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Feminismo segundo a perspectiva marxista (Parte 7 – Final)

Este texto busca compreender os movimentos de resistência da mulher, ao longo de suas lutas históricas, que se expressaram e se expressam de diversas maneiras, sendo o termo feminismo uma designação comum para eles.

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OPRESSÃO E PADRÕES ESTÉTICOS:  O CAPITALISMO ENCHENDO OS BOLSOS

Como combater a padronização que fere a particularidade do ser humano e em especial da mulher, imposta de forma avassaladora no capitalismo? Sem ignorar o quão prejudicial são as imposições de padrão estético e comportamentais, não podemos incorrer na estratégia de múltiplas segmentações entre as mulheres de acordo com cor de pele e etnia, conforme o feminismo multiculturalista, nem na estratégia da rebeldia individual defendida pelo pós-estruturalismo (sobre isso, leia a parte 6 deste artigo). É crucial percebermos como essas saídas que contornam a questão material causadora da opressão estética, desconectadas da práxis contra o capitalismo, alimentam a ilusão da autolibertação por um lado e, por outro, servem como mais uma fonte de lucro para o mercado capitalista, em que se resgata o suado dinheiro da classe trabalhadora. 

O capitalismo em si já nega as experiências e ações pautadas em união. Busca segregar e individualizar os anseios, sofrimentos e lutas, ao mesmo tempo em que rejeita as particularidades, pois realiza um processo de objetificação do ser humano e descontextualização da sua existência. Características que servem não apenas para impedir a ação organizada da classe explorada, mas também como fonte de lucro para o mercado, o qual lucra com a pluralidade de vontades. Além de um leque de novos mercados consumidores, esses constantemente transitam, modificam-se e, consequentemente, consomem mais. Butler (veja a parte 6 deste artigo), porta-voz do pós-estruturalismo, acredita que está contrariando o capitalismo ao defender a estratégia de identidade rebelde e transitória, mas apenas está reafirmando o individualismo e a prática mercadológica do sistema. Como coloca D’Atri (2006), o capitalismo absorve as singularidades e as equaliza no universal valor de troca. Assim, a ideologia pós-estruturalista se opõe à ordem apenas na sua intenção, mas a fortalece ideológica e economicamente, além de ser impotente como ofensiva contra a sociedade burguesa. 

Apesar de algumas mulheres tomarem a via da rebeldia, a maioria se submete aos padrões de beleza e almeja alcançá-los. A “obrigatoriedade” do padrão estético possui dupla consequência: uma consiste na alimentação de mercados de produção específicos voltados para a estética. Outra consequência consiste na criação de uma falsa autorresponsabilização da mulher para que seja aceita ou não na sociedade, para que seja oprimida ou não. A partir de um parâmetro estabelecido, a mulher é levada a analisar os desvios em si mesma e se considerar a culpada pela sua condição de oprimida, e, para as trabalhadoras, de explorada. Se ela não possui dinheiro para comprar roupas, acessórios e produtos de qualidade, se ela não é valorizada no mercado de trabalho e no ambiente familiar, é porque ela falhou enquanto mulher. Ao contrário dos estereótipos de mulheres apresentados pela publicidade e pela mídia. 

A autoculpabilização e o sentimento de inadequação imobilizam as mulheres e as dividem em competição por postos de trabalho e status social. Ainda no século XXI, persiste a triste ideologia do “bom partido”, o homem provedor de uma “vida decente” para a mulher, no aspecto econômico e moral, que encontra base na realidade da permanente marginalização do sexo feminino, principalmente em locais economicamente atrasados. Na busca pelo marido perfeito, a mulher trata a si mesma como produto a ser vendido. Após o casamento, é comum a submissão e o autorreconhecimento como objeto de uso. 

Na obra “Sexo contra sexo ou classe contra classe” (2008), Evelyn Reed identifica três tipos de especuladores do corpo feminino, atualmente: os que controlam seu peso e sua conformação corporal, os que exigem a utilização de cosméticos e os que ditam a moda de roupas e adereços. É comum que grandes quantidades de mulheres busquem nesses recursos a aceitação social, e com eles gastem parte significativa de seus salários. 

A indústria e a sociedade, que contam com a pobreza e a exploração para garantia de uma minoria parasitária, tiram proveitos dessa situação, desviando o questionamento contra a ordem para a supervalorização das responsabilidades individuais. Percebemos a popularização da indústria da beleza. Desde joias de luxo até as bijus, a mulher deve consumi-los constantemente.  Também o homem está cada vez mais englobado como mais um mercado consumidor neste plano específico, embora não tão condenado como a mulher, caso não corresponda aos padrões. Isso devido ao fato de que a mulher é mais intensamente fetichizada, e, historicamente, perdeu seu valor na sociedade de classes.

