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Ferrovias para o agronegócio

 

Roberto Mendes Teixeira e Evanildo da Silva (diretores do Sindicato dos Ferroviários de Bauru e MS) e o assessor Willian Álvaro Monteiro participaram na cidade de Dourados em 06/05, a convite do Deputado Estadual Amarildo Cruz-PT/MS, da  Reunião Participativa que tratou da construção da ferrovia  Estrela Do Oeste –SP, Panorama-SP, Dourados-MS.

Segundo os diretores do Sindicato, o objetivo da audiência ficou claro logo no início da reunião onde os técnicos informaram que o processo utilizado para se desenvolver o projeto é o mais preciso possível cientificamente, tornando sem sentido qualquer participação popular ou de prefeitos de cidades próximas que reivindicavam a passagem do trem em suas cidades.

A orientação do traçado, segundo os técnicos da ANTT e da VALEC, está relacionada com a política de atendimento ao transporte de cargas (commodities, principalmente grãos), constituindo-se a ferrovia num grande corredor, portanto não havendo necessidade que os trilhos passem por cidades da região.

A reunião foi conduzida pelos técnicos que apresentaram rapidamente os estudos preliminares do traçado da ferrovia que ligará a Ferrovia Norte-Sul à cidade de Dourados, passando por Santa Bárbara do Oeste, Panorama, Brasilândia e  Bataguassu.

O diretor do Sindicato, Roberto Teixeira, em sua intervenção destacou que a União investe recursos na construção de ferrovias que serão concedidas à iniciativa privada para a operação, com o objetivo de  atender os interesses do agronegócio. As ferrovias deveriam atender também a demanda de cargas gerais para equilibrar a matriz de transportes na movimentação de cargas internamente. Também registrou a necessidade de que pelos trilhos circulem trens de passageiros. Lembrou também que entre Campo Grande e Ponta Porã, existem 300 quilômetros de ferrovias que foram abandonados pela ALL- América Latina Logística. Este trecho era utilizado para escoamento de toda produção agrícola da região, o que agora é feito por caminhões. Em estado lastimável também esta toda a malha entre Bauru/SP e Corumbá/MS, operado pela mesma concessionária, finalizou.

Mais uma vez ficou evidente pelas posições dos representantes do governo que participaram da audiência, que o modelo de ferrovias que estão sendo implantadas no país segue a lógica privatizante e de se constituírem em insumos dos negócios de grandes corporações, relegando a um plano inferior os interesses gerais do povo. Na verdade, o conjunto do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) tem essa finalidade, beneficiar o lucro dos capitalistas e aprofundar o caráter da economia do país como uma plataforma de exportação agromineral.

O Sindicato dos Ferroviários dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e MS-CUT defende a reestatização das ferrovias, a implantação de uma empresa pública de caráter nacional, para administrar, planejar, operar e financiar o transporte ferroviário no país.

 

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