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Fascismo nos EUA? Combata o Racismo com Socialismo!

Com a escolha de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, os gritos de “fascismo” estão ecoando. No entanto, como veremos, embora Donald Trump seja um empresário grosseiro, fanático e bilionário, ele não é um fascista. O segredo de sua vitória não está na montagem de um movimento de massas para chegar ao poder, mas na falta de fôlego da política do mal menor dos líderes sindicais e da “esquerda”. Sem nenhuma alternativa de classe independente proporcionada pelos sindicatos ou Bernie Sanders, os estadunidenses, sem inspiração, permaneceram em casa em massa, e a balança da vitória foi entregue a Trump pelos trabalhadores do cinturão da ferrugem, cansados das décadas de traições dos Democratas.

A verdadeira lição da eleição de 2016 é que a classe trabalhadora necessita de seu próprio partido. Milhões de pessoas nos estados golpeados pela crise capitalista queriam um “populista” e somente os Republicanos tinham um para oferecer (contra a sua própria vontade). O real significado por trás do termo um tanto desdenhoso e insultante de “populismo”, está o fato de que milhões de pessoas comuns – isto é, trabalhadores, que constituem a vasta maioria desta sociedade – queriam uma mudança real e fundamental. Eles querem empregos para todos, saúde, educação, assistência à infância, infraestrutura, segurança, uma semana de trabalho mais curta e uma melhor qualidade de vida para eles mesmos e seus entes queridos. Eles querem o fim do controle de suas vidas pelas grandes empresas e pelos políticos profissionais.

A raiva contra o status quo está se expressando de diferentes formas. Aproximadamente a metade de todos os eleitores abstiveram-se completamente de votar. Outros escreveram nas cédulas o nome de Bernie Sanders ou votaram por um candidato de algum terceiro partido. Outros votaram por Trump, apesar de sua retórica racista, incluindo 29% de latinos e 53% de mulheres brancas. Para esses eleitores, a promessa de Trump de empregos e estabilidade econômica superou todas as outras considerações. Não surpreende que, dada a história peculiar e as contradições desse país, e sem uma clara direção dos líderes sindicais, muitos estadunidenses tenham caído sob o domínio dos racistas.

A luta contra o racismo

Ao flagelo do racismo, sempre presente logo abaixo da superfície da sociedade estadunidense, foi dada uma canalização e uma legitimação não vista há décadas. Suásticas apareceram por todo o país; alunos cantando “construa um muro!” provocaram seus colegas latinos; mulheres muçulmanas usando hijabs foram agredidas verbal e fisicamente; a KKK anunciou uma parada da vitória na Carolina do Norte; o ex-Grande Mago da KKK, David Duke, considerou a vitória de Trump como “o melhor dia de sua vida”; e os campos de internamento de Japoneses-Americanos durante II Guerra Mundial receberam referências positivas como um “precedente” para o futuro.

A raiva já se transformou em ação e desafio. Mas, para muitos, também há uma sensação de presságio. Nem todos que derramaram lágrima sobre o resultado da eleição são apologistas de Clinton e da ala liberal da classe capitalista. Milhões de imigrantes, de muçulmanos, de pessoas LGBT, de inválidos e outras pessoas atingidas durante a campanha de Trump, temem por seu futuro, por sua segurança, e mesmo por suas vidas. Para coisas tão traumatizantes, há mais do que um consolo. A experiência de vida é o professor mais eficaz e agora está cristalinamente claro para milhões de pessoas que, se quisermos um mundo melhor, teremos de nos envolver e lutar por nós mesmos.

Racismo, xenofobia e sexismo são coisas terríveis de constatar e testemunhar. A intolerância é um veneno desumano e corrosivo que rompe a unidade da classe trabalhadora como nada mais. Os Marxistas defendem genuína igualdade para todos e estão na linha de frente da luta contra todas as formas de discriminação. Entendemos que a raiz do fanatismo está na desigualdade material que resulta das divisões de classe inerentes ao capitalismo.

A humanidade possui os recursos e o know-how para construir um mundo de superabundância. Mas, sob o capitalismo, com sua economia de mercado, com sua implacável busca de lucros e a propriedade das alavancas e chaves da produção nas mãos de um minúsculo punhado da população, somos impedidos de alcançar nosso pleno potencial. Não se trata da impossibilidade de produzir suficientes meios de consumo, mas de que não há demanda suficiente no mercado para esses produtos serem vendidos com lucro. Essa  escassez artificial, por sua vez, é utilizada pela classe dominante, para nos lançar uns contra os outros, lutar pelas sobras, culpar uns aos outros, em vez de culpar o sistema por nossa miséria.