Nossa crítica não é contrária aos avanços científicos da indústria de cosméticos que possam proporcionar melhorias à saúde, assim como também não nos opomos à criação artística e cultural de roupas e acessórios, componente da cultura humana muito antes do surgimento do capitalismo. A crítica foca, por sua vez, na imposição de padrões inatingíveis, que visam à marginalização de setores da sociedade e à supervalorização de padrões idealizados de acordo com a cultura dominante colonizadora e exploradora. Exemplo disso é o quanto se tornam mais evidentes e objetos de assunto de saúde pública casos de transtornos alimentares e transtornos obsessivos compulsivos relacionados à aparência física, como anorexia, bulimia e vigorexia.  

Acrescida a toda opressão objetiva apresentada no presente artigo, desde o surgimento da sociedade de classes, ainda existem outros fatores que compõem a opressão sobre a mulher, como os padrões estéticos, conforme mencionado. Além disso, ela passa pelo paradoxo de cumprir ao mesmo tempo papel de trabalhadora, mãe e dona de casa, mas sempre resta o arrependimento por não poder ter sido melhor em um âmbito ou outro. Existe também uma atmosfera opressiva quanto ao comportamento sexual esperado da mulher, a qual se encontra equivocadamente estereotipada entre a dona de casa dotada de pudores ou a prostituta sem escrúpulos. Ainda, a família acaba se tornando um espaço de conflitos diante das aflições da classe explorada, que não encontra no Estado apoio para suas necessidades básicas. Tudo isso e mais outros aspectos compõem hoje o peso sobre o ombro feminino, que sente fortemente o impacto do peso que recai sobre toda a classe trabalhadora, conforme se explicaram as origens e necessidades de manutenção da opressão sobre a mulher pelo sistema. Segundo Evelyn Reed, “(…) este abuso inexorável sobre as mulheres não pode ser superado com uma guerra entre os sexos, e sim com a luta de classes” (REED, E. Sexo contra sexo ou classe contra classe).

OS MITOS CRIADOS PELO FEMINISMO E DIVERGÊNCIAS DE MÉTODO

Faz-se importante ressaltar que havia e ainda há parcelas do movimento feminista que possuem consciência de que a emancipação da mulher vem da transformação radical da sociedade, com o fim do capitalismo. Feministas dessa linha pautaram, no IV Encontro Feminista Latino Americano e do Caribe (1980), os mitos comuns no movimento: 

“1. A nós, feministas, não interessa o poder; 2. Nós, feministas, fazemos política de outra maneira; 3. Todas as feministas somos iguais; 4. Existe uma unidade natural pelo simples fato de sermos mulheres; 5. O feminismo só existe como uma política de mulheres para mulheres; 6. O pequeno grupo é o movimento; 7. Os espaços de mulheres garantem por si só um processo positivo; 8. Porque eu mulher sinto, é válido; 9. O pessoal é automaticamente político; e 10. O consenso é democracia.” (Citado por Andrea D’Atri, em Pão e Rosas.)

Durante o IV Encontro, as feministas pronunciaram:

“Estes dez mitos geraram uma situação de frustração, autocomplacência, desgaste, ineficiência e confusão, que muitas de nós feministas detectamos e reconhecemos que existe e que está presente na imensa maioria dos grupos que hoje fazem política feminista na América Latina”. (Citado por Andrea D’Atri, em Pão e Rosas.)

Conforme a declaração, o que esse grupo denomina como mitos são as concepções de parte significativa de grupos feministas da terceira onda, ou seja, de movimentos feministas da atualidade.  No decorrer do presente texto, pudemos contemplar alguns destes mitos, desfeitos ante a análise materialista da história de lutas da mulher. Alguns destes mitos, que serão melhor desenvolvidos abaixo, dizem respeito ao método de organização/discussão de grupos auto-organizados e que muitas vezes contestam e tentam deslegitimar os espaços marxistas com tradição na organização do movimento operário. 

1.O pequeno grupo é o movimento

Esse é um mito corrente em pequenos grupos feministas. Compreendemos que um pequeno grupo certamente pode provocar e influenciar um movimento de massas. Mas para os marxistas, o partido revolucionário, que não é composto pelas massas, deve trabalhar para se ligar e ganhar a confiança das massas proletárias. Essa é a condição para a classe operária encontrar o caminho da tomada do poder, varrer o capitalismo, minando as bases materiais para o machismo e toda desigualdade social. Entretanto, nem o partido revolucionário, nem um grupo de feministas poderia substituir as massas em ação revolucionária. Seria necessário que esse pequeno grupo encerrasse em suas mãos uma importância produtiva e social tamanha, que desse a ele o poder pretendido. Uma das três premissas para o socialismo, descritas por Trotsky, em “A teoria da revolução permanente”, consiste na força de trabalho e de produção concentrada na mão do proletariado. Outra consiste na organização política consciente do proletariado contra o sistema, sendo que ambas são indissociáveis. Apesar de a tecnologia tender à diminuição de mão de obra no chão de fábrica, não chegamos ao ponto de ter a importância da classe trabalhadora concentrada em uma roda de pessoas supostamente aptas para acabar com a ideologia da ordem capitalista. Se não é um peso produtivo e social significativo que detêm esses grupos, também não é aceitável crermos que possuem um papel heroico devido apenas a sua ideologia. O indivíduo tem sua importância na história, mas é preciso que esteja junto ao movimento das massas.

