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EUA: Do Cairo a Madison – Trabalhadores, uní-vos!

“Agora todos podem ver que as mudanças fundamentais somente são possíveis quando as pessoas comuns, que normalmente nada têm a ver com a política, agem coletivamente…”

As últimas semanas têm sido um turbilhão de revolução e manifestações de massa. Depois de um período de relativa calmaria na luta de classes, em que a muitos pareceu que nada mudaria, milhões de pessoas agora podem ver com seus próprios olhos que revoluções podem e estão acontecendo.

Agora todos podem ver que as mudanças fundamentais somente são possíveis quando as pessoas comuns, que normalmente nada têm a ver com a política, agem coletivamente para causar um terremoto político nas ruas, nas fábricas, locais de trabalho, escolas e nos corredores do poder.

Inspirados nos acontecimentos do Egito, onde as massas ocuparam a Praça Tahir e puseram abaixo Hosni Mubarak, dezenas de milhares de trabalhadores, estudantes e ativistas comunitários de todo o país chegaram a Madison para enfrentar o governador Scott “Hosni” Walker.

Sua tentativa de destruir os sindicatos do setor público terminou de uma forma que muitas pessoas achavam que era impossível: com a mobilização de americanos simples e correntes na luta contra os cortes e os programas de austeridade. Por seu lado, tudo isto foi uma inspiração para os trabalhadores em todo o país e mais além. Os sindicatos operários no Egito estão enviando mensagens de solidariedade a Madison. Isto é solidariedade internacional da classe trabalhadora da mais admirável!

Ainda no início de 2002, no momento em que GW Bush cantava de galo depois do 11 de Setembro e parecia para muitos que a direita imporia seu domínio por décadas, lançamos Socialist Appeal [Periódico da Seção da CMI nos EUA]. Desde então, opusemo-nos implacavelmente a todas as tentativas de se descartar a classe trabalhadora estadunidense como uma força real de mudança. De forma paciente e consistente enfatizamos o poder colossal dos trabalhadores estadunidenses e de seus sindicatos. Bem antes dos acontecimentos em Wisconsin o confirmarem como uma realidade, escrevíamos: “O poder compacto do movimento dos trabalhadores, em aliança com a comunidade, se for seriamente mobilizado e organizado, pode deter estes ataques!”

Mantivemos também de forma consistente e como um princípio a abordagem política internacionalista, proporcionando análises únicas das lutas dos trabalhadores em todo o mundo. Muitos duvidaram do potencial revolucionário das massas do Oriente Médio. Nós não. Eis o que dissemos em artigos de Socialist Appeal, publicados em novembro/dezembro de 2010: “Os acontecimentos que ocorrem no Egito abalarão toda a região… A revolução egípcia mudará dramaticamente o curso dos acontecimentos no Oriente Médio, no Norte da África e em todo o mundo”.

Estas previsões foram absolutamente confirmadas pelos acontecimentos. Os supostos experts e políticos como Hillary Clinton foram pegos totalmente de surpresa. Fomos capazes de entender o que estava acontecendo sob a superfície da sociedade não porque tivéssemos uma bola de cristal, mas porque usamos o método marxista para analisar o mundo em todas as suas ricas e dinâmicas contradições.

Baseando-nos nas necessidades objetivas da classe trabalhadora e de seu movimento, apresentamos perspectivas, palavras de ordem e demandas visando elevar a consciência de classe, a confiança e a unidade. É por esta razão que de forma consistente apelamos ao rompimento dos sindicatos com os Democratas e Republicanos e para a construção de um partido de massa dos trabalhadores. A necessidade de um partido dos trabalhadores permanece como a mais urgente tarefa política para a classe trabalhadora estadunidense.

Em nosso documento Perspectivas para os EUA – 2010 escrevemos: “Aqueles que se limitam à crítica do capitalismo e, em seguida, ou defendem o “mal menor” dos Democratas ou se apresentam a si mesmos como o partido da revolução, são na prática impotentes ou coisa pior. Devemos deixar claro que somente as forças de massa – não sua organização em 60 ou até mesmo seis mil ativistas, mas em milhões de trabalhadores – com todos os recursos e com a capacidade de agir organizadamente, podem oferecer um sério desafio aos dois partidos do Capital”.

Atualmente, os acontecimentos estão se desdobrando rapidamente. Há poucas semanas, quem poderia pensar que a revolução no Egito teria o efeito de galvanizar os americanos simples e correntes? Quem poderia pensar que um apelo por uma greve geral feito pela Federação Central do Trabalho do Sul e os crescentes apelos por ações nacionais de solidariedade estariam na agenda? Há até mesmo a proposta de ocupação do próprio Capitólio dos Estados Unidos da América, a exemplo da ocupação do Capitólio de Wisconsin. Como a situação pode mudar rapidamente!

As revoluções no Oriente Médio e no Norte da África estão longe de terminar e ainda se desdobrarão por um longo período. Com os acontecimentos em Wisconsin, podemos dizer que o início do início da revolução americana começou também agora. Este processo também será longo e prolongado, com altos e baixos, fluxos e refluxos, vitórias e derrotas. Mas, através deste processo, a classe trabalhadora e a juventude aprenderão.

Walker não está agindo sozinho, ele expressa os interesses de toda uma classe. O sistema capitalista exige mais cortes e não se deterá no setor público de Wisconsin. Estamos todos no pelourinho. Devemos nos organizar e resistir. Nos próximos anos, as correntes de massa da esquerda se cristalizarão nos sindicatos. As pressões, advindas das fileiras, empurrarão os líderes sindicais a resistir aos ataques dos patrões, sob o risco de serem substituídos por outros líderes que o queiram fazer. As pressões para romper com os partidos do Capital e pela construção de um partido dos trabalhadores se intensificarão.

Hoje mais que nunca, a necessidade de uma organização política revolucionária fica clara. Convidamos-vos a se unirem à WIL [Liga Internacionalista dos Trabalhadores, seção estadunidense da CMI] nesta luta!

St. Paul, 18 de março de 2011.

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