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EUROPA E EUA EM CRISE. PERSPECTIVAS PARA O BRASIL – Parte 1

Esquerda Marxista

Com este texto iniciamos a publicação de uma série de sete artigos de análise da atual situação econômica e política do Brasil.

O objetivo da Esquerda Marxista ao disponibilizar estes textos é ajudar no armamento político necessário dos militantes socialistas que buscam compreender para onde vai o país e o governo Dilma Roussef. E, portanto, quais são as perspectivas para a luta de classes do proletariado e da juventude. O artigo integral pode ser lido em www.marxismo.org.br

O capitalismo chegou a uma situação de impasse mundial. Nenhum país está isolado desta crise que assola o planeta. A entrada dramática da Noruega, país com melhor nível de vida do mundo neste cenário com o assassinato de jovens socialistas por um neo-nazista, só mostra que ninguém está isolado e que ninguém será poupado na convulsiva situação econômica e política que vivemos. É tudo uma questão de prazos e de ritmos. Isto também vale para o Brasil, obviamente. E os sinais já se fazem sentir. 

O aprofundamento da crise na Europa e nos EUA terá como consequência um forte impacto nos países dependentes como China, Brasil e outros. A recessão europeia e norte americana provoca uma retração (exportação e produção) na China e por extensão na exportação de commodities brasileiras e argentinas. Isto significa que também a venda de manufaturados brasileiros para a Argentina sofrerá um forte impacto. Uma situação convulsiva varre o mundo e ninguém está isolado dela.

O mecanismo que conduziu a esta situação é descrito no Manifesto Comunista que, outra vez, começa a se introduzir no cenário como um fantasma que ronda o mundo: “A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais. A conservação inalterada do antigo modo de produção constituía, pelo contrário, a primeira condição de existência de todas as classes industriais anteriores. Essa subversão continua da produção, esse abalo constante de todo o sistema social, essa agitação permanente e essa falta de segurança distinguem a época burguesa de todas as precedentes. Dissolvem-se todas as relações sociais antigas e cristalizadas, com seu cortejo de concepções e de ideias secularmente veneradas, as relações que as substituem tornam-se antiquadas antes mesmo de ossificar-se. Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas. Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte. 

Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. Para desespero dos reacionários, ela retirou da indústria sua base nacional. As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias primas nacionais, mais sim matérias primas vindas das regiões mais distantes, cujos produtos se consomem não somente no próprio pais mas em todas as partes do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. E isto se refere tanto à produção material quanto à produção intelectual. As criações intelectuais de uma nação torna-se propriedade comum de todas. A estreiteza e o exclusivismo nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis; das inúmeras literaturas nacionais e locais, nasce uma literatura universal. 

Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente de civilização mesmo as nações mais bárbaras. Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros. Sob pena de morte, ela obriga todas as nações a adotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama civilização, isto é, a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria um mundo à sua imagem e semelhança”.(Manifesto Comunista, 1848). Levando este processo até os dias de hoje a burguesia sobreviveu adotando sempre medidas de reorganização de seu sistema mediante a destruição de forças produtivas e ampliação da exploração. 

E na época do imperialismo só sobreviveu e pode adotar estas medidas graças à política traidora dos Partidos Social-democratas (PSs) e dos Partidos Comunistas (Pcs) que por décadas, desde a degeneração social-democrata e depois a traição stalinista, inúmeras vezes puseram a perder revoluções e incontáveis vezes impediram o proletariado de tomar o poder. 

Fim da 1ª Parte

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