Infelizmente muitos na “esquerda”, que se limitam às soluções dentro das fronteiras do capitalismo, também caem nessa armadilha. Para eles a solução é propor, por exemplo, que os trabalhadores “brancos”, “masculinos”, deveriam se contentar com menos para “dar espaço aos outros” – isto é, que a sociedade deveria simplesmente dividir a pobreza imposta pelo capitalismo de forma diferente. Não nos deve surpreender que as pessoas normais, sem importar os seus antecedentes, resistam a isso para proteger ao que é “seu”: suas famílias, seus entes queridos, sua “raça”, seu “gênero”, religião e assim por diante.

O capitalismo não tem mais um papel historicamente útil a desempenhar na organização da sociedade humana. Nos países mais ricos do planeta, somente se pode utilizar 75% da capacidade industrial existente, força-se milhões de pessoas a tolerar a ociosidade forçada do desemprego e permite-se que milhões de pessoas em todo o mundo morram de fome, enquanto os fazendeiros são pagos para não cultivar e encher os armazéns com produtos “invendáveis”. Ao aproveitar todo o potencial produtivo da sociedade, podemos proporcionar empregos para todos, saúde e educação, reduzir a jornada de trabalho e elevar o nível de vida de todos. Em vez de lutar pelas sobras, haveria mais do que o suficiente para ir em frente e a base material da intolerância seria profundamente minada. Sem terreno fértil para apodrecer, a intolerância desapareceria à medida em que as novas gerações criadas em um mundo sem escassez ou necessidades tomassem o lugar daquelas marcadas por sua experiência sob o capitalismo. Por esta razão, dizemos: para combater o racismo, combata o capitalismo!

Contudo, não podemos simplesmente esperar até que comecemos a construir o socialismo para enfrentar este problema. Derrotar o estado centralizado e os vastos recursos dos capitalistas somente será possível na base da máxima unidade da classe trabalhadora. Essa unidade somente pode ser forjada no calor da luta comum contra nossos opressores comuns. Será no curso dessas  lutas que o poder da unidade dos trabalhadores será experimentado na ação, e não apenas teorizado. A verdadeira solidariedade exige uma liderança audaz e uma vontade de lutar até o fim, não de meras palavras. O movimento dos trabalhadores deve ir além das denúncias do racismo em discursos. Deve romper com ambos os partidos dos patrões e lutar pelos interesses de todos os trabalhadores em cada local de trabalho, bairro e campus, bem como nas votações através de nosso próprio partido independente de classe. Devemos usar as armas da classe trabalhadora, comprovadas e respeitadas pelo tempo: manifestações de massas, ocupações de locais de trabalho, greves, bem como greves-gerais econômicas e políticas.

Como disse Fred Hampton dos Panteras Negras: “Dizemos que não se luta contra o racismo, com racismo. Lutaremos contra o racismo com solidariedade. Dizemos que não se luta contra o capitalismo com capitalismo negro; luta-se contra o capitalismo com socialismo!”.

É fascista os EUA de Trump?

Superficialmente, pode-se apresentar uma grande quantidade de “evidências” para provar que os EUA agora são fascistas contudo, meramente assegurando algo não o torna assim. O mesmo foi dito de Nixon, Reagan e os dois Bush. Hipóteses superficiais podem ser feitas para tudo. Nossa tarefa é a de ir além das aparências superficiais para entendermos as contradições e processos reais da sociedade. Os Marxistas insistem na precisão científica de nossas análises a fim de lutarmos de forma mais efetiva contra nossos opressores.

O fascismo surgiu historicamente na Itália, na Alemanha e na Espanha devido ao impasse total do capitalismo e ao fracasso de várias tentativas de revolução socialista. Devido a sua liderança colaboracionista de classe, a classe trabalhadora italiana, alemã e espanhola perdeu várias oportunidades de tomar o poder e transformar a sociedade. Em cada um desses casos, um “homem forte” emergiu para preencher o vácuo de poder com uma forma peculiar de ditadura militar “Bonapartista”.

O que tornou o fascismo diferente de uma ditadura militar “normal” foi a base de apoio de massa proporcionada pela “pequena burguesia enraivecida” – pequenos lojistas, profissionais liberais, camponeses de porte médio e seus filhos nas universidades. Nas décadas de 1920 e 1930, essa gente constituía uma camada muito maior da sociedade do que constitui hoje. Desesperadas por escapar do moinho da crise e sem uma liderança da classe trabalhadora, essas camadas “médias” estavam dispostas a tentar qualquer coisa. Quadrilhas de bandidos foram mobilizadas para esmagar os sindicatos dos trabalhadores, os partidos comunistas e socialistas, e o bode expiatório racista foi utilizado para desviar a atenção da fonte capitalista da crise.

