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“Exército Assassino” – “O Haiti é aqui”

Exército brasileiro nas favelas do Rio. Resultado: MILITARES DO EXÉRCITO ENTREGARAM 3 JOVENS PARA SEREM EXECUTADOS POR TRAFICANTES! Comunidade se revolta e exige retirada das tropas!

Moradores do Morro da Providência (Centro do Rio) e trabalhadores das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) revoltados com a morte de três jovens, penduraram uma faixa branca com a inscrição “Exército Assassino” e outra preta com a inscrição “Justiça! Voltamos à ditadura?” na fachada do Hospital dos Servidores do Estado nas proximidades da comunidade. O protesto seguiu na segunda-feira (16/06) pelo segundo dia consecutivo contra a morte de três jovens que teriam sido seqüestrados e “vendidos” por soldados do Exército para traficantes de uma facção criminosa no Catumbi, no sábado.

No Domingo (15/06) houve confronto entre moradores e soldados do Exército. Os momentos de maior tensão aconteceram à tarde, no Largo de Santo Cristo. Cerca de 150 manifestantes tentaram invadir o quartel, mas foram impedidos pela tropa de choque do Exército. Eles jogaram garrafas plásticas nos militares, que revidaram com bombas de efeito moral. “Queremos os soldados assassinos fora da comunidade”, gritavam. Assustados, motoristas voltaram pela contramão. A PM cercou o local, na tentativa de dissipar o tumulto que durou mais de uma hora.

Na manhã desta Segunda, cerca de 50 trabalhadores do PAC na comunidade fizeram uma manifestação em frente ao Palácio Duque de Caxias, no Centro, onde funciona o Comando Militar do Leste (CML), contra a presença da ocupação do Exército na Providência. Eles garantem que não voltam ao trabalho enquanto o Exército não deixar o local.

Fatos e relatos da ação assassina do Exército

Morro da Providência (Centro do Rio), manhã de sábado 14/06. Três jovens voltando de um baile funk foram abordados por soldados do exército que faziam a ocupação da favela onde, desde dezembro de 2007, são encarregados da segurança das obras do PAC, projetos para reformar fachadas e telhados de casas da favela. Os militares suspeitaram dos jovens. Na revista um deles reagiu e os três foram agredidos pelos soldados. O Comando Militar do Leste (CML) confirmou que os jovens foram abordados por uma patrulha de militares do Grupamento de Unidades-Escolas da 9ª Brigada de Infantaria Motorizada, numa praça no alto do morro, e detidos por “desacato” na manhã de Sábado, por volta das 8h. Os três foram levados ao capitão da tropa no quartel do Exército em Santo Cristo, foram ouvidos e liberados, pouco depois do meio-dia, segundo o Exército.

Segundo o JB Online de 16/06, o capitão achou irrelevante a prisão por “desacato” e não quis autuar os jovens. E pediu para liberá-los, mas um tenente do Espírito Santo, que está há pouco tempo no Rio, teria deixado os jovens no Morro da Mineira para que eles “aprendessem uma lição”. O prefeito Cesar Maia, em seu ex-blog publicado na internet, nesta Segunda-Feira, disse que se militares do exército realmente entregaram os três jovens do morro da Providência a traficantes de uma favela rival, sabiam que eles seriam mortos: “O tráfico de drogas no morro da Providencia é controlado pelo CV (Comando Vermelho), e o tráfico da Mineira é controlado pela ADA (Amigos dos Amigos). Entregar na Mineira, jovens, especialmente insinuando que estavam no tráfico da Providência é saber que serão assassinados. Se confirmado, quem fez esse ‘serviço’ sabia exatamente o que estava fazendo”. Para os trabalhadores que protestam indignados, a história tem uma versão semelhante. Um morador da área da Mineira, localizado pelo O GLOBO, confirmou que militares do Exército teriam entregado, no Sábado, os três jovens a traficantes de um grupo rival numa favela vizinha. Segundo essa testemunha, cerca de dez soldados fardados e armados com fuzis chegaram com os rapazes a um dos acessos da favela da Mineira, num caminhão do Exército. Logo em seguida, os soldados teriam dado ordens para os três descerem do veículo. Pelo menos seis militares acompanharam calmamente os jovens até um grupo de traficantes, que já aguardava numa das entradas da favela numa boca-de-fumo.