2.Os espaços de mulheres garantem por si só um processo positivo

Porque eu mulher sinto, é válido

O pessoal é automaticamente político

Os mitos “os espaços de mulheres garantem por si só um processo positivo”, “porque eu mulher sinto, é válido” e “o pessoal é automaticamente político” tornam-se mitos à medida que pretendem sobrepor espaços, sentimentos e particularidades de algumas mulheres sobre o conjunto de mulheres trabalhadoras no mundo, que passam por situações particulares diversas das suas, mas que passam por uma condição de exploração de classe comum internacionalmente. Compreendemos que uma conversa, um sentimento, experiências pessoais podem ser processos positivos na formulação teórica e no incitamento de ações acertadas dentro do movimento proletário. Certamente grupos de desabafos e trocas de vivência podem desempenhar um papel importante para a manutenção da mulher nos espaços políticos. Mas, como apoio. Por mais que sejam positivos para o grupo que os vivenciam, esses fatores isolados são incapazes de substituir a ação sistemática baseada na teoria marxista nos espaços da classe trabalhadora, inclusive dentro dos espaços de trabalho de milhares de mulheres exploradas. O marxismo busca saídas coletivas para a humanidade, por meio da ação de massas revolucionária, e não saídas individuais ou simbólicas. 

3.O consenso é democracia e o horizontalismo

O último mito elencado pelas argentinas, de que “o consenso é democracia”, evidencia falta de compreensão política sobre o que realmente é consenso e democracia. Muitos grupos feministas buscam cultivar em seus espaços uma espécie de irmandade e de acordo generalizado. Para isso, é comum que incorram em superficialidade. O consenso advém da não exposição das divergências, o que é danoso para qualquer grupo que se proponha a uma tarefa importante junto à classe. Os marxistas percebem que para haver verdadeira unidade de ação, as divergências, comuns a qualquer grupo, devem estar expostas. Se não podem ser resolvidas, devem ser ponderadas democraticamente e ser de conhecimento do grupo, para até mesmo compor de forma completa a avaliação coletiva posterior às ações oriundas das decisões adotas pela maioria. Trata-se da liberdade na discussão e unidade na ação, método que pauta movimentos com tradição operária e que impede que se fragmentem diante de qualquer divergência, assim como possibilita um avanço teórico coletivo a partir dos erros e acertos. Entretanto, diante da clareza de divergências expostas no movimento operário tradicional, há feministas que acreditam que tamanha exposição de divergências se trate de um problema de falta de consenso gerado por falta de discussão. Pelo contrário. A imposição de ações e ideias possui preponderância nos grupos onde não se exploram as concepções de cada um, independentemente se divergem ou não da maioria e da ação pautada pela maioria. Consideram que há “consenso” onde não se discute, onde silenciosamente vence a posição do mais forte, eloquente, etc. 

Um exemplo bastante prático dos métodos proletários de luta são as assembleias de trabalhadores e estudantes. Uma greve, por exemplo, se tem o apoio da maioria após discussão e votação, deve ser decretada e posta em prática, mesmo que uma minoria não esteja de acordo. A interminável busca pelo consenso imobilizaria todo o movimento. Também em uma greve é inclusive legítimo que os grevistas organizem piquetes que impeçam os “fura-greves” de entrar e prejudicar todo o movimento.

Esse mito da necessidade do consenso pode se refletir em modos de organização. Por exemplo, as rodas de debates podem representar bem a noção de “consenso democrático”, por meio do “horizontalismo”: um consenso gerado a partir de discussões difusas. Primeiramente, não há uma mesa que vai expor, de forma organizada, uma linha política. Para as feministas “horizontais”, a mesa é vista, de forma equivocada, como “vertical” e formadora de “hierarquia” do debate. Já nos ambientes “horizontais” cada uma expõe sua linha, muitas vezes com foco nas individualidades e impressões pessoais de suas vivências. Ao final da roda, não se tem uma noção clara das linhas políticas expostas, das divergências e de qual deve ser o caminho a ser seguido para um andamento coletivo das ações do grupo ou para as conclusões, inclusive eliminando as compreensões imprecisas e danosas ao movimento. 

Aqui não se pretende generalizar todas as rodas de debate. Mas se pretende propor um método eficiente para aquelas que querem contribuir efetivamente para a emancipação coletiva de mulheres. Uma discussão com mesa possibilita um debate lúcido, com exposição clara de diferentes posições, em um intervalo de tempo de fala previsto que seja suficiente e dividido democraticamente entre os participantes. Já nas rodas, prevalecem aqueles mais desinibidos para tomar a fala de forma desordenada.

