abaixo o capitalismo!

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