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Estas eleições e seus resultados não vão mudar nada de importante, mas revelam o drama

Terminaram as eleições que todo trabalhador consciente sabe que não mudará nada. De fato, o que se viu neste 2º turno foi um aprofundamento do caráter despolitizado, demagógico e fragmentador das campanhas conduzidas por todos os partidos. O PT entre eles, infelizmente para a classe trabalhadora.

A política de colaboração de classes leva necessariamente à despolitização, pois é preciso evitar toda polarização real entre partidos que passado o dia da eleição vão governar e votar projetos juntos.  O sentido geral desta política é apagar as linhas de classe e esconder a política que vai ser aplicada transformando a disputa em discussão sobre a capacidade individual do candidato para “administrar” e sobre a sua “criatividade” para gerenciar a massa falida, as prefeituras.

O resultado desta escolha pelos dirigentes do PT tem como resultado a “municipalização” e a “fulanização” da campanha. É por isso que apesar do esforço de Lula, tido como “o grande eleitor”, os candidatos do PT só venceram em 8 das 22 cidades em que disputou o 2º Turno. E em todas as 22 a popularidade de Lula é majoritária.

O PT perdeu Salvador para ACM Neto, do DEM. Em Fortaleza, o PT perdeu para um amorfo Roberto Cláudio, do PSB. A lista é longa e soma-se ao acontecido no 1º turno onde a direção nacional do PT trabalhou para desmontar o partido e a militância, seja intervindo nos municípios, seja submetendo o partido aos partidos burgueses.

Mas, dizem as vozes ufanistas da cúpula do PT: ganhamos a joia da coroa, São Paulo, e aumentamos o número de municípios governados pelo PT!

Nós, da Esquerda Marxista, que batalhamos para eleger os candidatos do PT temos o direito de afirmar: Duas meias-verdades. Primeira meia-verdade: Se o PT ganhou em São Paulo deve-se diretamente à reação contra Serra. É por isso que um dia após o 1º turno Haddad já tinha 47% dos votos.  Não se trata de adesão a nenhum “projeto”, aliás, inexistente exceto o de continuar salvando ou reformando o capital, mas da rejeição à era FHC e Kassab. Provavelmente qualquer um que tivesse ido para o 2º turno ganharia de Serra. Serra perdeu para Serra.

O PSDB sai implodido com FHC lançando no mesmo dia a palavra de ordem de “renovação” do partido. O que retoma seu propósito anterior de “aproximar o PSDB do povo” e repensar um “projeto para o Brasil”. O azar dele é que o PSDB não tem como ocupar o lugar do PT entre as massas e o “projeto nacional” de FHC está sendo já aplicado, com nuances e outras tintas, pelo atual governo. A oposição vai continuar cercada e com pouca munição.

Segunda meia-verdade: Aumentamos o número de eleitores governados pelo PT.  Se falamos de prefeituras, sim. Mas, não é verdade que a maioria que elegeu o PT para governar o país em 2010 não votou no PT para as prefeituras? Contra-argumentar que são duas eleições diferentes só serve para reafirmar a despolitização e a falta de “projeto nacional”, ou seja, não há em disputa duas linhas políticas nacionais e, portanto, a maioria que nas últimas eleições votou para que o PT governasse o Brasil agora votou em outros, ou não votou em ninguém.

O Partido dos Trabalhadores comandava 46 das 186 maiores cidades do país. Agora ficou com 32 prefeitos. E a maior queda ocorreu nos municípios com um número de eleitores entre 150 mil e 200 mil. Nas 36 cidades deste porte, o partido tinha 13 prefeituras e ficou com apenas cinco. Nos 83 municípios com mais de 200 mil eleitores, o PT caiu de 21 para 16 prefeitos.

Aliás, uma marca desta eleição, que prenuncia os humores que virão das massas foi a dita “renovação”. Muitos prefeitos não se reelegeram e nem mesmo conseguiram fazer seus sucessores.  É por isso que tendo, em 2008, eleito 11 prefeitos das 38 cidades do entorno da capital paulista, agora o PT só elegeu oito. De fato, só acrescentou Santo André e, de verdade, perdeu em Osasco, pois o mais votado foi impugnado sendo empossado o 2º colocado, que é do PT. Em Campinas, mais importante cidade do interior paulista, após o PT desmoralizar-se sendo vice do PDT, em 2008, acabou derrotado pelo PSB.

Nem é preciso lembrar o estado em que ficou o PT e sua militância em Porto Alegre, em Florianópolis, em Joinville (maior cidade de SC, onde além de ser varrido no 1º turno, o prefeito do PT, Carlito Mers, ainda teve seu candidato no 2º turno, Kenedy, do PP, derrotado pelo PMDB). Ou em Curitiba onde o PT é vice de Fruet, no RJ, em Recife, etc.

