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Exército declara Lei Marcial e censura total na Tailândia

O comandante do Exército tailandês, Prayut Chan-O-Cha, que proclamou a Lei Marcial no país, declarou hoje (20/05) a censura dos meios de comunicação social, no interesse da “segurança nacional”, segundo declaração transmitida em todas as estações de rádio e televisão.

O comandante do Exército tailandês, Prayut Chan-O-Cha, que proclamou a Lei Marcial no país, declarou hoje (20/05) a censura dos meios de comunicação social, no interesse da “segurança nacional”, segundo declaração transmitida em todas as estações de rádio e televisão.

Há seis meses protestos tentam derrubar o corrupto governo da Tailândia. Em fevereiro, foram organizadas eleições completamente fraudulentas e controladas pelo governo tendo sido boicotadas pela oposição.

Desde o início de maio centenas de milhares de tailandeses protestam pelas ruas da capital, Bangcoc, no que dizem ser a “batalha final” contra o governo da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, a quem pretendem substituir por um Executivo não eleito que promova reformas políticas no país. A legítima vontade popular de derrubar o governo está sendo, entretanto, manipulada e deformada pela oposição burguesa.

O líder das manifestações, o ex-vice-primeiro-ministro e ex-deputado, Suthep Thaugsuban (que conviveu na cúpula do regime e se beneficiou de tudo até há pouco), agora reivindica que o rei, Bhumibol Adulyadej, recorra ao Artigo 7º da Constituição, que lhe permite nomear um governo sem passar pelas urnas. Ou seja, busca um rearranjo dentro do sistema, inclusive mantendo o rei. O que obviamente não é solução para nada.

Há uma luta de camarilhas entre os grupos da classe dominante no poder que está levando o país ao caos enquanto a superexploração capitalista aumenta. A Tailândia tem enfrentado uma luta pelo poder, entre essas camarilhas corruptas, desde que o então primeiro ministro, Thaksin Shinawatra, foi deposto pelos militares no golpe de 2006.

O Exército “proíbe todos os meios de comunicação de divulgar ou distribuir quaisquer informações ou fotografias prejudiciais à segurança nacional”, disse o general Prayut Chan-O-Cha na declaração.

O Exército tailandês declarou a Lei Marcial, com a absurda e ridícula ressalva de que “não se trata de um golpe de Estado”, depois de meses de protestos contra o governo, cuja repressão já deixou 28 mortos e centenas de feridos.

O cínico general que fez o anuncio no canal de televisão controlado pelos militares, com o objetivo de “restaurar a paz e a ordem para pessoas de todas as partes”, nem mesmo avisou o governo que supostamente pretendia salvar. O próprio governo de Bangcoc comunicou que “apesar de não ter sido consultado antes do anúncio do Exército, ainda se mantinha nas funções”.

O exército declarou Lei Marcial (ou seja, controle militar de todo o país), declarou a censura generalizada, reprime violentamente, tudo sem nem mesmo avisar o “governo” e pretende que não se trata de “golpe de Estado”. Obviamente o governo estava gostando quando se tratava apenas da repressão, agora que foi destituído, deve estar preparando as malas para fugir. Como o último governante derrubado, Thaksin, que fugiu e vive em Dubai, nos Emirados Árabes.

A Tailândia tem um forte movimento operário. Já veremos o que se passa quando ele entre na cena política com seus métodos e ações proletárias. O povo trabalhador da Tailândia, na ausência de uma força revolucionária séria, marxista, terá ainda que passar pela dura e dolorosa escola das vitórias e derrotas, ditaduras e falsas democracias. Neste momento conhece o chicote da ditadura.

 

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