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EUROPA E EUA EM CRISE. PERSPECTIVAS PARA O BRASIL – Parte 2

Esquerda Marxista

Segunda parte de uma série de sete artigos de análise da atual situação econômica e política do Brasil.

O objetivo da Esquerda Marxista ao disponibilizar estes textos é ajudar no armamento político necessário dos militantes socialistas que buscam compreender para onde vai o país e o governo Dilma Roussef. E, portanto, quais são as perspectivas para a luta de classes do proletariado e da juventude. O artigo integral pode ser lido em www.marxismo.org.br

As crises são parte integrante do capitalismo, só a revolução socialista pode acabar com elas
Tendo ocupado o mundo a burguesia está confrontada ao seu destino. Só pode expandir-se através de formas artificiais como a industria de armamento, mafiosização de todas as relações econômicas, e portanto, de por em constante risco todo o edifício que ela própria construiu em séculos de luta contra o feudalismo e manteve sobre a base da exploração da força de trabalho do proletariado. A cada crise, a cada impulso, mais e mais o conjunto da economia capitalista se orienta para a transformação das forças produtivas em forças destrutivas.

Friedrich Engels descreve esta situação como expressão das contradições internas do capitalismo e das quais ele não pode se livrar: “Desde 1825, data em que explode a primeira crise geral, a totalidade do mundo industrial e comercial, a produção e as trocas do conjunto dos povos civilizados e de seus satélites mais dos bárbaros naufragam uma vez a cada dez anos. Comércio para, os mercados são congestionadas, os produtos estão em tanta quantidade quanto são invendáveis, o dinheiro some, o crédito desaparece, as fábricas param, as massas trabalhadoras não tem os meios de subsistência por ter produzido muitos meios de subsistência, as falências sucedem as falências, os ventos forçados sucedem os ventos forçados. O estrangulamento dura anos, forças produtivas e produtos são dilapidados e destruídos em massa até que as massas de mercadorias acumuladas sejam vendidas com uma depreciação mais ou menos forte, até que a produção e a troca retomem pouco a pouco sua marcha. Progressivamente o passo acelera, passa ao trote, o trote industrial vira galope e esse galope aumenta por sua vez até que se transforma numa corrida de obstáculos completa da indústria, do comércio, do crédito e da especulação, para acabar após os saltos os mais perigosos, por se reencontrar… no buraco da falência. É sempre a mesma repetição. Isso é o que temos vivido cinco vezes desde 1825 e que nós vivemos neste momento (1877) pela sexta vez. (Anti-During, F. Engels, 1877)”. Esta repetição trágica de catástrofes é que conduz a Humanidade inteira em direção à barbárie e só pode ser interrompida pela ação das massas oprimidas e exploradas sob a direção da classe operária organizada por um partido operário revolucionário marxista, por uma verdadeira Internacional operária marxista com influência de massas. 

Sobre a base da expansão artificial do crédito, do endividamento privado, da especulação alucinada no mercado financeiro, uma monstruosa crise de superprodução foi gerada nos últimos anos. Esta fuga para a frente, e seu resultado, a crise de superprodução, é a consequência dos esforços da burguesia, como classe, para contrabalançar os efeitos da Lei da Tendencia à Queda da Taxa de Lucro que se manifestava crescentemente no desequilíbrio cada vez maior entre capital constante e capital variável na indústria. Ou seja, no aumento brutal do capital investido em maquinas, tecnologia e ferramentas e no esforço de esmagamento salarial conduzido através das deslocalizações, terceirizações e das privatizações de serviços públicos e das estatais (salários indiretos conquistados pelo proletariado) e das últimas décadas de esforço para liquidar direitos e conquistas operárias em todo o mundo. 

O Capital tem como alma a busca da valorização que só pode ser realizada na morada oculta da produção através da extração da Mais-valia e apropriada pelo Capital com a circulação das mercadorias. Após todas as “Bolhas” chegarem aos seus limites, e iniciarem um processo de implosão em dominó, as burguesias e os governos em todo o mundo dedicaram-se nos últimos anos a transformar dívidas privadas em Dívidas Públicas através do socorro aos grandes bancos e multinacionais da maneira mais escandalosa jamais vista. Esta é a origem do impasse atual e do aprofundamento da crise. 