Em uma instância de decisão que preze pela democracia operária (congressos, assembleias, plenárias, etc.), uma mesa para dirigir os trabalhos não deve ser imposta, e sim aprovada pelos presentes. E, caso não esteja cumprindo corretamente sua função, esta mesa pode ser substituída a qualquer momento. Ao final dos debates com mesa e tradição operária, existe um plano de ação organizado de acordo com as decisões aprovadas pela maioria. O método “objetivo X resultado” coloca em prática e à prova os encaminhamentos da discussão. Um controle necessário para um funcionamento efetivo, em que se realizem novas formulações e as devidas correções a partir da intervenção e dos resultados concretos. Fica evidente como a mesa não opera como ente “vertical” e autoritário, e sim como elemento que organiza e dirige o debate de forma produtiva, sem apagar os posicionamentos, sejam os preponderantes, sejam os minoritários. Assim, assegura-se a todo o movimento um modo de atuação na sociedade organizado e planejado, capaz de interferir na estrutura social junto aos setores da classe explorada.

            Um exemplo de busca de “horizontalidade” e de “consenso” se expressa na Marcha das Vadias. A sua criação, em 2011, surge a partir dos casos de abuso sexual na Universidade de Toronto, Canadá, e diante da declaração de um policial de que as mulheres eram as responsáveis pelos abusos ao se vestirem como “vadias”. Isto provocou manifestações massivas no país e diversas outras pelo mundo, conhecidas como Marcha das Vadias. No Brasil, teve início em 2011 com 300 mulheres, e reuniu 3 mil em 2012. 

A Marcha das Vadias é um movimento auto-organizado que se reivindica autônomo e horizontal, com simpatia confusa pelo anarquismo. Na tentativa de ser democrático com a “heterogeneidade de posicionamentos políticos” – conforme consta na carta de princípios da Marcha das Vadias do Distrito Federal – acaba por impedir, durante as Marchas, o posicionamento de coletivos, grupos ou partidos políticos que levantam de forma transparente suas bandeiras, sob a alegação de que a ação organizada destes movimentos irá impedir a demonstração de outras linhas políticas, uma suposição infundada. O movimento é palco de inúmeras discussões e fragmentações, devido a um consenso idealizado, mas que não se realiza de fato e não pode ser pautado de forma organizada, justamente porque a marcha rejeita aqueles que já estão organizados em partidos e coletivos. Há confrontos internos de concepções contrárias sobre a intervenção. Devido às debilidades de método de discussão, as divergências resultam em discussões públicas, ofensas e rachas, e não no amadurecimento do grupo como um todo. Atualmente, a marcha tem participado de atos pelo país, mas a mídia não tem mais divulgado manifestações massivas da marcha, como as ocorridas até 2013.

Outro exemplo do consenso raso e da exclusão de posicionamentos democraticamente expostos por grupos já organizados foi o ocorrido durante as manifestações de junho de 2013. No ápice da falta de direção, de “horizontalismo” (que, em tese, era dirigido pelo Movimento Passe Livre – MPL, também “horizontal”) e de “heterogeneidade de posições políticas”, a direção do movimento permitiu que se chegasse a uma situação em que se queimaram bandeiras de partidos e coletivos de esquerda, e se agrediram quem os quisesse segurar. Uma ação incentivada e realizada com a participação de milhares de policiais infiltrados entre os manifestantes. Este episódio citado, assim como toda a história, mostra que a ideia de “neutralidade” política serve somente ao pensamento hegemônico, que age como senso comum. Um movimento que não se posiciona politicamente sobre a emancipação da mulher com consciência de classe, ou que não combate o que há de incoerente no movimento, acaba abrindo as portas para ideologias imperialistas, racistas e reacionárias. Assim, acaba por iludir milhares de mulheres e desemboca, intencionalmente ou não, na manutenção da ordem. 

O objetivo da Marcha das Vadias é a busca por igualdade de gênero, e utiliza a ideia de que “se ser livre é ser vadia, então somos vadias!”. Para tanto, acreditam na transformação dos valores conservadores e hegemônicos da sociedade sem superação material. Não falam sobre a estrutura econômica, sobre o imperialismo, as multinacionais, os latifúndios, a exploração da trabalhadora e do trabalhador. Sua ação se restringe ao plano ideológico da opressão da mulher e à emancipação autoproclamatória, principalmente de mulheres da classe média e alta, que se veem rodeadas de valores conservadores e pudicos. A “liberdade sexual”, que seria para elas a liberdade dos preceitos conservadores, realiza-se para mulher da classe explorada como mais uma opressão: seus corpos são vistos como objeto sexual desde o princípio. A luta das mulheres pobres é por conseguir ter acesso ao estudo e à formação profissional longe do estigma de vadia. 