Os militares estavam entregando os jovens aos traficantes. Os corpos de Wellington Gonzaga Costa, de 19 anos, Marcos Paulo da Silva Correia, de 17, e David Wilson Florêncio da Silva, de 24, mutilados e com marcas de tortura, foram encontrados por catadores no Lixão de Gramacho em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

A mãe de Wellington desmaiou ao receber a notícia: “Me avisaram que o meu filho foi preso. Encontrei ele no Quartel de Santo Cristo, sentado ao sol. Queria esperar, mas me mandaram ir para a delegacia para onde ele deveria ter sido levado. Após a demora, liguei para o celular dele. Depois de várias tentativas, um homem atendeu e disse que os soldados venderam o meu filho e os amigos para traficantes da Mineira. Nenhum deles tinha envolvimento com o crime. O que fizeram com eles não se faz nem com um cachorro”, disse a dona de casa, Liliam Gonzaga da Costa, de 43 anos, que foi reconhecer o corpo do filho Wellington no IML de Duque de Caxias.

“Militares confessam que deixaram jovens no Morro da Mineira como castigo”

Os 11 militares do Exército (1 tenente, 4 sargentos e 6 soldados) que levaram a cabo essa “missão” serão acusados de triplo homicídio. Eles estão presos no 1º Batalhão da Polícia do Exército, na Tijuca (zona norte). O CML determinou a instauração de um inquérito policial militar para avaliar a conduta dos soldados. Contra eles há um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio. Três já prestaram depoimento na 4ª DP, delegacia que investiga o caso. Os traficantes também estão sendo procurados pelos investigadores. Eles irão responder pelos mesmos crimes dos militares: triplo homicídio.

Por que a presença do Exército no Rio?

A presença de soldados do Exército no Morro da Providência foi justificada como uma forma de dar segurança aos trabalhadores do projeto Cimento Social, fruto de emenda do senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato a prefeito do Rio. Crivella é do mesmo partido do vice-presidente José Alencar, que já ocupou o cargo de Ministro da Defesa no primeiro governo do presidente Lula. O projeto consiste na reforma de 780 casas e recebeu R$ 12 milhões do Ministério das Cidades. Agora, os mesmos trabalhadores que estariam recebendo “segurança” do Exército fazem greve contra a presença dos soldados do Exército no morro. “Não temos mais confiança neles”, disse um manifestante.

Fica evidente o caráter eleitoreiro desta medida. E isso é resultado da coalizão do Governo Lula com partidos capitalistas, como o PRB.

O HAITI É AQUI

Não ficaríamos surpresos se alguém nos dissesse que é isso que o Exército Brasileiro tem aprendido no Haiti. Ainda mais depois de algumas semanas atrás quando tomamos conhecimento que as tropas da ONU lideradas pelo Brasil utilizaram 22 mil cargas de munição em 7 horas de repressão às manifestações do povo haitiano contra o alto preço dos alimentos. Lá eles reprimem o povo pobre que protesta contra a fome, povo este que muitas vezes só tem as bolachas de barro (com óleo e açúcar) para comer. Aqui eles organizam os nojentos atos policiais de criminalização da pobreza. Não queremos isso! Fora as tropas do Exército do Haiti e dos morros do Rio.

SOMOS A FAVOR DE OCUPAR AS FAVELAS COM EMPREGOS, ESCOLAS E HOSPITAIS

Mas não pelas forças policiais. Somos a favor de projetos públicos que subam a favela e coloquem escolas, hospitais, saneamento, construam casas, isto é, 10, 100, 1000 vezes mais o que o PAC está propondo fazer. É revoltante que em Copacabana há uma máquina que faça a limpeza da poeira que há nas ruas enquanto na favela o trabalhador não tem serviço de coleta de lixo, correio, posto de saúde. Mais do que nunca, a solução pra essa barbárie que vive o povo do Rio é a tomada do poder político e econômico pelos trabalhadores. Já passa da hora de nos unirmos, nos organizarmos e construirmos o socialismo! Só o povo no poder é capaz de mudar essa situação!

(Foram utilizadas para este artigo as seguintes fontes: Último Segundo; O Globo Online; O Dia Online; Agência do Estado; Folha Online; JB Online)

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