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EUA: racismo, violência policial e luta de classes

Para o senso comum, a eleição de Obama para presidente dos EUA poderia significar dias melhores para a população negra. A realidade é bem diferente.

Para o senso comum, a eleição de Barack Obama para presidente dos EUA em 2008, poderia significar dias melhores para a população negra no país, o coroamento das chamadas políticas “afirmative action”.

A verdade veio à tona novamente nos últimos acontecimentos, pela terceira vez em 2 meses “o grande júri” livra um policial branco de ir a júri popular por matar um negro desarmado e desata uma série de protestos.

É preciso compreender a conjuntura destes acontecimentos. Desde a grande crise de 2008 a luta de classes se intensifica nos EUA, primeiro foi o gigantesco movimento “Occupy”, a proliferação dos protestos “moral Mondays” e, agora, a indignação que gerou os protestos que se alastraram por 27 estados depois do assassinato do jovem negro Michael Brow em Ferguson, subúrbio da cidade de Saint Louis. É o racismo institucionalizado que se expressa nos meios policias dos EUA.

A mídia e os grandes meios de comunicação tentam pintar um quadro de que essa situação tem conotação apenas racial e ligada aos policiais.

Como diria Lênin: “o racismo em última instância é uma questão de pão”! Se não existe o suficiente para todos, na luta pela sobrevivência as pessoas se dividirão em linhas secundárias para obterem as migalhas que caem da mesa dos capitalistas.

A história demonstra que nos períodos de auge econômico os conflitos supostamente raciais, étnicos, religiosos, nacionalistas tendem a diminuir ou até momentaneamente desaparecer, porém nos momentos de crise voltam com toda força. É notável que as classes dominantes mantenham vivas as ideologias racistas e racialistas. Utilizam-se delas com o objetivo de dividir o proletariado.

Seria cômico, se não fosse trágico, justamente durante o governo do “presidente negro Obama”, de acordo com o Pew Research Center, “Os homens negros, em 2010, eram seis vezes mais propensos que os homens brancos a serem encarcerados em prisões federais, estaduais e em cadeias locais, segundo dados completos e confiáveis do último ano. Isto representa um aumento em relação a 1960 quando um homem negro era cinco vezes mais propenso a ser encarcerado que um homem branco”.

A outra lição destes protestos e movimentos é a espontânea e instintiva unidade de classe. Em todos os protestos é visível a participação de pessoas de todas as culturas e cores de pele.  Começa assim um aprendizado de que o enfrentamento do racismo deve ser encarado como uma questão de classe, e enquanto vivermos em um mundo em que a maioria sofre com a escassez artificial imposta pelo capitalismo, a maldita chaga do racismo vai continuar.

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