A burguesia, como explica o Manifesto do Partido Comunista, só pode enfrentar estas crises destruindo forças produtivas e aumentando a exploração da força de trabalho: 

“As relações burguesas de produção e de troca, o regime burguês de propriedade, a sociedade burguesa moderna, que fez surgir gigantescos meios de produção e de troca, assemelha-se ao feiticeiro que já não pode controlar as forças internas que pôs em movimento com suas palavras mágicas. Há dezenas de anos, a história da indústria e do comércio não é senão a história da revolta das forças produtivas modernas contra as atuais relações de produção e de propriedade que condicionam a existência da burguesa e seu domínio. Basta mencionar as crises comerciais que, repetindo-se periodicamente, ameaçam cada vez mais a existência da sociedade burguesia. Cada crise destrói regularmente não só uma grande massa de produtos já fabricados, mas também uma grande parte das próprias forças produtivas já desenvolvidas. Uma epidemia, que em qualquer outra época teria parecido um paradoxo, desaba sobre .a sociedade – a epidemia da superprodução. Subitamente, a sociedade vê-se, reconduzida a um estado de barbaria momentânea, dir-se-ia que a fome ou uma guerra de extermínio cortaram-lhe todos os meios de subsistência; a indústria e o comércio parecem aniquilados. E por quê? Porque a sociedade possui demasiada civilização, demasiados meios de subsistência, demasiada indústria, demasiado comércio. As forças produtivas de quê dispõe não mais favorecem o desenvolvimento das relações de propriedade burguesa; pelo contrário, tornaram-se por demais poderosas para essas condições, que passam a entravá-las; e todas as vezes que as forças produtivas sociais se libertam desses entraves, precipitam na desordem a sociedade inteira e ameaçam a existência da propriedade burguesa. O sistema burguês tornou-se demasiado estreito para conter as riquezas criadas em seu seio. De que maneira consegue a burguesia vencer essas crises? De um lado, pela destruição violenta de grande quantidade de forças produtivas; de outro lado, pela conquista de novos mercados e pela exploração mais intensa dos antigos. A que leva isso? Ao preparo de crises mais extensas e mais destruidoras e à diminuição dos meios de evitá-las” (Manifesto Comunista, 1848). 

Entretanto, para aplicar esta receita de destruição a burguesia tem que se enfrentar com o proletariado. E, diferente das décadas passadas em que podia contar com a força e a implantação dos partidos operários-burgueses, os PSs e os PCs, para frear e desviar a resistência das massas, isto hoje já não é mais possível. Estes partidos estão desmoralizados e não controlam mais a classe como o faziam no passado. Se ainda recebem seus votos nas eleições (e cada vez menos) é porque a classe trabalhadora não deseja a direita governando. O triste papel de manobrar com as massas e frear seu impeto revolucionário está hoje entregue às direções sindicais que, entretanto, tem limitadas margens de manobra e rápido se chocam com suas bases já que nada conseguem para oferecer. 

As greves gerais e as manifestações magnificas na Europa, as revoluções no Oriente Médio e no Magreb, os 200 mil manifestantes em Israel, são os problemas que a burguesia não sabe como resolver. Mas que a classe operária também não tem como resolver positivamente neste momento. A ausência de partidos revolucionários com influência de massas, a resistência das massas, sua mobilização, e a incapacidade da burguesia em resolver a crise sem ataques provavelmente manterá esta situação convulsiva por muitos anos. É neste caldeirão é que se forjarão os dirigentes e os partidos operários revolucionários com influencia de massa capazes de abrir um caminho para toda a Humanidade. Nunca antes a classe operária precisou tanto de uma verdadeira Internacional revolucionária. Resolver isto é uma tarefa que exige anos de luta e de preparação. 

Fim da 2ª Parte

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