OUTROS MITOS E FALSAS SOLUÇÕES

Podemos ainda citar falsas soluções para o fim da opressão contra a mulher, propostas por diferentes correntes do movimento atualmente nos espaços coletivos de resistência: 

1.Libertação da mulher por meio da educação escolar e da educação sexual:

Além da crença de que a inclusão da mulher na vida parlamentar em si é solução para sua opressão (sobre isso leia a parte 5 deste artigo), acredita-se que quanto mais estudo e maior inserção no mercado de trabalho, maior será a libertação da mulher das imposições do lar patriarcal. Uma verdade apenas para mulheres que têm dinheiro suficiente para terceirizar os serviços domésticos, geralmente pagando a uma mulher pobre para cumpri-los, uma vez que o Estado burguês tem como estratégia delegar à mulher e à família proletária o dever de manutenção da sobrevivência da própria classe trabalhadora, haja vista a ausência de instituições estatais voltadas para esta manutenção (refeitórios, lavanderias, creches públicas e para todos, entre outras). Ou seja, a libertação do lar é utópica e impossível para a maioria das mulheres, dada a estrutura social capitalista, que não tem nenhum interesse em tornar uma obrigação do Estado as tarefas domésticas, ainda mais na atual época de decadência e crise. Além disso, em uma sociedade em que o acesso à escola é restrito devido a uma série de problemas sociais, e somente uma minoria tem acesso ao ensino superior, esperar que todas as mulheres se emancipem por essa via significa render-se à estrutura segregadora. E vale ressaltar que a educação burguesa está longe de ser libertadora, não só porque é restrita e sucateada nas escolas públicas, mas porque, onde é melhor aplicada, nas melhores universidades e centros de pesquisas do mundo, treina indivíduos para a competição capitalista, gera os maiores arquitetos da desigualdade. Salvo os indivíduos que conseguem romper com isto ao pensar criticamente e ao adotar o lado dos trabalhadores na luta, o que consiste um ganho para a causa operária.

Já a educação sexual de fato pode conferir maior autonomia à mulher sobre o corpo e sobre sua vida reprodutiva, e um rompimento com preceitos religiosos reacionários, o que consiste enorme conquista. Entretanto, não configura emancipação das demais opressões objetivas e subjetivas.

2. Autoconscientização e autolibertação:

Esse mito já foi abordado na parte 6 deste artigo, em que discorremos sobre o multiculturalismo, o pós-estruturalismo e o feminismo da diferença, que defendem o discurso como ferramenta de reconstrução simbólica do real e a rebeldia individual como arma efetiva contra a opressão. Entretanto, compreendemos que colocar a emancipação como tarefa individual significa boicotar a tarefa coletiva da revolução socialista, e jogar sobre o ombro de cada mulher uma tarefa que nunca poderá cumprir sozinha, mas que soará sempre em sua consciência como incompetência. É preciso libertar a mulher das ideologias pós-modernas e individualistas, e resgatá-la para a luta junto à classe.

3. Necessidade de exclusão de homens dos espaços políticos:

A exclusão dos homens pelas feministas pode advir de vários motivos. Um deles é a existência de espaços de mulheres que têm como propósito proporcionar apoio privado às mulheres e que servem para o desabafo. Como explicamos, se essa for a tática central, pode isolar a mulher do movimento concreto de massas de mulheres trabalhadoras, determinante para a sua emancipação. Espaços somente de mulheres para o desabafo e apoio particular podem ser válidos para a melhoria do bem estar das participantes, mas não podem ser compreendidos como substitutos do movimento coletivo da classe trabalhadora, nem mesmo substitutos das instâncias de discussão e decisão do movimento, o qual envolve grandes números de homens e mulheres.

Além disso, a expulsão dos homens dos espaços políticos e de luta coletiva guarda a perniciosa e falsa ideia de que a mulher pobre tem uma luta em comum com a mulher burguesa e não com seus maridos e com os homens que são também da classe trabalhadora. Mesmo que a ideologia machista seja extremamente forte e difundida, e que atinja também as mulheres burguesas, é a classe explorada, composta por mulheres e homens, dotada de consciência de classe, que poderá apoiar verdadeiramente o movimento das mulheres na luta pela libertação. Ignorar isso é uma tentativa de diluir o caráter de classe da emancipação da mulher, focando na questão de gênero. Obviamente, a mulher que vem da classe dominante e que adotou a luta pela classe operária será também um apoio para a revolução. Isso devido não ao seu gênero, mas à sua ideologia.

Esta exclusão também pode ser motivada pelo aspecto “biológico” do homem, questão contemplada na parte 5 deste artigo. Nessa concepção, considera-se o homem como uma “classe” sempre opressora, e alguns grupos feministas assumem a misandria, ódio ou desprezo ao sexo masculino, como prática necessária para emancipação:

(…) é preciso encarar que homens cisgêneros formam uma classe política. (…) Significa que eles, enquanto grupo social, são moldados pelo mesmo tipo de estrutura e também a perpetuam. Quando falamos que ‘homens são todos iguais’ estamos falando da classe política homem e não de suas experiências individuais. (…) Misandria não é ódio descabido e desmotivado, é ódio ao poder que a classe política dos homens exerce. (feminismodialetico.wordpress.com)

Andrea Dworkin representa bem a misandria: “Minha prece para as mulheres do século 21: endureçam seus corações e aprendam a matar.” (http://deepgreenresistance.org). “Toda dominação pessoal, psicológica, social e institucionalizada nessa terra pode ser remetida a uma mesma fonte original: as identidades fálicas dos homens.” (http://libertesecuritiba.blogspot.com.br). Como explicamos no decorrer do texto, justificar a opressão sobre a mulher com argumentos biológicos é equivocado e improdutivo e segue a mesma via da ideologia machista do patriarcalismo e do capitalismo, que justifica a opressão devido a uma suposta fraqueza biológica e natural do sexo feminino.

