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Férias Coletivas e ameaça de desemprego

Publicamos aqui o editorial da edição nº.17 do Jornal Luta de Classes.

Enquanto todos os economistas e os consultores se contorcem para poder adivinhar quanto valerá a bolsa, o dólar ou o ouro na semana que vem; enquanto alguns perdem bilhões e outros ganham bilhões, o desastre criado pelo capitalismo começa a chegar ao povo: as empresas anunciam demissões e férias coletivas no Brasil e no mundo. As estatísticas que nos chegam do mundo apavoram: na Europa, uma média de 10 mil demissões por dia, nos EUA o número de pedidos de seguro desemprego ultrapassa a média de 500 mil por mês, prevê-se uma queda do PIB de mais de 5% no último trimestre e anuncia-se agora, que o país está em recessão faz um ano, desde dez/2007! Na China, mais de 15 mil fábricas fechadas, mais de 10 milhões de desempregados.

Enquanto isso, os pacotes continuam a chegar para o bolso dos capitalistas. Nos EUA, a conta do governo está entre 5 e 8 trilhões de dólares! De 5 a 8 vezes o que o Brasil produz por ano, entre um terço e metade do que produz (PIB) os EUA em um ano! Aqui a conta foi mais modesta – 150 bilhões de reais. O dobro do que custaria corrigir os salários dos aposentados em um ano! E tudo isso foi gasto em dois meses.

FHC inventou o fator previdenciário e comprimiu os proventos dos aposentados e pensionistas. Lula continuou com tudo isso. Agora os projetos do Senador Paim, que acabam com o fator previdenciário e reajustam os proventos dos aposentados, foram aprovados e o governo recusa-se a dar seguimento, combate os projetos porque diz que vão custar 76 bilhões de reais em um ano! Ora, se esse dinheiro não existe, como existiu 150 bilhões para especuladores, exportadores e banqueiros? Para os aposentados e trabalhadores, nada! Para os ricos, tudo? O povo elegeu Lula para acabar com essa farra e a farra continua?

E os trabalhadores já estão sentindo a crise. A Folha de São Paulo (29/11) fala em 47 mil operários de montadoras em férias coletivas neste final de ano, com aumento do número de semanas em relação ao ano passado. O Globo (30/11) mostra 18 mil em férias coletivas no Sul Fluminense (região de Volta Redonda), 40% a mais que no ano passado e com demissões nas firmas terceirizadas. Embora em outubro tenha aumentado o número de empregados (com queda no salário médio), este aumento não aconteceu nas indústrias. Muitos investimentos previstos para o próximo ano continuarão, mas a FIESP estima uma queda de 40% nesta previsão. Resultado: diminuição do emprego, mais arrocho salarial.

Os trilhões que estão sendo gastos no Brasil e no mundo resolverão o problema de alguns bilionários, de algumas empresas. Mas aumentarão a miséria dos trabalhadores e do povo pobre que terão que pagar a conta em desemprego, arrocho e miséria. Existe outra saída? Existe. Romper com a burguesia e atacar o capitalismo: estatizar sob o controle operário as indústrias e os bancos, distribuir terra para quem nela vive e trabalha. Este é o combate que a Esquerda Marxista leva, no PT, na CUT, no movimento operário e para o qual convida os trabalhadores e jovens a integrar os seus quadros.

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