Em todo o país a mídia fala dos “postes de Lula” e que isso é uma “estratégia” de renovação do partido pós mensalão. Pobre do partido que tem que atirar fora seus dirigentes como bagaço de laranja. De fato, o que está fazendo Lula é operando a transformação do PT em um “partido dos homens de bem” como há muito tempo ele sonha fazer.  Por isso prepara “líderes” saídos da cartola como foi Dilma, como é Haddad e como pode vir a ser Alexandre Padilha, desconhecido ministro da Saúde. Novos dirigentes sempre são bem-vindos em um partido, mas eles devem ser construídos na vida politica do partido e não ungidos pelo chefe. Neste caso a “renovação” é o afastamento e liquidação de outros setores. Mesmo que os “afastados” e os “ungidos” comunguem no fundamental da mesma política e objetivos. 

O aparato de Lula se prepara para abandonar Zé Dirceu e Genoíno

Zé Dirceu e Genoíno declararam, no DN PT, que primeiro se tratava de ganhar o 2º turno, depois tratar do julgamento no STF. Pois bem, terminado o 2º turno já começam a se ouvir as vozes do aparato sobre o assunto. Outros nem esperaram.

O aparato ensaia dar um tapinha nas costas e abandonar Zé Dirceu e Genoíno na prisão, se depender deles.

A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) disse em entrevista à Folha, 29/10/2012, Folha que “é preciso respeitar o resultado da ação no Supremo Tribunal Federal”. A ministra, que é o braço direito de Dilma Rousseff e jamais daria essa declaração sem seu aval, declara: “Nós podemos gostar ou não de como as coisas se dão, mas nós temos de respeitar resultados e instituições.”

No dia 28, após a apuração em São Paulo, o deputado Paulo Teixeira, ex-líder do PT na Câmara, declarou que “Não sou dos que consideram o STF um tribunal de exceção.” Tomando assim explícita distância de Zé Dirceu e Genoíno.

Já o governador Tarso Genro publica artigo na revista Carta Maior onde defende doutrinariamente o acatamento da decisão. Mesmo que ele Tarso a julgue “injusta” e ditada por um tribunal que considera os torturadores como agentes políticos que não devem ser punidos. Diz Tarso: “As decisões judiciais, frequentemente, fazem a síntese, pela autoridade estatal, das conflitividades existentes entre estas formas de composição do Estado (Direito e Política), apontando o dissenso ou a convergência entre elas.

Mais do que isso só a Revolução. Como não é o caso, nem dos governos do Presidente Lula, nem dos réus políticos do processo – reformistas dentro da ordem – concluo que uma sentença, legal e legítima, dentro do Estado de Direito que eles ajudaram a forjar e os acolheu, tanto pode ser justa como injusta.

Mesmo quando o processo politiza-se em excesso, por interesses claros e imediatos, para interferir em processos eleitorais, isso é Justiça concreta da ordem realizada plenamente.

Quero sustentar, finalmente, que defender a dramatização excessiva do resultado deste julgamento, será um favor para quem pretende deixar de lado a agenda das reformas institucionais, necessárias para que não mais aconteçam fatos e processos como estes.” (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21157&boletim_id=1421&componente_id=23870)

Concretamente, o aparato, controlado por Lula e de certa forma, por Dilma, está declarando pela boca de seus fiéis, que não aceita mobilizar ou por em cheque uma das principais instituições do Estado burguês, o STF. O aparato não vai mobilizar para anular ou revogar as condenações políticas contra seus próprios dirigentes. Eles se prepararam para alguns “Atos de desagravo” e depois como declarou Emídio, do PT e atual prefeito de Osasco, em 28/10/2012, “Essa questão é passado”.

Os reformistas não conseguem se defender do ataque da burguesia e enceram a corda para enforcar a todos

Para a Esquerda Marxista, não se trata de indivíduos e nem de ignorar o que são os métodos burgueses de condução do partido e do governo que deram origem a este processo. Trata-se de organizar e mobilizar, denunciar o verdadeiro sentido desta ofensiva do STF e de toda a burguesia que tem como objetivo criminalizar toda atividade política operária. Como não podem decretar uma lei anti-socialista usam o aparato judicial para desmontar as lutas e as organizações. Seu objetivo é poder chegar a uma situação como na Grécia onde o Parlamento aprovou uma lei que tirou dos sindicatos o direito de firmar Acordos Coletivos de Trabalho.

Esta ofensiva conta por outro lado com os dirigentes reformistas a serviço do capital que promovem, a partir do sindicato dos metalúrgicos do ABC e da cúpula da CUT, o chamado Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico (chamado de ACE) que grávidos de ilusão no capital pretendem implantar no Brasil uma colaboração entre capital e trabalho que na Alemanha já retirou direitos e arrochou destruindo conquistas.

Na mídia, se especula sobre quem estará com quem em 2014. Mas as massas ainda não falaram sobre isso. Até lá muita água vai rolar e a luta de classes vai determinar os acontecimentos. Independentemente de quem foi eleito como prefeito é preciso continuar a levantar as reivindicações, organizar e mobilizar explicando que o capitalismo não tem saída e que os reformistas estão condenados pela história e pelo futuro. Nossa luta é pelo socialismo e pela revolução. E para isso é preciso organizar sobre a base do marxismo uma corrente revolucionária de massas. É isto que a classe trabalhadora necessita. Neste caminho trabalhamos por reunir todos os que desejam continuar a luta pelo socialismo numa chapa para as eleições internas do PT, de 2013, na linha de romper com o Capital, virar à esquerda e reatar com o socialismo!

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