4. Criação de uma “contracultura” na sociedade capitalista:

A ideologia que defende a destruição do machismo no sistema atual, por meio da conscientização de homens e mulheres, possui o mérito de compreender que essa opressão advém de uma construção social, e não de uma suposta predisposição humana. De forma acertada, compreende que é preciso minar o machismo onde for possível, inclusive nos espaços de esquerda e do movimento operário, e elevar a consciência da vanguarda também nas questões da ideologia. Entretanto, existem grupos que delegam para a atualidade uma tarefa que, para de fato se completar, demanda mudança radical da sociedade.

A ideologia socialista, que provém da consciência de classe, e a luta contra todo tipo de opressão são fundamentais para o combate organizado pela revolução. Entretanto, para que a psicologia socialista – uma nova moral e novos valores, mais fraternos e igualitários – esteja arraigada na sociedade, não basta a simples propagação desses ideais. Sobre a transformação moral da sociedade, sem contar com bases concretas, Trotsky trata em Balanços e Perspectivas:

Mas muitos ideólogos socialistas (ideólogos no mau sentido – aqueles que viram tudo de cabeça para baixo) falam da preparação do proletariado para o socialismo no sentido de sua transformação moral. O proletariado e a “humanidade” em geral precisam antes de tudo perder sua velha natureza egoísta. Na vida social devem predominar os impulsos do altruísmo etc. Como estamos muito longe de tal condição e como a “natureza humana” só há de mudar muito lentamente, o advento do socialismo é adiado por vários séculos. Tal ponto de vista parece muito realista e evolucionista, mas na verdade se baseia em considerações moralistas triviais.

Supõe-se que a psicologia socialista deve existir antes do socialismo. Em outras palavras, que é possível inculcar nas massas uma psicologia socialista sobre a base das condições capitalistas. Aqui não se deve confundir a aspiração consciente ao socialismo com a psicologia socialista. Esta última supõe a ausência de motivos egoístas na esfera da vida econômica, enquanto que a aspiração e a luta pelo socialismo nascem da psicologia de classe do proletariado. Por mais pontos de contato que possa haver entre a psicologia de classe do proletariado e a psicologia socialista de uma sociedade sem classes, um abismo profundo as separa. (TROTSKY, L. Balanços e Perspectivas)

Como marxistas, compreendemos que a criação de uma cultura advém de uma materialidade. A tentativa de mudança da psicologia capitalista para uma psicologia socialista é infrutífera e jamais será completada nesta sociedade. Essa ilusão desconsidera a história da opressão da mulher, e, portanto, os caminhos para a emancipação efetiva. Ainda gera frustração dos bem intencionados que veem seu esforço caindo por terra a cada golpe da realidade concreta, aliada à ideologia dominante. O que pode ser efetivo para a transformação é o trabalho com a consciência de classe, essa que existe efetivamente em uma sociedade de classes, o que possibilita trazer homens e mulheres para o combate organizado pelas suas pautas transitórias rumo ao socialismo. A luta proletária não dará conta de minar o machismo no agora, mas sim de edificar nova ordem socialista. Então sim, haverá condições materiais para o fim gradual das opressões e das ideologias opressivas. Mais uma vez, não podemos recorrer às saídas utópicas de emancipação, que acabam se tornando elemento reacionário, enquanto o capitalismo continua onipotente na exploração.

Como exemplo de tentativa de se estabelecer uma contracultura, a Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro de 2014, lançou a campanha He For She (Ele por Ela), cujo slogan é “Se não eu, quem?”, “Se não agora, quando?”. A campanha tem como apelo a luta ideológica por igualdade de gêneros no mundo e explica a importância do engajamento dos homens nesta mudança.  A campanha funciona como um projeto a ser implementado em países de todo o mundo, em universidades, escolas e empresas. Mais do que um projeto, se assemelha a um negócio bastante interessante aos chefes de Estado e aos empresários, exatamente porque se propõe a democratizar a sociedade pela sua simples implementação, sem danificar o capitalismo. No site oficial, há até mesmo um manual, o “Action Kit”, que descreve passo a passo como “desconstruir a desigualdade”. Está claro que essa desconstrução se dá nas aparências, inclusive das mais fraudulentas, e que serve como marketing pessoal e empresarial. Funciona como mais um componente de “diferenciação” entre os tubarões do capital e entre burocratas. No site, além de uma sessão especial para doações, e outra para compra de artigos, existe uma seção “Impact”, com o panorama de ação pelo mundo. O site fornece um mapa que ilustra a campanha já atuante em quase em todos os países, em aproximadamente 2 anos de existência. E então são expostas fotos de “homens campeões” no trabalho de impacto da “igualdade” no Estado, na sociedade e em universidades. Esta campanha tem conquistado a simpatia, ou a alienação, de mulheres e de grupos feministas. Por isso, é preciso denunciar esta “contracultura” de “sucesso”, que é oportunista e reacionária.

