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“Esquenta”, “trancaços” e muita confusão

O balanço da CUT mostra claramente que o “Dia Nacional de Greve e Paralisação”, chamado pelas centrais sindicais para o último dia 11, foi somente de reduzidas manifestações. Em São Paulo, menos de 5 mil pessoas se reuniram na Praça da Sé. Além disso, o texto deixa claro que o seu alvo não são os ataques de Temer contra os trabalhadores, mas a defesa de Lula. A matéria de balanço publicada no site da CUT traz uma lista de panfletagens, “trancaços”, bloqueios de vias, marchas e passeatas. Greve mesmo, nenhuma.

Anos de burocratização, de acordos a portas fechadas com os patrões, de colaboração com os planos e interesses das empresas, de primeiros de maio de shows, apoio incondicional aos governos Lula e Dilma, de manipular milhões de reais nos sindicatos, reduziram brutalmente a autoridade política e a capacidade de mobilização da central e de seus sindicatos, que preferem, majoritariamente, o tripartismo à luta de classes.

Mais duas matérias no site da central: “Atos jogaram pressão sobre Temer e os golpistas, diz Vagner Freitas” e “No dia de Greve e Paralisações, Avenida Paulista é palco contra golpistas”. Substituiu-se a luta contra os ataques aos direitos pela tentativa de combater o impeachment de Dilma, o chamado “golpe”. No topo da página, está estampado um banner com a imagem de Lula. Depois, o chamado “O mundo está vendo”, seguido do apelo: “inclua seu nome para também ficar ao lado do Lula”.

Na avaliação do presidente da CUT, “a sociedade brasileira já entendeu o erro do impeachment e o país precisa voltar à normalidade”. Para Vagner Freitas, “voltar à normalidade” significa a convocação de eleições, com a esperança de Lula se eleger e todos os problemas da crise econômica do sistema capitalista mundial desaparecerem. Uma avaliação covarde e ilusória. Transfere o papel da classe trabalhadora para o dirigente que aliou-se às forças reacionárias e traiu os trabalhadores. Aliás, Lula, se deseja o apoio da classe, deveria começar rechaçando a política de colaboração de classes que defendeu e aplicou e colocar-se à frente da luta contra o governo Temer. 

Já Sérgio Nobre, secretário-geral da CUT, afirmara ao Estadão que “ninguém quer fazer greve”. Faltou dizer que a direção da CUT também não mobiliza nenhuma greve na base. Passado o dia 11, nenhuma grande chamada para o dia 25, antes convocado como continuidade do acúmulo de forças para a Greve Geral. Em vez disso, uma matéria publicada em 16/11 chama para o Dia Nacional de Lutas em 29 de novembro – data de votação em primeiro turno da PEC 55 no Senado. E se resume a um texto no site. A preparação da Greve Geral é uma farsa.

Enquanto os dirigentes cutistas titubeiam e desconversam, outras centrais minoritárias e autoproclamadas revolucionárias limitam-se a firmes manifestos. Ninguém com autoridade para provocar um levante dos batalhões da classe trabalhadora.

Essa situação não vai perdurar. A juventude reage mais rapidamente à necessidade de organizar e lutar contra o sistema. Aos poucos, em cada local de trabalho, mais e mais trabalhadores despertam para a situação concreta. A Nova República se esfacela. As organizações tradicionais desmoronam. As velhas direções já não têm mais autoridade.

A Esquerda Marxista está no combate aos ataques do governo e do Congresso Nacional, em defesa dos direitos e conquistas da classe trabalhadora, explicando o significado das medidas apresentadas por Temer e a necessidade da unidade, organização, mobilização e da luta de massas para derrotar as contrarreformas e abrir o caminho para abolir o regime da propriedade privada dos meios de produção, para a construção do socialismo.

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