Algumas pessoas pensam que algo similar está acontecendo hoje. Mas similar não é necessariamente o mesmo – existem muitas e decisivas diferenças. O capitalismo hoje está de fato em crise grave, mas ainda não está ameaçado de derrubada imediata pela classe trabalhadora. A classe dominante preferia Clinton, mas mesmo assim ainda tem um controle firme sobre o poder político e econômico. Isso é possível, sobretudo devido à atual liderança sindical, que não oferece nada além do fracassado beco sem saída do mal menor.

No entanto, apesar do declínio numérico dos sindicatos durante as últimas décadas, o trabalho organizado continua a ser uma poderosa e decisiva força potencial. Do transporte e das comunicações à educação e à saúde, os trabalhadores sindicalizados detêm tremendo poder em suas mãos. Os sindicatos não foram ilegalizados, desmantelados ou intimidados pela violência. A classe trabalhadora, em geral, ainda pode não estar organizada, mas acima de 100 milhões de estadunidenses são assalariados e, junto com suas famílias e dependentes, constituem a vasta maioria da população.

São precisamente as mudanças demográficas que ocorreram nos últimos 80 anos, que tornaram improdutivos os recorrentes gritos de “fascismo!”. A maioria dos estadunidenses, incluindo aqueles que vivem nas áreas rurais mais conservadoras, são da classe trabalhadora. O número de granjas nos EUA caiu de 6 milhões, em 1935, a apenas 2 milhões hoje. Embora ainda existam muitas granjas pequenas, as granjas corporativas massivas expulsaram os agricultores médios dos pilares sociais da reação fascista. Longe da nação Jeffersoniana de “pequenos camponeses independentes”, os 10% das maiores granjas agora representam 70% das terras de cultivo. Apesar das ilusões de uma passada “Era de Ouro” permanecerem, elas estão sendo rapidamente dizimadas na prática e, finalmente, as questões centrais de classe estão cada vez mais à frente.

As profissões, como as de caixa de bancos, professores e até mesmo muitos médicos, foram proletarizadas a tal ponto que a maioria delas se identifica mais com a classe trabalhadora do que com os super-ricos. Muitos estão agora organizados em sindicatos e associações profissionais e são ativos no movimento organizado dos trabalhadores. Quanto aos proprietários de pequenas empresas, esmagados pelos grandes bancos, fabricantes e importadores, muitos apoiaram Trump e seu populista “Make America Great” por causa de seu retórico “Lutarei pelo cara pequeno!”. O êxito de Sanders nas primárias e cáucuses, mostra que seu apelo por uma “revolução política contra a classe bilionária” poderia ter ganho muitos deles na eleição geral se ele tivesse concorrido como independente. E os campi, que antes eram focos de reação e fascismo – uma vez que a maioria dos estudantes vinham das fileiras dos ricos – agora estão inundados com os filhos profundamente endividados dos trabalhadores.

Então, há indivíduos e grupos fascistas nos EUA hoje, inclusive no governo? Existem pequenos grupos de pequenos burgueses irados e milícias de direita armadas? Se a classe trabalhadora estadunidense fracassar em derrubar o capitalismo e se exaurir, através de seus esforços revolucionários no próximo período, é possível que alguma forma de ditadura militar se imponha? Absolutamente. Mas a base social do fascismo como tal, já não existe, e um período de reação pura e simples, não está na agenda em futuro previsível.

Os que desejarem explorar esta questão com mais profundidade devem se remeter à obra do grande revolucionário Leon Trotsky, que ofereceu uma série de brilhantes ideias sobre a origem e gênese do fascismo, resumidas nesse breve artigo de Fred Weston. Também trabalhamos sobre a questão de Trump, fascismo e outras coisas no artigo What Trump is and How to Fight Him, escrito antes da eleição.

Nenhum mandato!

Donald Trump é uma miserável mediocridade selecionada por meio de um sistema eleitoral obsoleto que se apoia num modo de produção senil e decrépito. Foi eleito por menos de 25% da população em idade de votar e por uma minoria de eleitores reais. Ele será incapaz de cumprir plenamente a maioria de suas promessas e sua base de apoio logo ficará inquieta – especialmente quando a próxima e inevitável crise econômica começar. Em consequência, ele será forçado a se apoiar nas camadas da sociedade mais confusas, atrasadas, racistas e misóginas, para desviar a atenção das questões reais e manter alguma aparência de apoio.

Mas a juventude não vai tolerar isso, particularmente depois da experiência de Black Lives Matter. Desde o assassinato de Mike Brown, o papel da brutalidade policial na defesa dos interesses da classe dominante passou a ser entendido por amplas camadas da juventude. Os protestos espontâneos contra Trump mostram o espírito de luta dessa camada, e isto é só o começo.