5. Controle da forma da intervenção de militantes/ativistas homens:

Existem grupos feministas que, se por um lado não baniram a presença física e o direito a voz de homens nos espaços políticos, tem buscado banir formas de expressão dos homens considerados como agressivos. Logo, passam a estipular qual tom de voz e quais gestos são convenientes, quando se direcionam a mulheres em debates. Embora compreendamos que a forma influencia o debate político, desde que o militante não incorra em ofensa, calúnia e agressão, é inviável e antidemocrático determinar a forma de expressão de cada militante. Inclusive, este tipo de regulamentação serve para cada vez mais isolar o movimento, onde se permitem apenas os mais “polidos”. Está claro que critérios focados na padronização da forma devem ser descartados e que a atenção deve estar direcionada ao conteúdo das intervenções. Conteúdos machistas e preconceituosos devem ser banidos. Mas, a insistência quanto a forma isolada do conteúdo é algo recorrente no movimento estudantil, por exemplo. De qualquer forma, é parte de nosso combate que nos espaços do movimento, todos, independente da cor da pele, do gênero, da sexualidade, da nacionalidade, da religião, entre outros, devem ser tratados com igualdade, respeito e camaradagem.

6. Sororidade: a união das mulheres vai acabar com a opressão:

Sororidade significa solidariedade entre as mulheres. Sem dúvida, todas as mulheres de todas as classes sociais são prejudicadas pela estrutura e ideologia depreciadoras do sexo feminino. Aliás, homens e mulheres sofrem com a sociedade e a moral capitalista que tira a humanidade do ser humano. Reflexo disso são os conflitos sociais e as doenças mentais que se potencializam no capitalismo industrial e financeiro, os quais não escolhem classe específica para abalar. O jovem Marx, quando escreveu “Sobre o suicídio”, a partir da tradução de relatos de Jacques Peuchet, denuncia a atmosfera sufocante e mesquinha da sociedade burguesa:

Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal sociedade não é uma sociedade; ela é, como diz Rousseau, uma selva, habitada por feras selvagens. (MARX/POUCHET. Sobre o suicídio)

Na mesma obra, Marx explica como os relatos deixam compreender que esses conflitos são produtos do capitalismo, e que, somente com seu fim, terá início a realização plena das relações efetivamente humanas:

Descobri que, sem uma reforma total da ordem social de nosso tempo, todas as tentativas de mudança seriam inúteis. (…) As relações entre os interesses e os ânimos, as verdadeiras relações entre os indivíduos ainda estão para ser criadas entre nós inteiramente, e o suicídio não é mais do que um entre mil e um sintomas da luta social geral. (MARX/POUCHET. Sobre o suicídio)

A mulher burguesa também sofre com o machismo, entretanto, é preciso distinguir entre o indivíduo e a classe que compõe. Se, excepcionalmente, a mulher burguesa assumiu a luta proletária como sua e luta pelo socialismo, do que há exemplos ao longo da história, essa mulher é uma camarada. Pois se distingue de sua classe e do papel histórico que desempenha. O mito da sororidade, que desconsidera esta distinção, prejudica a mulher trabalhadora. A prática capitalista de expropriação do trabalho da maioria da população extingue a realização concreta de solidariedade entre classes diferentes. Inclusive, o surgimento da sociedade de classes foi possível à medida que se extinguia a organização gentílica, onde predominavam os laços de parentesco e solidariedade em nome do bem comum (veja a parte 1 deste artigo).

A partir do surgimento da sociedade capitalista, como foi exposto ao longo deste artigo, a história pôs à prova a união de mulheres de classes diferentes, que se desfez sempre justamente nas trincheiras da luta entre os interesses de classe de trabalhadores e burgueses. Logo, não podemos nos iludir quanto ao caráter da emancipação feminina. Por mais que nos apiedemos com a opressão que acomete mulheres burguesas em contextos específicos, não podemos acreditar que seja possível união com a classe mais interessada em manter a ordem atual, a mesma que afogou em sangue as mulheres trabalhadoras, quando estas lutavam pela liberdade de todos. Alan Woods explica esta situação durante a Revolução Francesa:

De um ponto de vista humano, podemos simpatizar com estas infelizes mulheres que, ao seu modo, tentavam melhorar a sorte das mulheres, ainda que das mulheres burguesas. Mas o que isso mostra para além de qualquer dúvida é que um abismo de classe separava as feministas burguesas das mulheres revolucionárias das classes oprimidas, e que a linha que separa os ricos dos pobres, girondinos de jacobinos, foi desenhada com sangue. Apelos para unir todas as mulheres, independentemente da classe social, não tem repercussão na massa de mulheres da classe trabalhadora que lutam ao lado de seus companheiros para conquistar uma sociedade mais justa. (WOODS, Marxismo versus feminismo: a luta de classes e a emancipação da mulher. Disponível em http://www.marxismo.org.br)

A NECESSIDADE DA PERSPECTIVA MARXISTA

Ao longo deste artigo, apresentamos diversas concepções de movimentos feministas, com objetivo de reflexão teórica e prática a respeito da emancipação da mulher. Compreendemos que é necessária a conexão da luta pelo fim da opressão com movimentos da classe trabalhadora e da juventude, pela construção do partido revolucionário internacional.

Essa é nossa estratégia. Taticamente, os marxistas defenderão um programa de reivindicações transitórias em todas as atuações nos movimentos dos trabalhadores e da juventude. Por exemplo, a Comissão de Mulheres da Esquerda Marxista elaborou uma Plataforma de lutas e reivindicações transitórias para a mulher trabalhadora, lançada em 2016 em dois números da Revista América Socialista, edições 8 e 9, de elaboração da Corrente Marxista Internacional. Nesse sentido, consideramos que é necessária a disputa pelas pautas imediatas, por melhores condições de vida para mulher no agora. São exemplos a luta por salário igual para trabalho igual, direito ao aborto, direitos reprodutivos, licença maternidade remunerada, aposentadoria digna, combate ao assédio moral e sexual, combate à violência contra a mulher e à prostituição, entre outros. Para os marxistas, a luta por maior igualdade de gênero no marco capitalista traça necessariamente o caminho de conscientização do movimento de que o Estado burguês e a sociedade burguesa nada têm a nos a oferecer, e deles não podemos fugir utopicamente.

 A mudança da cultura e do modo de vida, que por si só são mais conservadores, uma vez que se desenvolvem no mais particular âmbito da vida social, a vida familiar, depende da tomada do poder pelo proletariado e da conformação econômica da base socialista. Em “Questões do Modo de Vida”, Trotsky explica o trabalho cultural e educacional e se realizar no Estado Soviético, após a revolução, condição necessária para conquista da igualdade da mulher:

Mas é evidente que uma reconstrução radical do modo de vida (libertar a mulher de sua situação de escrava doméstica, educar as crianças em um espírito coletivista, libertar o casamento das imposições econômicas etc.) não é possível senão à medida que as formas socialistas da economia substituam as formas capitalistas. (…) o socialismo significa a expansão da cultura, de uma verdadeira cultura sem classes, de uma cultura humana e humanitária. (TROTSKY. Questões do modo de vida)

Diante da necessidade da superação do modo capitalista para a verdadeira libertação da mulher – compreensão abandonada por muitos movimentos sociais e feministas –, reforçamos a capacidade teórica e organizativa do marxismo revolucionário como teoria capaz de organizar as mulheres para a luta de classes e pelo fim da opressão. A teoria marxista e a história dos movimentos da classe explorada nos fornecem inúmeros textos e situações concretas que nos permitem afirmar a importância dessas práxis para a luta das mulheres.

Considerações finais

Após o exposto, é possível perceber que considerar o feminismo como um movimento único consiste em equívoco semelhante ao considerar a história dos movimentos de esquerda como uniforme. O feminismo caminha pelos percursos da luta de classes e pelas diversas ideologias, sejam elas reformistas, revolucionárias, reacionárias, entre outras.

Para os marxistas, há que se perceber que o feminismo é muitas vezes a porta de entrada para mulher na vida política. Em especial para uma juventude que desperta para a luta e que foi bombardeada pela ideologia dominante, pela ideia de que a luta de classes foi eliminada e que as lutas hoje são pautadas de acordo com as demandas setorizadas, as chamadas opressões. Ao mesmo tempo em que o combate contra ideologias de manutenção da ordem vigente deve ser firme, é preciso estar aberto ao diálogo com os que identificam o feminismo como um canal para lutar contra o machismo. Fornecer aos interessados pela emancipação das mulheres a visão da classe trabalhadora contra o capitalismo, central para o fim das opressões, auxilia a conquista de setores do movimento feminista para a luta pelo socialismo. É parte disso a crítica fraterna, porém clara e franca, quanto aos erros de parcelas do movimento feminista. Como foi explicado, a nossa luta cotidiana se dá pelas pautas transitórias, pelas conquistas trabalhistas, por salários decentes, pelos direitos sociais, contra as opressões, contra as demissões em curso e que jogam mulheres e famílias na margem do desemprego e da miséria. Convidamos todas as mulheres, inclusive as que se identificam com o feminismo, a conhecer e a atuar com a Esquerda Marxista, organizada segundo os métodos tradicionais da classe, pela construção do partido operário revolucionário internacional.

Pelos direitos das mulheres, pelo fim do machismo!

Conquistemos a mulher para a luta. Sem a mulher, não há revolução!

A luta da mulher é a luta da classe trabalhadora!

Pela emancipação da mulher, pela emancipação da humanidade: pela revolução socialista!

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