Se o fascismo realmente tomou o galinheiro, The Donald não estaria tuitando sobre protestos “injustos” que convergem para a Trump Tower perseguindo-o por todos os lugares onde ele vai. Em vez disso, quadrilhas armadas apoiadas pela polícia teriam limpado as ruas, as turbas de linchamento estariam destroçando as lojas dos imigrantes e os escritórios sindicais, os cadáveres de líderes trabalhistas e esquerdistas estariam empilhados nos necrotérios e a lei marcial manteria cada cidade importante do país em estado de sítio. Isso, obviamente, não aconteceu e não acontecerá em nenhum momento em futuro próximo.

O fato simples é que há mais trabalhadores que capitalistas. Toda a polícia do país não poderia submeter Nova Iorque e Los Angeles por muito tempo no momento em que os trabalhadores começassem a se mover – e muito menos nas mais de 100 cidades dos EUA com populações de meio milhão ou mais de habitantes. O equilíbrio de forças de classe não é nada favorável aos capitalistas e é, precisamente por isso, que eles querem evitar um confronto aberto com a classe trabalhadora. Devem, em vez disso, confiar na austeridade gotejante, no jogo político, nas táticas de “divide e vencerás” e na liderança sindical para fazer o trabalho sujo. Mas as leis da luta de classes acabarão se afirmando, mesmo nos Estados Unidos.

O caminho a seguir

A verdade é que os EUA não são mais racistas, sexistas e homofóbicos do que era antes da eleição. Como explicou Malcolm X, “Não se pode ter capitalismo sem racismo”. O lixo meramente flutuou na superfície. Agora que ele está emergindo, lutaremos com todas as ferramentas que estãoà nossa disposição e, acima de tudo, com a arma mais poderosa de todas: a luta para unir a classe trabalhadora contra o capitalismo.

A maioria das pessoas não sabe que a Grã-Bretanha também viu a ascensão de um movimento fascista nos anos prévios à II Guerra Mundial. Oswald Mosley e suas tropas de choque de “camisas negras” esperavam seguir na esteira de Hitler e Mussolini. Mas os trabalhadores britânicos levaram a sério o conselho de Trotsky – de que eles podiam “esfregar as caras dos fascistas no chão”. Na Batalha de Cable Street, os trabalhadores unidos construíram barricadas e cortaram a ameaça da reação através da ação de massa. Isso cortou a ameaça de fascismo na Grã-Bretanha , na raiz. Em 1948, Ted Grant escreveu uma brilhante peça sobre o fascismo em que explica essa experiência em grandes detalhes.

Sejamos claros: os Marxistas não estão a favor da violência. Entendemos que, uma vez que a classe trabalhadora perceba sua própria força, nada em cima da Terra pode detê-la. Em consequência, uma revolução pacífica e incruenta é inteiramente possível. No entanto, não ficaremos de braços cruzados enquanto nossas irmãs e irmãos são insultados, humilhados, assaltados, assassinados ou levados ao suicídio. O movimento dos trabalhadores deve enfrentar qualquer violência ou ameaça de violência com o poder esmagador da unidade da classe trabalhadora, até com greves de solidariedade e com a formação de uma guarda armada de autodefesa dos trabalhadores para nos proteger e aos nossos irmãos e irmãs de classe.

A classe trabalhadora estadunidense terá muitas oportunidades para dar um fim a esse sistema antes que o perigo da reação em massa levante sua cabeça. Condições semelhantes levam a resultados semelhantes, e os EUA não são imunes à revolução. A crise do capitalismo acabará por conduzir a uma luta combinada dos trabalhadores. Basta uma greve vitoriosa para mudar toda a aparência e o estado de ânimo do movimento dos trabalhadores e desencadear uma luta tormentosa. Mas, por mais importante que seja lutar contra este ou aquele patrão ou político, isso não é suficiente. O que necessitamos é de uma revolução.

Uma revolução representa a luta unida de toda a classe trabalhadora contra o poder concentrado de toda a classe capitalista. Mas o êxito da revolução não está garantido antecipadamente, não importa quantos sacrifícios façam os trabalhadores. A lição do século XX é que tudo depende do tipo de liderança que esteja à cabeça das organizações dos trabalhadores, uma vez começado o confronto decisivo. É por esta razão que não exageramos quando dizemos que o êxito da revolução socialista depende do que fizermos hoje para construir as forças do Marxismo revolucionário.

Não há mais espaço para a complacência ou para ficar à margem em um mundo como este. Acreditamos que os interesses de bilhões de pessoas superam os interesses dos bilionários! Se você concorda, junte-se à CMI!


Artigo publicado originalmente em 17 de novembro de 2016, no site da Corrente Marxista Internacional (CMI), sob o título “Fascism in America? Fight Racism with Socialism!“.

Tradução Felipe Libório.

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